Vale do Tua, um destino de estrelas

O Parque Natural Regional do Vale do Tua destaca-se, cada vez mais, como um local único a conhecer, juntando agora ao património ar­queológico, à observação de aves, e aos percursos pedestres, a ob­servação de nebulosas, galáxias, enxames de estrelas e planetas a ‘olho nu’.

© MIGUEL CLARO – DARK SKY® VALE DO TUA

“Dark Sky® Vale do Tua” é esta a designação que foi agora atribuída pela Fundação Star­light, que nos últimos dois anos avaliou em diferentes períodos e auditou o processo de candidatura, para confirmar que, efetivamen­te este território reúne todas as condições para integrar a lista de sítios Starlight, na mo­dalidade de Destino Turístico.

Miguel Claro é fotógrafo profissional e uma das peças chave na atribuição desta certifica­ção, em declarações ao nosso jornal afirma que “o Vale do Tua tem o seu encanto natu­ral. É riquíssimo do ponto de vista paisagístico mas também do ponto de vista da arqueoas­tronomia, aqui há muitos monumentos me­galíticos e é uma parte muito importante nesta parte do astro turismo que também as pessoas procuram muito”.

Questionado sobre o que podemos ver no céu do Vale do Tua, o fotógrafo que nos últi­mos anos tem fotografados os astros um pou­co por todo o mundo afirma que “sem ter ne­nhum conhecimento nós vemos meramente estrelas, pontos individuais, dispersos, sem nenhuma correlação entre eles que, apesar de nas constelações podermos ver alguma correlação, ela é apensa fictícia, adotada por nós aqui na Terra, que não é real. Muitas ve­zes elas nem sequer estão dentro do mesmo espaço atingível, estando a centenas de anos luz umas das outras.

Uma das coisas que tentamos quando faze­mos as visitas guiadas ao céu e as sessões de observação, que futuramente serão desen­volvidas no Vale do Tua e que dizem respeito propriamente ao astroturismo, é ensinar a ver essas constelações para que numa próxima observação a pessoa já consiga reconhecer constelações como a Ursa Maior ou a Ursa Menor, por exemplo, conseguir reconhecer a Via Láctea a olho nu, que é algo fantástico também. A informação que passamos fará toda a diferença, o céu sempre esteve lá con­tudo reconhecê-lo é um mote para as pessoas olharem mais para cima e interrogarem-se so­bre o que estará mais além.

Ao reconhecer estas constelações, algo que é possível com os nossos olhos, é suscitada a curiosidade sobre o que há nessas conste­lações e aí sim, existem os tais objetos que serpenteiam a esfera celeste que não são visí­veis a olho nu mas são alcançáveis através de binóculos ou telescópios, e que com conhe­cimento é possível de observar, nublosas, en­xames de estrelas, galáxias e tudo o que nos envolve. É toda uma dimensão nova que se abre quando passamos a ter a possibilidade de realizar visitas guiadas ao céu com guias do céu formados ou astrónomos profissionais e com um observatório, uma estrutura física que permita ter instrumentos mais avançados para que isto possa ser feito com maior quali­dade e o maior conforto possível”.

© MIGUEL CLARO – DARK SKY® VALE DO TUA

Apolónia Rodrigues é presidente da Associa­ção Dark Sky para quem “a certificação Star­light Tourism Destination é uma garantia de qualidade do destino face a um conjunto de critérios mínimos estabelecidos pela Funda­ção Starlight.

Quando falamos de destinos e na criação de oferta turística de qualidade é importante ter em conta critérios de avaliação que sejam objetivos e quantificáveis e especialmente analisados e confirmados por uma entidade externa. A certificação do Dark Sky® Vale do Tua permite assim comunicar, de uma forma imparcial, a qualidade do destino tendo esta avaliação sido realizada por uma entidade ex­terna e com critérios técnicos que permitem aferir a sua oferta de astroturismo bem como as características base sem as quais não seria possível a certificação, ou seja, a qualidade do céu noturno.

