Dois enólogos e dois projetos distinguidos nos prémios “Douro + Sustentável”

Integradas nas celebrações da 6.ª edição do Port Wine Day, foram, no passado dia 10, entregues as distinções da 1ª edição dos prémios “Douro + Sustentável”, num jantar que teve lugar no Museu de Lamego. A Real Companhia Velha (categoria Viticultura), a enóloga Luísa Borges (categoria Revelação), a Quinta do Vallado (categoria Enoturismo), e o enólogo Mateus Nicolau de Almeida (categoria Enologia), são os distinguidos nesta 1.ª edição dos prémios da Região Demarcada do Douro.

Tais distinções premeiam projetos que conseguiram destacar-se na preservação do território duriense. A promoção da vitalidade da região, do esforço das comunidades locais e do envolvimento de todos na salvaguarda de uma paisagem única são igualmente premissas dos prémios atribuídos esta noite.

Sem necessitar de quaisquer apresentações, a Real Companhia Velha tem um percurso de mais de duas décadas na recuperação de castas autóctones do Douro, algumas das quais desconhecidas, outras pouco investigadas e uma grande parte em processo de extinção. O projeto Series, e embora registado como marca de vinhos, surge, pois, com o objetivo de colocar no mercado estas experiências vitícolas. O propósito é analisar o seu valor comercial sempre aliado ao desenvolvimento científico da diversidade vitícola duriense. A conquista da categoria Viticultura homenageia assim o trabalho de Investigação & Desenvolvimento levado a cabo pela equipa de viticultura e enologia. De resto, a Real Companhia Velha distingue-se na reconstrução da memória das castas ancestrais da Região Demarcada do Douro, “assegurando o futuro, recuperando o passado”.

A enóloga Luísa Borges, distinguida na categoria Revelação, perfilhou a região duriense com apenas 23 anos para liderar a Vieira de Sousa. Projeto familiar produtor de Vinho do Porto há cinco gerações, embora sem investimento em marca própria, a empresa decidiu, então, apostar nesse ano de 2008 na vertente de engarrafamento de Vinho do Porto. Estreia, essa, acompanhada pela produção do seu primeiro Porto, o Vieira de Sousa LBV 2008. Bastaram cinco anos para o devido reconhecimento. Em junho de 2013, e numa prova organizada pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP) para apresentação dos Vintages 2011, o Vintage da Vieira de Sousa surpreendeu ao posicionar-se ao lado das marcas melhor pontuadas. Licenciada em Viticultura e Enologia pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa, Luísa Borges é hoje um nome a reter no universo dos vinhos do Douro e Porto.

Agora gerida pela sexta geração, João Álvares Ribeiro e Francisco Spratley Ferreira, a Quinta do Vallado foi distinguida na categoria Enoturismo. A transformação da casa senhorial do século XVIII (datada de 1733) num hotel vínico dentro do perímetro da quinta localizada no Baixo Corgo num primeiro momento, o reforço da capacidade de alojamento com mais oito quartos no novo hotel rural (edifício da autoria do arquiteto Francisco Vieira de Campos inaugurado em 2012) numa segunda fase, e mais recentemente a abertura do Hotel da Casa do Rio em Vila Nova de Foz Côa (sito na Quinta do Orgal) materializam a oferta do projeto de enoturismo dos tetranetos de Dona Antónia Adelaide Ferreira. O denominador comum é o respeito pela natureza, conservando os processos biológicos integrados essenciais aos ecossistemas.

Construindo vários projetos de raiz, que incluem uma adega subterrânea, enologia sustentável e práticas agrícolas menos convencionais, Mateus Nicolau de Almeida foi distinguido na categoria Enologia. Na verdade, os “Trans Douro Express” e os “Eremita” revelam um Douro carregado de potencial no campo da viticultura e dos terroirs, num equilibrado compromisso entre a qualidade e a sustentabilidade. Descendente de um dos nomes grandes do Douro, residente em Vila Nova de Foz Côa e tendo estudado enologia em Bordéus, Mateus Nicolau de Almeida é também corresponsável pelos vinhos produzidos na Quinta Monte Xisto, um projeto familiar que partilha com o pai e os irmãos.

A 6.ª edição do Port Wine Day®, promovida pelo Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P. (IVDP) nos dias 7, 8 e 10 de setembro, incluiu provas, jantares vínicos, declaração de Ano Vintage (20179, festas aos pôr-do-sol e a cerimónia de entrega das distinções “Douro + Sustentável”. A intenção foi festejar os 263 anos da Região Demarcada do Douro que, e para além dos socalcos, das vinhas e do rio, abarca também o vasto património arquitetónico, monumental e escultural. As ações estenderam-se ao longo do Vale do Douro proporcionado momentos inesquecíveis a todos aqueles que estiveram associados a estas iniciativas.

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