VIII Jornadas da Cidadania debatem interior em Moimenta

A autarquia de Moimenta da Beira organizou as oitavas Jornadas da Cidadania, uma iniciativa que durante os dois dias reuniu cerca de 200 participantes para debater o interior nas áreas da economia e território, apoio social e inclusão para a igualdade. No final desta edição o VivaDouro conversou com a vereadora Susana Lemos para fazer um balanço do evento.

Susana Lemos, José Eduardo Ferreira, Jorge Coelho

Terminadas que estão as oitavas Jornadas da Cidadania, qual o balanço geral que a autarquia faz desta organização?

As VIII Jornadas de Cidadania envolveram um grande número de participantes que puderam assistir a 3 painéis com especialistas nas áreas da economia, do desenvolvimento territorial, emprego, envelhecimento ativo, inclusão e igualdade social. São temáticas que espelham preocupações centrais do município e dos parceiros do nosso território, que estiveram envolvidos em toda a organização do evento. Cremos que as comunicações e os debates permitiram valorizar o papel das instituições e qualificar os seus dirigentes, técnicos e todos os participantes em geral, pelo que fazemos um balanço muito positivo.

Um dos temas em destaque foi a interioridade e a responsabilidade das autarquias do ponto de vista do emprego e do apoio social. Que ideias destaca deste debate?

Foi um debate profícuo, na medida em que se analisou a situação atual e se destacaram alguns problemas relacionados com a interioridade, mas também se apontaram soluções e propuseram ações concretas que possam contrariar as assimetrias existentes no território nacional.

A criação de emprego é uma responsabilidade das autarquias e constitui uma preocupação permanente do Município de Moimenta da Beira. Porém, essa responsabilidade não significa a criação direta de postos de trabalho, mas passa antes por proporcionar condições para que as diferentes organizações criem emprego.

No debate reforçou-se a necessidade de se definirem e aplicarem políticas públicas concretas para o interior, que promovam uma verdadeira descentralização, em prol do desenvolvimento e da coesão territorial. Destacou-se igualmente a necessidade de se adotarem medidas “radicais” para contrariar situações limite, quase de não retorno, e que prejudicam não apenas o interior, mas o país na sua totalidade, por não se valorizar e aproveitar o que as regiões do interior têm de melhor, e que é tanto, em tantos domínios.

Na intervenção de Jorge Coelho sobre a coesão territorial, o ex-ministro referiu alguns dados que espelham a desigualdade entre o litoral e o interior. O que falta fazer para criar oportunidades que ajudem a fixar e atrair os mais jovens? Qual o papel da autarquia nesse processo?

Em Moimenta da Beira entendemos bem o papel de cada um no processo de desenvolvimento, não permitindo a usurpação do espaço que cada parceiro deve ocupar, na respetiva esfera de ação.

Uma aposta ainda mais forte nos nossos melhores produtos é essencial para sustentar uma política de investimento, na qual o Município tem um papel cada vez mais preponderante, seja ao nível da definição estratégica, seja no acompanhamento dos diversos projetos em curso. As políticas públicas assumem um papel de facilitação e de equilíbrio entre os diversos interesses legítimos, indispensável à prossecução do interesse comum.

É essencial que sejam assumidas decisões de mais longo prazo, que ultrapassem os ciclos políticos, envolvendo recursos próprios, humanos e materiais, que pertencendo ao concelho e à região, têm sido sistematicamente deslocados para fora dos nossos territórios, tornando-nos, deste ponto de vista, uma região extrativa, com todas as nefastas consequências daí decorrentes.

Iniciativas como a organização destas jornadas são importantes para colocar estes temas ao debate público. Acredita que possam também ser o ponto de partida para a mudança que se pretende?

Qualquer mudança significativa só se verifica se as pessoas estiverem informadas e este evento tem também esse objetivo, de proporcionar aos participantes a oportunidade de ampliar conhecimentos, mas também a oportunidade de reflexão e de debate público acerca de preocupações reais, o que permite certamente capacitar para a ação. Estas iniciativas não levam à mudança por si só, mas constituem um forte contributo.

Mais uma vez, a edição deste ano contou com uma mostra das associações e coletividades do concelho. Considera uma aposta ganha?

As instituições do concelho foram sempre envolvidas, desde a primeira edição, na organização das Jornadas de Cidadania. Um dos propósitos é precisamente permitir debater problemáticas que apelam à participação ativa e ao envolvimento de todos. O Município valoriza muito a autonomia das instituições e promove permanentemente o trabalho em parceria, em prol da inclusão, da igualdade, da coesão e do desenvolvimento do território e do bem-estar das pessoas.

Este envolvimento é o que dá sentido à realização destas Jornadas e é muito valorizado pelas organizações, que mostram sempre muito interesse e toda a disponibilidade para participarem ativamente. Apresentam uma brilhante Mostra de Serviços e Produtos que enriquece grandemente o evento e que reflete bem a qualidade do trabalho que todos desenvolvem, todos os dias, junto dos seus públicos.

Para concluir, a próxima edição já está a ser planeada?

Sim. Cada edição começa a ser planeada imediatamente a seguir à realização da anterior e envolve sempre a participação dos parceiros sociais em articulação com as diferentes instituições do concelho.

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