Maria do Céu Quintas: “este cargo deve ser usado para servir os outros”

Dona de um sorriso contagiante, Maria do Céu Quintas gere o Município de Freixo de Espada à Cinta desde 2013. O olhar apaixonado com que fala do seu concelho prende a atenções dos que com ela se cruzam. Acredita que tem ainda muito a fazer por Freixo e por isso conta com uma vitória no próximo dia 1 de Outubro.

Qual o balanço que faz do mandato que agora chega ao fim no Município de Freixo de Espada à Cinta?

O balanço que faço destes 4 anos, apesar da situação financeira muito má em que a câmara se encontrava, é bastante positivo. Mesmo com falta de recursos à nossa disposição conseguimos fazer muito pelas pessoas: requalificamos um bairro social que estava bastante degradado ajudando com tintas para a pintura das casas e na remodelação dos tetos das habitações, oferecemos o transporte a doentes oncológicos que têm que se deslocar ao Porto para tratamentos e ajudamos todos quanto queriam melhorar as condições da sua habitação e estavam em condições de receber esse apoio.

Ao mesmo tempo fizemos uma grande aposta na seda que é um dos melhores produtos que temos. Em Freixo tudo é bom, o vinho, o azeite, as laranjas, etc, mas a seda é o nosso produto de excelência, pelo fator diferenciador e por ser produzida segundo os métodos artesanais, algo único na Península Ibérica e raro em todo o Mundo. Este é também um produto que acreditamos que possa ser responsável pela criação de emprego no concelho, até pela diversidade de produtos inovadores que podem ser criados a partir desta matéria-prima como sabonetes, chás, etc.

O turismo foi uma área em que também apostamos. O número de visitantes aumentou e, para uma região que vive essencialmente da agricultura, é importante que estas pessoas venham e deixem cá o seu dinheiro, contribuindo para o nosso desenvolvimento.

Houve alguma obra que gostava de ter feito mas não foi possível neste mandato?

Neste momento não podemos pensar em grandes obras mas a requalificação do centro histórico da vila encaixa na sua questão. Será uma grande obra para Freixo, até pela quantidade de turistas que pode atrair.

Não foi possível avançar com esta obra porque está sujeita ao apoio por parte de alguns fundos que nem sempre estão disponíveis. Já existe uma verba alocada para esta requalificação, no entanto o concurso público ficou vazio e teremos agora de lançar um novo, o que atrasou o início da intervenção.

Toda aquela envolvente, a igreja, a torre, o nosso Freixo que rejuvenesceu fruto de uma parceria que fizemos com a UTAD, um património vivo com mais de 500 anos, será algo único.

Esta requalificação será uma das bandeiras desta campanha?

Sim, isso é certo. Essa requalificação vai mesmo avançar.

Depois, se a câmara tivesse fundos, gostava de adquirir todos os edifícios abandonados na zona histórica para que fossem remodelados e depois vendidos ou alugados para habitação e para o mais diverso tipo de negócios.

Temos muitas outras coisas em mente como a remodelação de um edifício na praia da Congida, que é o nosso ex-libris, e é para nós uma obra prioritária.

Ta,bém a capela da Santa Casa, aqui no centro histórico precisa de uma remodelação mas o dinheiro dos fundos tarda em chegar e muitas vezes é desviado para outras obras em cidades de maior relevância como o Porto, por exemplo. Lamento que isto aconteça e não tenho problemas em assumir isso, quando se fala em coesão territorial ela, na realidade não existe.

Acredita que a população do concelho sente a sua paixão por aquilo que está a fazer à frente do executivo?

Acredito que sim, se nós acreditarmos mesmo e sentirmos com alma as pessoas sentem isso. Esta terra tem muitas coisas boas, muitas delas ainda por explorar e Às quais as pessoas ainda não dão a devida importância.

Esta mudança de mentalidades é algo que demora o seu tempo, ainda não existe, por exemplo, o empreendedorismo é algo que ainda não entrou com força no nosso léxico. Quando as pessoas perceberem isso, Freixo irá certamente crescer mais do que imaginado.

De que forma pode a Câmara Municipal ajudar nessa mudança de mentalidades?

Temos algumas ideias em mente, uma delas é trazer pessoas de fora que ajudem a população local a perceber o potencial que aqui temos. Às vezes é necessário mostrar, a quem cá está, que os nossos produtos são apetecíveis lá fora, que existe um mercado imenso que podemos conquistar.

Da minha parte tudo farei para desenvolver o nosso concelho. Em Freixo não precisamos ter muita gente, se conseguirmos manter a população é já uma vitória e assim teremos condições para desenvolver.

O IEFP, com o apoio da autarquia vai lançar um curso dedicado à seda que espero que seja um sucesso, é um produto diferenciador que temos e existe uma imensidão de coisas diferentes que se podem fazer, basta as pessoas aproveitarem as ideias que vão surgindo.

A proximidade a Espanha é fundamental para o desenvolvimento de um concelho como Freixo de Espada à Cinta?

É fundamental no aspeto em que essa proximidade os pode atrair a vir cá, até porque o poder de compra dos espanhóis é superior ao nosso. Todos os dias temos visitantes espanhóis e atrás desses acreditamos que muitos outros virão. É um mercado importante para nós.

A feira ibérica de vinhos que organizamos este ano, e pretendemos continuar a organizar nos próximos, é sinal dessa aposta nesta proximidade.

Para concluir, quais são as expectativas para o próximo dia 1 de Outubro?

A paixão que sinto é a mesma como quando concorri pela primeira vez há quatro anos atrás. Este é um cargo que, no meu entender, deve ser usado para servir os outros.

Nunca tive uma sensação de poder aliada ao cargo, sou uma pessoa igual às outras mas com maiores responsabilidades. Lamento não ter mais meios para chegar a mais gente ainda mas esse desafio também é importante.

Confio que no dia 1 vou receber um voto de confiança das pessoas, pelo trabalho que já fizemos e por aquilo que ainda podemos fazer.

 

,