Luís Machado: “Os durienses têm que viver bem e felizes”

Na foto: O presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião

Na foto: O presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião

Presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião desde 2013, Luís Machado, contou ao VivaDouro como têm sido os últimos dois anos como líder da autarquia, afirmando que neste momento o município tem “uma saúde financeira invejável”.

Como é que se decidiu candidatar a presidente da Câmara Municipal?

Já tinha alguns anos de experiência autárquica, em 1993 nos gabinetes de apoio e mais tarde como vereador. Quando, por imposição logal, o meu antecessor não se podia candidatar mais, disponibilizei-me e tendo o apoio do partido socialista, candidatei-me, vencendo as eleições com o melhor resultado de sempre numa primeira candidatura.

Mas sempre esteve nos seus planos alcançar este cargo?

Como em tudo na vida, quando trabalhamos numa área temos sempre a vontade de fazer mais e melhor. A grande diferença é que enquanto presidente, podemos decidir, levar adiante as nossas ideias, os nossos projetos e fazer coisas diferentes, que é o que estamos a fazer.

Qual a maior dificuldade que encontrou quando tomou posse do cargo?

Embora estivesse no executivo da Câmara, deparei-me com encargos financeiros acima do que era previsível e de que tinha conhecimento oficial, o que tornou o ano de 2014 um ano difícil para estabilizar as contas do município, mas conseguimo-lo fazer e agora já estamos a desenvolver os nossos projetos, tendo neste momento uma saúde financeira invejável.

O que foi preciso mudar?

Foi preciso reorganizar os serviços, conseguimos economizar nos gastos da Câmara Municipal 374 mil euros num ano e fomos criteriosos nos investimentos que estávamos a fazer e também nos futuros projetos. Isso foi feito com sensatez e com os recursos que temos, vamos conseguindo concretizar os nossos projetos.

Quais os setores predominantes no concelho?

O nosso produto principal é o vinho e nós somos dos concelhos do Douro com maior percentagem de vinha. A Serra do Marão é também uma das nossas maiores apostas, a qual estamos a promover junto da população, principalmente a nível turístico e na produção de castanha, mel e resina. Estamos a trabalhar e a investir para que o Marão para além de um potencial turístico, tanto a nível paisagístico como dos percursos pedestres, de bicicleta ou mota, se torne também uma zona de produção, pois temos produtos que temos que valorizar de forma a criar riqueza para os habitantes locais e permitir que se fixem no concelho.

Estátua "Trabalhador da Vinha", junto à Câmara Municipal

Estátua “Trabalhador da Vinha”, junto à Câmara Municipal

De que maneira é que o município investe no turismo?

Estamos a promover junto dos produtores, do enoturismo e do turismo rural, um roteiro de forma a conseguir trazer os turistas a visitar o nosso concelho. Estamos também a desenvolver percursos de natureza para que as pessoas possam visitar a nossa paisagem fantástica do Alto Douro Vinhateiro e da Serra do Marão.

Como é que o município tem enfrentado a crise que o país ultrapassa?

Santa Marta sente muito a crise porque simultaneamente existe a crise nas Caves de Santa Marta, que está a passar por uma fase difícil. A crise é também uma oportunidade e nós encaramo-la como tal, por isso, estamos a investir na promoção do nosso vinho. Nós entendemos que no Douro os durienses têm que viver bem e felizes e estamos a trabalhar para valorizar a nossa uva, ou seja, o vinho tem que se valorizar na sua produção, quando os produtores ganharem relativamente bem, a crise supera-se. É esse o trabalho que temos feito, através da valorização dos nossos vinhos, nomeadamente na participação em concursos internacionais, de forma a que sejam reconhecidos e para que sejam uma mais-valia para os produtores e contribua para o seu enriquecimento.

Uma das suas apostas no futuro é essencialmente a produção do vinho?

Sim, eu penso que cada vez mais as autarquias são agentes económicos e temos que apostar na valorização do principal produto que, para nós, é o vinho. O vinho do Douro nunca esteve tão bem como agora, a distribuição da riqueza é que ainda não é transversal, ou seja, a produção ainda não recebe o devido valor pelo vinho e se todos nós conseguirmos que a produção receba o devido valor pela uva, o Douro supera a crise em que está a mergulhado.

Algum dos serviços prestados à população foi afetado devido à crise?

