Alunos da Régua sem intérprete de Língua Gestual

São três os alunos da Escola Secundária Dr. João da Araújo Correia (ESJAC) que estão sem intérprete de Língua Gestual há cerca de três meses, uma situação que consideram injusta face a outros casos já ocorridos no país. O Viva Douro foi ao encontro de dois destes alunos para perceber melhor a situação que vivem.

A intérprete colocada para acompanhar os alunos esteve presente dois dias, ausentando-se depois por estar grávida e a escola ser distante da sua residência. Tendo em conta a situação foi aberto um concurso para uma nova intérprete que foi colocada, no entanto a mesma também está impedida de exercer as suas funções por se encontrar de licença de maternidade, situação que os alunos estranhando levando-os a investigar casos semelhantes ocorridos no país, deparando-se com uma situação semelhante na escola de Ílhavo, no entanto esta teve uma resolução quase imediata, contrariamente ao que se sucede neste caso.

Maria Oliveira, aluna do 12º ano do curso profissional de multimédia sente-se revoltada e injustiçada com esta situação. “Após uma semana sem a intérprete começamos a questionar porque não nos era atribuída uma, verificamos que em Ílhavo aconteceu o mesmo mas em dois dias foi atribuída uma nova intérprete, para nós esta é uma situação injusta”, afirma.

Também no 12º anda Diogo Fonseca, ambos consideram este um ano crucial para as suas ambições académicas futuras, aumentando o sentimento de frustração por se verem obrigados acompanhar as aulas lendo os lábios dos professores, situação que para Diogo “é muito cansativa e limitativa. Temos que fazer um esforço muito grande e sentimos que não conseguimos acompanhar as matérias em condições, em especial em disciplinas como português, história, filosofia e inglês, é muito complicado”.

Da parte dos professores a situação tem sido gerida de forma preocupada, Maria conta que “entendem a situação e tentam usar muitos elementos visuais para facilitar o acompanhamento das matérias que vão sendo dadas, no entanto há conceitos que falham e que fazem falta para um melhor entendimento”.

Na tentativa de verem esta situação resolvida, os alunos enviaram já diversos emails para a direção da escola, para a Associação de Pais, para a Direção Geral de Educação e para o próprio Ministério da Educação, no entanto as respostas obtidas são inconclusivas, referindo apenas que têm conhecimento da situação e que a mesma estará a ser devidamente tratada.

“Já enviamos email para diversas instituições, no entanto até agora ainda nenhuma nos arranjou uma solução para o nosso problema, recebemos muitas respostas vagas”, afirma Maria.

Para estes alunos, esta situação é, acima de tudo injusta e sentem alguma discriminação por estarem fora dos grandes centros, perdendo assim força na luta que têm vindo a travar na resolução deste caso.

Contactada a direção da escola a mesma não quis prestar declarações ao Viva Douro, afirmando apensa que está preocupada com a situação e informando que tem feito diversos contactos para a sua resolução, não tendo até ao momento conseguido atribuir uma intérprete a estes alunos.

Revoltados com a situação vivida pelos seus filhos estão também os pais dos alunos. Carlos Oliveira, pai de Maria é um dos que se mostra mais revoltado, apresentando a situação nas redes sociais, meio pelo qual espera conseguir fazer passar a sua mensagem.

Para este pai, a situação já ultrapassou os limites do razoável e vê a sua filha frustrada e desanimada com tudo o que tem estado a viver.

“A Maria anda nervosa, já a encontramos diversas vezes a chorar de frustração, por ela, pelos colegas e mesmo pelos professores porque sente que todos têm que trabalhar muito mais não conseguindo atingir os resultados esperados”, afirma Carlos Oliveira dizendo ainda que “não estão a pedir nada a que não tenham direito, está na Constituição”.

Para este pai, o sentimento de revolta é o que mais se sente, “andamos nisto há demasiado tempo, fazemos contactos todos os dias e não vemos a situação resolvida, para nós, pais e alunos, é revoltante, sentimos que as entidades competentes não nos dão a atenção que estariam obrigadas a dar”.

Da parte da DGEST a informação é que esta situação está a ser acompanhada, no entanto não existe qualquer previsão para a resolução da mesma.

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