Mudança de concessão do IC5 preocupa região

A concessão do IC5, entregue até agora à Ascendi, está a terminar e a passagem da concessão para a responsabilidade do Estado tem gerado alguma preocupação, o assunto foi mesmo levado à Assembleia Intermunicipal do Douro por Rui Lopes, deputado intermunicipal do CDS da coligação Afirmar a Nossa Terra PSD/CDS.

Foi na última reunião da Assembleia Intermunicipal que Rui Lopes, deputado eleito por Alijó, levantou a questão. Para o deputado, a principal preocupação “prende-se com a manutenção da qualidade da via”, uma vez que são diversos os exemplos em que “o Estado, enquanto gestor das vias públicas, descura o seu trabalho, em especial no que diz respeito à limpeza e à manutenção das vias”.

Rui Lopes, deputado intermunicipal do CDS da coligação Afirmar a Nossa Terra PSD/CDS

Para Rui Lopes, esta é uma via essencial ao desenvolvimento da região, uma vez que “começa no concelho de Alijó e estende-se até Miranda do Douro”.

Para o vice-presidente da CIM-Douro, e autarca de Sabrosa, Domingos Carvas, esta “é uma estrada recente e foi concessionada em nova, agora começa a ter necessidade de alguma manutenção, quer ao nível do piso, da sinalética vertical e horizontal ou de limpeza das bermas, por exemplo”.

“Isto pode trazer-nos dois pensamentos: um, mais positivo é de que se está a gastar muito dinheiro e que nós, com menos, vamos conseguir fazer o mesmo e vamos manter a qualidade. O outro é que enquanto tudo estava bem, a concessão manteve-se, agora que é necessário fazer melhorias, o estado assume esse papel e mais tarde, já com essas melhorias feitas, volta a concessionar”.

“Não é suficiente um Governo chegar e afirmar que poupa x milhões em determinada concessão, é preciso ver onde esse dinheiro é retirado e muitas vezes reflete-se numa perca de qualidade. Se me garantirem que com este fim da concessão se mantém a qualidade do troço e tudo o que isso implica, tudo bem, isso é que nos interessa, não importa quem o faz. Contudo, eu duvido disso, basta olhar para o exemplo da A24, mesmo aqui ao lado. A renovação da concessão resultou numa perda de qualidade, numa menor qualidade da prestação do serviço, basta ver que em todos os nós de ligação a outras vias não existe iluminação, o que, para além de poder ser confuso para quem não conhece tão bem estas vias, é certamente mais perigoso para quem ali circula. Isto não é renegociar uma concessão, isto é desvirtuar a razão pela qual esta via foi criada, para dar mais qualidade a quem aqui vive e trabalha”, afirmou o autarca.

Domingos Carvas, Vice-Presidente da CIM Douro

Domingos Carvas dá ainda um outro exemplo do quão negativa pode ser esta transferência, “um exemplo de passagem de responsabilidades sobre as vias que também foi mal pensado é o caso das estradas nacionais, como a que liga Sabrosa ao Pinhão, que passou para a responsabilidade da autarquia e a sua degradação tem sido evidente. Por exemplo, agora são precisos lá gastar cerca de 2 milhões de euros e nós não temos essa verba, e o estado assobia para o lado. Muito provavelmente teremos que recorrer ao crédito bancário até porque temos que intervir naquela estrada e a nossa preocupação é a segurança de quem ali passa. Lançamos agora um concurso para um dos troços, sobretudo para melhorar as condições de segurança, em especial nos taludes inferiores que recentemente sofreram mais alguns danos com o mau tempo. Esta estrada nunca devia ser da responsabilidade da autarquia até porque é uma importante via para toda a região, é uma estrada regional”.

Os presidentes de câmara de Alfândega da Fé, Alijó, Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta, Miranda do Douro, Mogadouro, Torre de Moncorvo e Vila Flor, concelhos abrangidos por esta via, estiveram reunidos para debater as consequências desta mudança.

Fernando Barros, presidente do município de Vila Flor, e porta-voz do grupo explicou que os autarcas exigem garantias de que não ficará em causa a segurança da via e dos utentes:

“Estamos preocupados com a transferência da concessão, e quando digo a concessão, digo a manutenção, a segurança e todo o processo de vigilância da Ascendi para a Infraestruturas de Portugal. Teoricamente não temos nada contra, desde que sejam garantidas todas as questões de segurança. Como representantes de toda a região, sentimo-nos um pouco ultrapassados”.

“Nós não entendemos porque não nos foi explicado como estas coisas acontecem. A confirmar esta decisão é muito má. Não a conhecemos e não sabemos qual é a razão”, manifestou Fernando Barros.

Os oito autarcas queixam-se ainda de não terem sido ouvidos neste processo: “ninguém falou connosco e consideramos tal facto estranho”, acrescentou o autarca.

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