Douro continua a ser fustigado pelo mau tempo

Depois da seca extrema vivida na região no ano passado, este ano tem sido marcado pelas tempestades de chuva forte e granizo que têm afetado um pouco toda a região.

Bombeiros de Torre de Moncorvo durante a ação de limpeza na vila

Ao final da tarde de ontem os concelhos de Torre de Moncorvo, Murça e Alijó voltaram a ser fortemente atingidos.

Em declarações ao VivaDouro, fonte dos bombeiros de Moncorvo confirmou que ontem ao final da tarde se abateu sobre a vila “uma forte chuvada” que provocou alguns problemas, em especial inundações e deslizes de terra e pedras, “não há registo de vítimas, apenas de danos materiais”.

A mesma fonte garantiu ainda que durante a noite os bombeiros estiveram nas ruas da vila em trabalhos de limpeza e, “às 6 da manhã” já todas as vias estavam transitáveis.

Bombeiros de Torre de Moncorvo durante a ação de limpeza na vila

O concelho de Alijó foi um dos mais fustigados, uma vez mais. Depois das freguesias de Pinhão e Vale de Mendiz terem sofrido grandes danos em finais de maio, desta feita o mau tempo atingiu sobretudo as freguesias de Santa Eugénia, Carlão e Pegarinhos afetando alguns caminhos rurais e culturas como vinhas e uma plantação de mirtilos que perdeu cerca de 80% da sua produção.

Em declarações ao nosso jornal, o vice-presidente da autarquia, Vitor Ferreira, afirmou que o cenário é “muito mau. Foi atingida uma área significativa nas duas freguesias existindo mesmo culturas 100% dizimadas”.

Segundo Vitor Ferreira o levantamento dos danos ainda não está completo estando neste momento a ser feito pelas autoridades. Entretanto a autarquia assegurou já que os agricultores terão o apoio do município.

Cultura destruída em Alijó

“Estamos a informar as pessoas que podem adquirir os produtos necessários para aplicar nas suas propriedades, devendo pedir fatura que posteriormente será entregue à autarquia para que sejam ressarcidos do seu valor”, afirmou o vice-presidente.

Hélder Martins, agricultor da Alijó também falou ao VivaDouro afirmando que no seu caso as culturas mais afetadas foram “o olival e a vinha”.

A vinha foi fortemente atingida em Alijó

Questionado sobre o futuro, Hélder Martins antevê um cenário difícil, “o futuro vai ser difícil pois os danos das uvas nada há a fazer, agora é tentar salvar as videiras para a próxima poda, pois as varas estão todas rachadas. Sente-se muita dor e tristeza, agora é esperar receber alguma ajuda do estado, pois é o trabalho de um ano que foi por água abaixo”.

Numa nota enviada à nossa redação o presidente da concelhia de Alijó do CDS, Rui Lopes, mostrou grande preocupação com os agricultores do seu concelho.

“É uma situação dramática, algumas pessoas perderam o trabalho de um ano inteiro. A autarquia já está no terreno a trabalhar para ajudar todos que foram afetados mas o Governo deve providenciar algum apoio a estes agricultores”.

Caminho agricola muito danificado em Alijó

Rui Martins dedica-se à produção de mirtilos na freguesia de Pegarinhos, em Alijó. O jovem agricultor, em declarações ao VivaDouro, afirmou que se predeu “80 a 100% da produção”, num total de cerca de “7 toneladas de fruto que já estavam prontas para começar hoje a apanha”.Rui assegura que esta é “uma situação complicada”, contudo garante que “para a frente é que é o caminho, agora é recuperar o que se perdeu”.

Vias alagadas em Torre de Moncorvo

O jovem agricultor afirmou ainda que neste momento a sua maior preocupação se prende com o trabalhador que tem contratado, “criei este posto de trabalho e quero mantê-lo, essa é a minha maior preocupação neste momento”.

Para o dia de hoje está previsto um agravamento das condições “nas próximas horas, sensivelmente a partir das 13\14h, é provável que comecem a crescer aguaceiros e trovoadas, mais prováveis no Interior Norte.”, afirma Fábio Félix da página Luso Meteo.

Cultura destruída em Murça

Granizo em Murça

Granizo em Alijó

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