Não, nós temos uma grande missão no nosso mandato que é criar bem-estar e a felicidade dos penaguienses e nesse sentido temos dois objetivos. Um deles é cuidar da população, valorizando o nosso concelho de forma a criar riqueza. Estamos a investir na educação, na cultura e na ação social, estamos a criar medidas de proteção aos mais idosos, temos um programa de medicamentos solidários, programa “viver com conforto”, também direcionado para os idosos e recuperação da habitação degrada. Nós assumimos também o compromisso de erradicar as habitações degradadas durante o ano atual e vamos fazê-lo, ou seja, quem viver em Santa Marta tem que viver bem, em condições dignas e tem que ser feliz.

Luís Machado, presidente do município

Luís Machado, presidente do município

Quais os principais projetos que o concelho tem neste momento?

O nosso principal projeto é a educação, nós temos que ter a melhor escola do país. No início do próximo ano letivo abrirá uma nova escola e queremos que nesta escola as crianças sejam bem formadas, se sintam seguras, com os pais envolvidos na comunidade escolar e que quem receber educação em Santa Marta, se lembre do concelho. Se nós conseguirmos introduzir conhecimento nas nossas crianças, elas um dia voltam a Santa Marta e fazem deste o melhor concelho do Douro e um dos melhores do norte. Outro dos objetivos é promover a nossa cultura, para que quem nos conheça culturalmente, mais facilmente adquira os nossos produtos. Se conseguirmos divulgar a nossa cultura pelo país e pela europa, mais fácil é vender os nossos produtos locais, criando riqueza e consequentemente uma melhor vida aos penaguienses.

O número da população envelhecida é um problema para o concelho?

Á semelhança de todos os concelhos, é um problema transversal do país e em concelhos como o nosso é mais evidente. É uma oportunidade para nós aproveitar a sabedoria e experiências dos mais velhos, para nos ajudar a formar penaguienses com muito conhecimento, muita capacidade e competências, para que Santa Marta de Penaguião se afirme no país.

Quais as medidas do concelho para fixar a população jovem?

É sempre difícil porque as oportunidades são poucas. Nós temos um programa de bolsas aos alunos universitários, estamos muito atentos a todas as oportunidades de estágios e sempre que possível damos uma primeira experiência aos nossos universitários, contudo tem que ser o setor privado a dar estas oportunidades de trabalho e nós estamos disponíveis para ajudar no que for necessário. Precisamos de uma nova área, no setor das tecnologias ou da inovação, que se volte para Santa Marta, que tem uma grande centralidade, estando a dez minutos da ferrovia, a dez minutos do rio Douro e a dez minutos da A24, portanto estamos muito bem localizados. Queremos criar aqui uma incubadora de empresas e uma plataforma logística para os produtos locais, para que a inovação seja uma realidade no município, criando também com isso mais postos de trabalho.

Sendo presidente da Câmara Municipal, como é que lida com a oposição política?

Não tem havido qualquer tipo de problemas, colaboramos muito e durante este mandato penso que não tivemos nenhum voto contra, todos os projetos têm sido consensuais e a oposição tem concordado com a nossa gestão.

Neste momento, se pudesse governar o país o que mudaria?

O essencial era que todos percebessem que o mais importante de Portugal são os portugueses. Constituir uma política social que ajudasse os portugueses a viver com dignidade e a serem felizes e uma política económica muito rigorosa mas de investimento, pois sem investimento não há trabalho, sem trabalho não há emprego e sem emprego não há pessoas. Penso que era isto que deveria estar sempre presente para quem governasse este país, as pessoas são o mais importante e Portugal não é um país de litoral e interior, é um todo, e estando nós muito perto de Espanha, uma das prioridades económicas deveria ser o mercado ibérico, porque com este mercado o nosso país conseguiria sustentar-se economicamente e seria a grande oportunidade para todos.

Qual o balanço que faz de quase dois anos de mandato?

Em termos pessoais faço um balanço muito positivo, com muita satisfação pessoal, pois é uma honra e um gosto servir os penaguienses, uma função que me agrada muito, ajudar quem precisa de nós. Ao nível do trabalho e projetos, tivemos um ano muito bom, que foi o de 2014, em que estabilizamos a Câmara Municipal e tornamo-la cumpridora das suas obrigações e compromissos e agora é estimulante pelo facto de pudermos desenvolver os projetos em que acreditamos e que vão de encontro à nossa missão, que é criar bem-estar para os penaguienses e trabalhar para que eles sejam felizes e vivam bem.

Para terminar, qual a mensagem que deixa aos durienses?

Todos juntos trabalhamos para que viver no Douro seja motivo de felicidade e conseguirmos deixar uma região promissora para os nossos vindouros.

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