De acordo com a responsável, “a certificação recai sobre critérios técnicos de qualidade e disponibilidade do céu noturno e sobre a oferta turística do destino em causa, espe­cialmente a oferta concreta na temática do astroturismo.

No entanto, adianta ainda Apolónia Rodri­gues, “o Dark Sky® Vale do Tua é uma junção de duas marcas destino: Dark Sky® e Vale do Tua®. Numa primeira fase o Parque Natural Regional do Vale do Tua integrou o conceito e marca destino Dark Sky® desenvolvido desde 2007 e que permitiu iniciar a implementação do astroturismo no Vale do Tua. A equipa do Dark Sky® efectuou as primeiras medições de qualidade do céu e a avaliação da dispo­nibilidade do recurso principal e chegou à conclusão que o destino cumpria os critérios mínimos com uma boa margem de seguran­ça. Passada esta primeira fase com sucesso iniciou-se o processo de preparação para a certificação e trabalho de criação de oferta temática.

O Dark Sky® Vale do Tua após a sua certifica­ção passa a integrar a Rede Dark Sky® Por­tugal, a qual inclui já o Dark Sky® Alqueva, o primeiro Starlight Tourism Destination do mundo, e o Dark Sky® Aldeias do Xisto que tal como o Vale do Tua representa a junção de duas marcas e dois conceitos, o Dark Sky® e as Aldeias do Xisto®. As Aldeias do Xisto é uma criada e gerida pela ADXTUR”.

Para Artur Cascarejo, Diretor do Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT), “esta classifi­cação é o culminar de dois anos de trabalho e preparação para a certificação como “Destino Turístico Starlight”, bem como a abertura da perspetiva de uma nova vertente de turismo que ainda estava por explorar na região.

Desde o momento em que despertámos para esta questão, até ao momento em que a cer­tificação foi atribuída, houve todo um traba­lho de pesquisa e estudo das condições do Vale do Tua para a prática do Astroturismo. Este trabalho envolveu deslocações, quer da nossa parte a outros territórios, quer da parte de técnicos, especialistas e auditores à nossa região, pelo que esta certificação vem confir­mar que estávamos certos ao apostar nesta vertente.

Para nós, esta atribuição traz também a res­ponsabilidade de sensibilizar e difundir a mensagem da Fundação Starlight, que se preocupa não só com a vertente turística do Astroturismo, mas também com as questões relacionadas com a preservação do ambiente, nomeadamente questões relacionadas com a poluição luminosa, o que vai de encontro aos propósitos do PNRVT de promover iniciativas sustentáveis do ponto de vista ambiental e com forte ligação à natureza.

© MIGUEL CLARO – DARK SKY® VALE DO TUA

É também uma oportunidade de criar mais um produto turístico diferenciado. Não só para o Parque e respetivos municípios, mas também para os empresários locais, tendo em conta que esta oportunidade abrange, por exemplo, empresas de animação turística, o alojamento e a restauração da região.

Se os Percursos Pedestres, produto de crédi­tos firmados no Vale do Tua, e o Birdwatching, produto em implementação pelo PNRVT, são facetas do turismo sustentável que são de fruição maioritariamente diurna, o Astrotu­rismo vem permitir a exploração da compo­nente noturna do turismo de natureza. Isto permite não só um aumento da oferta de pro­dutos por parte dos empresários e da região, mas também um impacte direto positivo no número de noites que os turistas acabam por passar no território.”.

De acordo com o diretor do parque, “trata-se de uma vertente de turismo que se en­contrava por explorar, pelo menos de forma tão aberta e declarada, em toda a região do Vale do Tua e do Douro. Em termos de Douro, acreditamos que os turistas que o escolhem como destino de férias podem ver no Tua uma região mais virada para o turismo de na­tureza. Posto isto, entendemos que se pode criar assim mais uma forma de ligação e com­plemento entre o Douro e o Tua.

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