Azeite terá campanha de excelente qualidade

Em Murça, na Cooperativa do Azeite local, a expectativa é de uma safra de excelente qualidade apesar de em menor quantidade, comparativamente com o ano 2020, a garantia é dada por Francisco Vilela, Presidente da organização.

A completar 65 anos de existência a Cooperativa do Azeite de Murça tem somado centenas de prémios quer a nível nacional, quer a nível internacional, espelhando assim a qualidade do azeite produzido naquele concelho transmontano.

Este ano a expectativa é de uma ligeira quebra nas quantidades, quando comparadas com o ano transato, contudo, garante José Vilela, a qualidade está, uma vez mais, assegurada.

“A perspetiva é que a produção diminua ligeiramente comparativamente com o ano passado, isto partindo do pressuposto que há um ano de safra e um de contra-safra, que é este em que nos encontramos.

Há muito olivais que foram limpos, o que também justifica uma quebra na produção mas temos olivais novos que estão com uma boa colheita.

Em termos de qualidade estamos à espera de um ano de grande qualidade, as chuvas dos últimos dias foram muito importantes e foi um ano de poucos problemas com pragas e doenças”.

Para o responsável pelo cooperativa, um dos problemas do setor é a falta de atenção, ou importância, que a sociedade em geral dá a este produto, não só para um aumento do consumo, pelos benefícios que esta gordura tem, mas para que os consumidores saibam distinguir entre o bom e o mau azeite.

“Defendo que deveria mesmo existir um programa de promoção de consumo de azeite nas escolas. É uma gordura monosaturada, que já está muito testada quanto aos seus benefícios para a saúde e na prevenção de diversas doenças.

Esta educação também é importante para que as pessoas saibam o que estão a consumir.  O termo azeite é muito lato, há azeites que têm apenas 1% de sumo de fruta juntamente com óleos e azeite refinado, que não são benéficos para a saúde.

Os azeites 100% naturais são os azeites virgem e virgem extra, obtidos apenas do sumo do fruto que é a azeitona. É como fazer um sumo de laranja, só aquele que é obtido espremendo a laranja é que podemos dizer que é sumo natural.

Setor aposta nos subprodutos

A aposta nos subprodutos que podem ser obtidos através da produção de azeite foi “forçada”, em especial devido a alterações quanto ao destino a dar aos excedentes da produção.

De acordo com Francisco Vilela, esta é uma forma de minimizar os custos da laboração, podendo mesmo fazer crescer o rendimento, fator que poderá resultar num incremento ao valor pago aos produtores, condição essencial, no seu entendimento, para segurar os atuais agricultores, conseguindo ainda atrair mais gente para o setor.

A aposta nos subprodutos corresponde à necessidade de valorização do produto que temos, e como resposta aos desafios de sustentabilidade lançados pela União Europeia.

No nosso caso usamos uma parte da matéria que produzimos para fonte de energia. Os caroços de azeitona, já prensados e partidos, são depois reutilizados em sistemas de aquecimento.

Esta aposta ajuda-nos também a balancear as contas que há três anos sofreram um revés com uma alteração que nos veio trazer mais despesa, que é a finalidade que damos ao bagaço de azeitona. Este subproduto antes era-nos comprado para diversas utilizações, neste momento isso já não acontece e temos o custo de o eliminar, foi assim que surgiu a aposta num produto para o aquecimento, que fica mais barato ao cliente comparando com outras soluções.

Se as cooperativas e os lagares continuarem a explorar os olivicultores, por mais que a gente queira, as pessoas vão acabar por abandonar a produção.

O custo do olival aqui, comparativamente com as produções intensivas do sul do país, é completamente díspar. Se lá produzir um litro de azeite custa 2 ou 3 euros, aqui custa 6 ou 7, é uma diferença muito grande.

Isto acontece porque temos uma produção que não é intensiva mas também pelas características dos nossos terrenos que torna o trabalho mais custoso e mais difícil de mecanizar.

A nossa solução passa por valorizar da melhor maneira possível o nosso produto para pagarmos cada vez melhor aos nossos sócios, e o mais rápido possível.

Azeite de Murça soma prémios

Ao longo dos anos o azeite Porca de Murça tem conseguido diversos prémios, nacionais e internacionais.

Já este mês, o Concurso Internacional Olivinus 2021, na Argentina, que integra o ranking Mundial dos melhores Azeites Virgem Extra do Mundo premiou com medalhas de “Grande Prestígio Oro”, “Prestígio Oro” e “Oro” todos os lotes de Azeite que a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça submeteu a concurso: o Lote de Azeite DOP-Trás-os-Montes, os monovarietais de Cobrançosa, Cordovil e Verdeal e a Edição Comemorativa dos 65 anos da Cooperativa.

Para Francisco Vilela, um dos fatores de sucesso é que o azeite da cooperativa é feito “unicamente com azeitonas de olivais que ficam dentro do território do concelho.

É uma forma que temos de garantir características distintas ao nosso produto, dadas pelo microclima que temos aqui nesta zona e que resulta da confluência de três zonas distintas, a terra quente, a terra fria e a terra de montanha. Se eu arrancar as oliveiras daqui de murça e as replantar num outro local, tenho a certeza que o produto final também será diferente”.

Autarquia reconhece valor do azeite

Mário Artur Lopes, autarca de Murça, sublinha a importância do olival no seu concelho, não só em termos económicos, mas também sociais e de promoção do território.

“A produção olivícola, juntamente com a vínica, são muito importantes para o nosso concelho onde a agricultura tem um papel fundamental na economia local.

No caso da azeitona, que nos dá o famoso azeite Porca de Murça, é extremamente importante porque, apara além de ser conhecido por todo o país e internacionalmente, tem conseguido alcançar inúmeros prémios.

É necessariamente um setor ao qual o município tem estado atento e apoia sempre que se justifica. É determinante para a nossa economia bem como para o tecido social do nosso concelho”.

Para o autarca, os prémios conseguidos pelos azeites do concelho são importantes não só por atestarem a sua qualidade mas também pela alavanca que podem ser para outros produtos e negócios do concelho.

”Para além de valorizar e certificar a qualidade do azeite de Murça, também têm um efeito de alavanca para o resto do território, seja em relação à vinha ou a outros produtos que aqui temos. Atrai visitantes ao concelho permitindo que haja uma dinâmica global em termos de negócio.

Quer na restauração, quer nos próprios alojamentos, o azeite representa aqui um papel muito importante. Não há dúvidas que os prémios são um elemento de certificação da alta qualidade do azeite de Murça”.

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