Misericórdia prevê redução substancial do défice no próximo ano

A proposta do Plano de Atividades e Orçamento para 2021 da Santa Casa da Misericórdia de Lamego foi aprovada por unanimidade pelos irmãos que marcaram presença na Assembleia Geral que decorreu na última sexta-feira no Museu de Lamego.

A elaboração deste documento teve como princípio orientador o compromisso assumido pela Mesa Administrativa de continuação da recuperação da situação económico-financeira da instituição. Neste sentido, está prevista no próximo ano uma redução considerável do défice de exploração, equivalente a 107 mil euros, em relação ao ano em curso. A Misericórdia de Lamego considera, deste modo, que se verifica uma estratégia consistente de redução do défice, que ascende a 197 mil euros em dois anos, com o objetivo fundamental de alcançar o almejado equilíbrio orçamental.

O Plano de Atividades e Orçamento agora aprovado foi elaborado pela Mesa Administrativa em funções, mas será executada por uma nova Mesa, conforme ditam os estatutos, a eleger no próximo dia 18 de dezembro. Na hora da despedida, e ao fim de sete anos como Provedor na mais antiga e importante instituição de solidariedade social do concelho, António Marques Luís explicou que não se recandidata a um novo mandato por “imperativo de consciência”, uma vez que considera “muito relevante a renovação da liderança das instituições”.

Durante a última intervenção que proferiu em Assembleia Geral, elencou os principais investimentos e realizações que promoveu com a missão principal de melhorar os serviços prestados à comunidade. “Considero que tomei um conjunto de decisões que alterou os desígnios desta Santa Casa. Agradeço toda a confiança que depositaram em mim à frente desta instituição multisecular”, afirmou. E terminou recordando que, no período em que se manteve como Provedor, todas as deliberações foram aprovadas por unanimidade em Assembleia Geral.

António Marques Luís lembrou ainda o difícil contexto social e económico, marcado pela pandemia, no qual operam este ano as instituições de solidariedade social: “Para além dos imensos custos económicos que acarreta – com o aumento enorme das despesas e a perda substancial das receitas -, provoca grandes constrangimentos no funcionamento desta instituição. A pandemia dura há vários meses e ainda não sabemos quando terminará. É um rude golpe do ponto vista humano, pelos sacrifícios que impôs, e impõe, e pelos enormes custos económicos”.

Nas perspetivas orçamentais, é estimado para 2021 um total de despesas de 2 392 584,42 euros e de receitas correspondente a 2 298 296,65 euros, com um saldo negativo de 91.408,78 euros, após juros e proveitos/custos extraordinários. No entanto, o orçamento total de despesas correntes e de capital poderá apresentar um saldo positivo superior a 293 mil euros, caso sejam aprovadas duas candidaturas a fundos comunitários (CIM DOURO) e nacionais (Programa PARES 3.0).

A Misericórdia de Lamego prevê, no próximo ano, um incremento substancial da receita, devido à celebração de uma extensão do acordo relativo ao Lar de Idosos, com a Segurança Social, que aumentará o número de vagas comparticipadas. Em simultâneo, também está prevista a colocação de apartamentos e lojas situadas na Rua da Olaria e Rua do Teatro, propriedade desta Misericórdia, no mercado de arrendamento e o início do aluguer de uma parte das instalações do antigo Hospital para a instalação de uma clinica de hemodiálise. Por outro lado, a redução sustentada da despesa vai incidir, sobretudo, na rubrica “fornecimentos e outros serviços”, em honorários e nos gastos com pessoal.

A implementação deste conjunto de medidas respeita as orientações do plano de reajustamento económico-financeiro, baseado nos resultados da auditoria que a Misericórdia de Lamego solicitou à União das Misericórdias Portuguesas.

O Plano de Atividades e Orçamento para 2021 mereceu o parecer positivo do Conselho Fiscal. Os irmãos aprovaram ainda a proposta de alteração do Regulamento Eleitoral dos Corpos Sociais.

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