José Manuel Gonçalves: “Vamos dar continuidade à aposta na educação”

Vice-presidente durante 12 anos, José Manuel Gonçalves avança para a presidência do município com a motivação do trabalho que tem sido desenvolvido e ao qual pretende dar continuidade.

Esteve 12 anos no executivo de Nuno Gonçalves, o que o leva agora a candidatar-se à Câmara Municipal da Régua?

Essa é logo a primeira motivação: os doze anos que estive aqui a trabalhar integrado na equipa do Nuno Gonçalves. Foi um trabalho apaixonante, que trouxe desenvolvimento ao nosso concelho. Infelizmente, este ciclo termina com a impossibilidade do Nuno Gonçalves voltar a ser candidato, o que levou o partido [PSD] a pensar numa solução. Por unanimidade, em todos os órgãos partidários, fui considerado o sucessor para dar continuidade a este trabalho.

Tenho orgulho no trabalho que realizamos ao longo destes 12 anos e apresento-me com confiança para dar continuidade ao que fizemos nos próximos quatro anos.

No que diz respeito ao programa eleitoral, vão manter o que tem sido feito ao longo destes 12 anos ou vão focar-se noutras medidas?

Este é claramente um trabalho de continuidade. Durante este período procuramos criar infraestruturas e atratividade no concelho. É evidente que este caminho vai continuar, mas não vamos fazer o que foi feito no passado.

Vamos focar-nos na criação de qualidade de vida para quem reside neste concelho. Queremos apostar na dinâmica económica. Peso da Régua tem um papel importantíssimo e central no Douro, por isso queremos continuar a potencializar o crescimento económico no nosso concelho.

Quais serão as suas principais preocupações, caso vença as eleições?

Acima do turismo está o vinho e a vinha. Só existe turismo porque há gente que trabalha de sol a sol nestes jardins que aqui estão. Só assim podemos continuar a ser considerados Património da Humanidade e, infelizmente, vejo muita gente a esquecer-se disso.

Se criarmos condições para que aqueles que cuidam do vinho e da vinha tenham uma sustentabilidade do negócio, a partir daí podemos falar de turismo.

Somos a porta de entrada do Douro, estamos bem servidos de acessos, temos a via ferroviária que está a ser lançada, mas não queremos que esta via fique por Peso da Régua. Era fundamental que a via ferroviária fosse até Espanha, que pudesse servir para transporte de mercadorias e de passageiros. Já defendemos essa linha em 2007, no plano estratégico do Eixo Atlântico, que é uma associação composta por municípios portugueses e espanhóis.

Além disso, vamos continuar a insistir num projeto da APDL para o rio. Era um projeto ambicioso, que englobava mais de 75 milhões. A terceira fase não foi aprovada, mas vamos continuar a insistir na melhoria de condições dessa via para que possa ser navegável por mais gente. Temos aqui uma oportunidade de capacitar cada vez mais a nossa gente e o nosso comércio para esses novos mercados.

Para a Câmara da Régua, a Casa do Douro é uma guerra perdida ou pode resolver muitos problemas dos viticultores?

A Câmara da Régua esteve desde a primeira hora empenhadíssima no projeto da Casa do Douro e na devolução do estatuto público da Casa do Douro. Lideramos o movimento da CIM Douro nesse sentido, que conseguiu um documento inédito e agregador dos autarcas, que infelizmente não foi tido em conta pelo anterior Governo. Em campanha eleitoral, este Governo disse que iria ter em conta esse documento e era nossa expectativa que esse processo fosse resolvido. Contudo, saímos defraudados deste processo, porque houve uma continuidade do anterior Governo, como tem acontecido ao longo dos anos.

Lamento que este Governo tenha falhado uma promessa que fez à região, que foi esse processo. Era fundamental existir uma voz única que representasse toda a lavoura. Temos sentido um ataque claro à Casa do Douro, por parte de vários governos, para que os produtores não tivessem uma organização única que os pudesse defender. Aconteceu no passado e mantém-se. No entanto, prometo que continuaremos a lutar para inverter esse processo. Não consideramos uma guerra perdida.

Queremos uma Casa do Douro que seja de direito público, mas com inscrição obrigatória. Esta região tem que assumir esta luta. É fundamental criar equilíbrio entre quem produz e quem comercializa.

O hospital também tem sido uma das maiores preocupações para esta zona. Que linha pretende seguir (melhorar)?

Vamos manter a nossa linha de ação. O hospital já passou por muitas fases. No anterior Governo existia uma intenção clara de entregar o equipamento à Santa Casa da Misericórdia. A Câmara Municipal fez parte dessas negociações, mas a entrega pressupunha um envelope financeiro para a sua reabilitação. O que aconteceu foi que o novo Governo teve novas orientações. Tentou persuadir a Santa Casa a ficar com o hospital, mas nunca conseguiu garantir a sua reabilitação, logo a Santa Casa recusou.

A Câmara Municipal percebeu que existia uma porta para que o hospital ficasse inserido no SNS e não deixamos que essa porta se fechasse. Disseram-nos que existiam dificuldades em garantir apoio financeiro para reabilitar o hospital, chegaram a pedir-nos comparticipação e dissemos que estávamos disponíveis. Tínhamos um pacote orçamental para reabilitação urbana e conseguimos enquadrar o hospital nessa reabilitação.

O hospital tem um financiamento na ordem de um milhão e 700 mil euros no FEDER, o que significa que diretamente, com comparticipação nacional, estamos a falar numa obra que custará dois milhões de euros.

Estamos à espera que o Centro Hospitalar de Vila Real e a ARS concluam o projeto. Assim que nos deem resposta a uma minuta de parceria, a intenção inicial é que o Município assuma a candidatura de comparticipação nacional. Queremos reabilitar o hospital para que depois possa ser integrado no SNS.

Em caso de vitória, o que podem esperar os reguenses nos próximos quatro anos?

Podem contar com o que tiveram nos últimos 12 anos: uma equipa dinâmica, motivada e empenhada em trabalhar em prol da melhoria da qualidade de vida. A parte económica será uma das pedras basilares da nossa estratégia, mas também vamos dar continuidade à aposta que fizemos na Educação.

Qualquer concelho só tem futuro se apostar na Educação. Todos os alunos do nosso concelho, independentemente da sua zona geográfica, têm as mesmas oportunidades.

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