D’Eunoia: Moda exclusiva e personalizada inspirada no Douro

O projeto D’Eunoia nasceu em plena pandemia, impulsionado por um confinamento obrigatório que juntou as irmãs Catarina e Ana em casa dos pais, em Carrazeda de Ansiães.

O gosto, desde tenra idade, pelo mundo da moda e a vontade em criarem um projeto conjunto, foi a inspiração que necessitavam para avançar com o projeto.

Desenham peças exclusivas, feitas “à medida” da cliente, inspiradas nas paisagens da região que as viu nascer.

Como surgiu a ideia de criar a D’Eunoia?

Durante o primeiro confinamento, eu (Catarina) e a minha irmã acabamos por regressar a casa dos nossos pais temporariamente, estava a estudar em Bruxelas e a minha irmã a trabalhar no Porto!

Com tanto tempo juntas achamos que seria a altura de criar um projeto, como sempre quisemos fazer. Finalmente tínhamos tempo e estávamos juntas!

Sempre fomos muito fascinadas pelo mundo da moda, desde pequeninas que adoramos roupa, sapatos e acessórios, éramos o tipo de miúdas que partiam os saltos altos da mãe quando tentávamos desfilar lá por casa… Por isso, este projeto conjunto só podia ser ligado a isso!

Na apresentação do projeto referem que se inspiram nas paisagens da região. De que forma os vossos clientes podem reconhecer esses traços nas vossas criações?

A inspiração nas paisagens do Douro, neste lugar maravilhoso, vai muito para além do que é visual.

Ainda que na nossa primeira coleção tenhamos usado as cores do Douro: os roxos das uvas, os verdes das vinhas e o dourado do sol que brilha de uma forma especial aqui, a principal inspiração na região está na nossa filosofia: “Keep your roots, grow your wings”.

Isto tem a ver com a ligação que temos à nossa origem, e também com a necessidade e vontade que temos de explorar o mundo e seguir os nossos sonhos. Um bocadinho como é possível fazer com as nossas coleções! Assim, criamos sempre uma peça central, a nossa Origem, e depois uma série de peças que a podem complementar e que representam essa possibilidade de “voar por aí”.

Os nomes dados aos vossos produtos (Origem, Touriga, Franca…), é também pensada para facilitar essa associação?

Exatamente, nesta segunda coleção fizemos alusão às castas mais representativas da região, e mantemos sempre o nome da peça central, Origem.

Na primeira coleção, as nossas alças tinham nomes de mulheres do Douro, cada uma com traços de personalidade diferentes, que se refletiam no design, por isso é tudo muito metafórico!

A vossa produção é feita por encomenda, porquê esta opção?

Queríamos criar algo especial e exclusivo, e ao mesmo tempo produzir de forma consciente.

A preocupação com um modo de vida sustentável e o conceito de slow fashion são coisas fundamentais para nós. Assim conseguimos evitar acumulação de stock, fazendo um impacto positivo no meio ambiente, ao mesmo tempo asseguramos a exclusividade, na certeza de que cada peça é produzida especialmente para as nossas clientes!

Sendo ambas formadas em economia, como funciona o vosso processo de produção?

Como não somos formadas na área, escolhemos trabalhar com profissionais com muitos anos de experiência, que nos têm aconselhado e guiado neste processo que é uma descoberta para nós!

Os artigos são todos feitos em Portugal de forma artesanal. Trabalhamos com uma série de ateliers diferentes, mas de pequena dimensão, onde conseguimos garantir a qualidade e atenção ao detalhe. Cada uma das nossas peças é feita por encomenda e a pensar em oferecer uma experiência exclusiva a quem coleciona os nossos artigos. Uma das coisas mais importantes é assegurarmos esse cuidado, e temos a certeza que estamos rodeadas de alguns dos melhores artesãos portugueses!

Criar uma marca com estas características a partir de Carrazeda de Ansiães, que desafios vos coloca?

Em primeiro lugar, a nossa produção não pode ser feita em Carrazeda, não há indústria nem ateliers desta área, e isso obriga-nos a produzir noutras cidades, ainda que todas no Norte!

Em termos de funcionamento de marca, acabamos por não ter desafios que nos impossibilitem de realizar aquilo a que nos propomos. Temos excelentes acessos e para além disso passamos muito tempo na cidade do Porto!

Acho que o Norte está muito bem preparado para produzir nesta área e tem sido incrível descobrir tudo que há por aí, e que não fazíamos ideia!

No que diz respeito a Carrazeda, há ainda muito que pode ser feito no âmbito do empreendedorismo jovem. Seria muito interessante desenvolver uma rede de apoio sólida para dinamizar o concelho e incentivar os jovens neste mundo desafiante que é o de criar um negócio.

Se um jovem de Carrazeda, com um projeto inovador, vos pedisse um conselho, o que lhe diriam?

Diríamos que o lugar de onde somos não é uma limitação, de todo! É possível fazer coisas incríveis, com trabalho, dedicação e muita persistência. O reconhecimento não será imediato, mas é muito recompensador arriscar e fazer diferente!

Que projetos têm pra o futuro da D’Eunoia?

O nosso objetivo é o de conseguirmos ter o nosso próprio atelier com artesãos das mais variadas áreas, e com a capacidade de responder às nossas ideias, que são muitas!

Queremos surpreender e mostrar que em Portugal há muita coisa interessante e diferente a ser feita!

Já começamos a vender para fora, para países como Andorra, França e Suíça e no futuro esperamos chegar ainda mais longe!

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