Pinturas ajudam a resgatar memórias no Lar da Misericórdia de Lamego

Numa parceria inédita, cinco pintores que desenvolvem o seu trabalho em Lamego estão a ajudar a resgatar a memória afetiva dos idosos do Lar da Santa Casa da Misericórdia, ocupando um lugar de destaque na nova sala de estar da instituição, o local onde os idosos passam a maior parte do tempo.

A iniciativa “Memórias de Lamego” nasceu de um desafio lançado pelo projeto de cidadania “#lamegoeuacredito”, desenvolvido por Ricardo Pereira, junto de vários artistas locais ou que têm ateliê instalado neste concelho para ajudar os idosos a reviver, através da arte, experiências guardadas na memória. Aldina Alegre, Adelaide Brilhante, João da Fonseca Fernandes, Joaquim Correia e Óscar Rodrigues são os artistas que doaram algumas obras.

Em declarações à nossa reportagem, Ricardo Pereira afirma que a ideia foi “criar um baú de memórias no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Lamego para libertar do esquecimento recordações antigas dos idosos, ao poderem reviver, através da arte, experiências guardadas na sua memória. Os utentes desta instituição passam a maior parte do seu tempo na sala de estar da instituição e, por causa da pandemia, as visitas ao exterior ainda são muito condicionadas”.

A este desafio também se juntou a maior e mais antiga instituição de solidariedade social de Lamego, a Santa Casa da Misericórdia. “Quero agradecer publicamente a todos aqueles que, com o seu altruísmo e espírito solidário, ajudaram a concretizar esta iniciativa louvável, em prol dos nossos idosos”, afirma o Provedor António Carreira.

Todas as composições artísticas expostas perpetuam a riqueza patrimonial e paisagística da cidade de Lamego e do Douro, como é o caso do Bairro do Castelo e da Igreja Catedral, ou fixam no tempo as manifestações religiosas e culturais que moldam a identidade deste território, como é o caso da Procissão de Triunfo e do Entrudo de Lazarim.

“A iniciativa “Memórias de Lamego” teve o grande mérito de desafiar vários pintores naturais de Lamego ou que têm aqui o seu ateliê para trabalharem em rede em prol de um objetivo comum. Um desafio ao qual responderam prontamente quando foram desafiados a oferecer obras da sua autoria para os idosos revivem, através da arte, experiências guardadas na memória. É um excelente exemplo que mostra que a sociedade civil está sempre aberta a colaborar. A recetividade dos idosos também foi muita boa! As pinturas despertaram a sua curiosidade e motivou de imediato a partilha de muitas recordações antigas, por exemplo, o ambiente que antigamente era vivido nas ruas da cidade ou as primeiras idas, em criança, às Festas em Honra de Nossa Senhora dos Remédios. Além disso, o ambiente da sala de estar também se tornou mais acolhedor”, afirma Ricardo Pereira que lembra ainda que o projeto continua disponível “à doação de mais obras que venham enriquecer ainda mais este projeto”.

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