“A minha vocação é tentar tentar ajudar as pessoas”

José Fontão Tulha, Presidente da Câmara de São João da Pesqueira

José Fontão Tulha, