David Mendes: O sucesso medido em prémios

Natural de Peso da Régua, David Mendes desde cedo tinha o seu objetivo profissional bem definido, trabalhar em novas tecnologias.

No ano 2000, com apenas 17 anos, David dá o primeiro passo rumo ao futuro criando a sua primeira empresa, em conjunto com o irmão (o ilusionista Mário Daniel), a Mário Daniel Produções (MDP) que rapidamente se torna numa das maiores empresas nacionais ao nível da produção de espetáculos de ilusionismo.

Ainda no mesmo ano, a entrada na universidade coloca-o num dilema, que curso escolher? À época ainda eram poucos os cursos ligados às novas tecnologias e o curso de Engenharia Eletrotécnica pareceu a escolha mais indicada.

“Saí da Régua no ano 2000 para estudar Engenharia Eletroténica no Porto onde estive durante 4 anos enganado, é a realidade. Mas é claro que, quando se começa a pensar em coisas tecnológicas no ano 2000 era pouca a informação que existia, hoje as universidades e cursos têm websites e outras formas de comunicar, é mais fácil escolher o caminho de forma mais acertada.”

No entanto a licenciatura não ficou terminada, o trabalho com o irmão permitiu-lhe experimentar o lado da produção e frequentar alguns programas televisivos que lhe pareciam indicar que era aquele o caminho que realmente queria seguir.

“Faltavam literalmente meia dúzia de cadeiras para terminar a licenciatura quando tive mesmo a certeza que não era aquilo que queria. Já frequentava ambientes de teatros, espetáculos empresariais e televisão a trabalhar com o meu irmão e aquele mundo fascinava-me. Quando fui ao Herman Sic, nos estúdios da Valentim de Carvalho dei por mim a pensar: ‘mas há cursos disto?’ Na altura estava desiludido com o que estava a fazer, estava a tirar aquela licenciatura por tirar. Estava a estudar para o último exame do ano quando se deu o verdadeiro click e decidi mudar de rumo e decidi tirar o curso de Tecnologias de Comunicação Audiovisual no Instituto Politécnico do Porto (IPP).”

A partir deste momento David sentiu que estava agora no caminho certo mas o passado não podia ficar esquecido e a sua ligação com o irmão não podia ser quebrada, havia muitos projetos em mente que queriam levar por diante

“Desde a entrada no curso que sabia que queria fazer mais alguma coisa com o meu irmão, até porque continuava a trabalhar com ele. A meio do curso, durante umas férias de verão decidimos que era hora de arrancar e gravamos o episódio piloto do que viria a ser o programa Minutos Mágicos. Filmamos e editamos todo o programa mas ainda demoramos quase um ano até o apresentar às televisões.”

Apesar deste trabalho, o programa ainda demorou até chegar ao grande público, foi um processo longo com alguns avanços e muitos recuos mas a certeza do que queria fazer não lhe permitiu baixar os braços.

“A RTP, assim que viu o programa quis adquiri-lo mas, a falta de dinheiro, acabou por atrasar o avanço do processo. Era necessário arranjar um patrocinador, fomos à luta e conseguimos um acordo com a Coca-Cola que iria suportar os custos do programa. Reunimos então as três partes (RTP, Coca-Cola e a MDP) no entanto o negócio acabou por não avançar quando a direção comercial do canal televisivo o inviabilizou ao pedir um valor superior àquele que havia sido falado anteriormente.”

O falhanço desta negociação foi uma desilusão mas David acreditava que o programa tinha potencial e não desistiu. Dois anos mais tarde o programa acabaria por ser adquirido pela SIC e o sucesso do formato acabou por confirmar as crenças do produtor.

“Depois de dois anos a acreditar que o negócio ia avançar acabamos por desistir. Ainda não tínhamos ido a nenhum outro canal por respeito mas era hora de procurar outra solução. Fomos à SIC e em menos de 24 horas estavam a pedir as minutas do contrato para poderem exibir o programa.”

O nascimento da Ideias com Pernas

Em paralelo com o reboliço destas negociações, David terminou a sua licenciatura e foi desenvolvendo alguns trabalhos como freelancer na área audiovisual. Os contactos feitos até então, a licenciatura e a vontade de fazer algo diferente da oferta que existia no mercado levaram-no a criar uma nova empresa, a Ideias com Pernas.

“A Ideias com Pernas nasceu quase de uma maneira natural. Eu e o Pedro (que entretanto acabou por sair), éramos amigos da faculdade e já aí tínhamos a ideia de criar uma empresa no fim do curso. Durante um ano fomos fazendo alguns trabalhos como freelancers até que surgiu a oportunidade de criar a produtora com ajuda do IEFP através de um programa de apoio à criação de empresas.

Tudo isto ainda demorou algum tempo, cerca de um ano, tempo esse que usamos para desenvolver mais alguns trabalhos, criar toda a imagem e comunicação da nova empresa, etc. Quando estamos prontos para arrancar surgiu então o negócio da SIC com o Minutos Mágicos o que nos permitiu arrancar logo com um grande projeto que se estendeu por 5 anos.”

Dos Minutos Mágicos aos novos desafios

Depois da entrada no mercado pela porta grande, foram sendo colocados novos desafios à Ideias com Pernas. A produtora granjeava sucesso e com ele novos contactos que foram permitindo levar a produção audiovisual para outros segmentos, como são exemplo a produção de vídeos institucionais e promocionais.

“Com o Minutos Mágicos ganhamos muita visibilidade, era um programa visto por milhões de pessoas e a partir daí começamos a fazer alguns filmes empresariais. Depois também começou a surgir um novo mercado, os vídeos promocionais de cariz mais turístico, também impulsionado pelas redes sócias e pela forma como agora conseguimos visualizar um vídeo em qualquer dispositivo.

Assim como há dez anos as empresas se sentiam obrigadas a ter um site, hoje em dia é praticamente obrigatório ter um vídeo da marca/empresa.  É uma forma de contar em 1 ou 2 minutos uma história que de outra forma seria demasiado pesada.

Mesmo as autarquias acabam por ver nesta forma de comunicação um enorme potencial com os vídeos a serem usados em diversas plataformas e não apenas em feiras e eventos pontuais como acontecia antes. Isto também permite que o investimento feito tenha um maior retorno e isso é uma mais-valia.”

O sucesso medido em prémios

Ao longo dos últimos anos a Ideias com Pernas tem vindo a somar diversos prémios, quer a nível nacional quer a nível internacional. Contudo, a primeira distinção veio de surpresa quando um cliente enviou o vídeo que tinham produzido a um concurso.

“Os prémios começaram em 2014 através do nosso cliente “moscatel de Setúbal” que enviou o vídeo para um concurso de filmes de turismo, o Finisterra em Sesimbra.

Tínhamos já alguns trabalhos e muitos projetos mas nunca tínhamos pensado nos prémios, não era esse o nosso objetivo principal, não faziam parte da nossa estratégia. Daí em diante acabamos por ter conhecimento de mais concursos e começamos a enviar os nossos trabalhos e os prémios foram surgindo cada vez em maior número.”

David reconhece a importância dos prémios contudo assume que não trabalha a pensar neles, apesar de muitas vezes os clientes, logo nas primeiras conversa perguntarem se aquele vídeo será premiado.

Brasil, Turquia, Azerbaijão, Croácia, Roménia são alguns dos países onde os vídeos produzidos por David e a sua equipa já receberam prémios, no entanto os mais importantes da lista são um urso conquistado no Festival de Berlim e mais recentemente um golfinho de prata conquistado no famoso festival Cannes Corporate Media & TV Awards, com o filme “Live a Day in Alcácer”, sobre Alcácer do Sal.

Um desejo por cumprir

Apesar dos vários anos que já leva a produzir vídeos, David tem um desejo que ainda não foi possível concretizar, realizar um vídeo na sua região, o Douro, e mais concretamente na sua cidade, Peso da Régua.

 “Apesar de ser do Douro e adorar a minha região, a verdade é que até hoje ainda não tivemos nenhuma oportunidade de fazer algum trabalho naquele cenário maravilhoso. Não só as autarquias mas também as empresas de turismo e vinhos fazem este tipo de trabalhos mas parece que os ‘santos da casa’ não fazem milagres e vão preferindo contratar outras empresas sem ligação à região.

Espero que esse convite ainda surja mas, se não surgir, tenho também alguns projetos pessoais que quero desenvolver por isso mais cedo ou mais tarde vou conseguir fazer algo no Douro.”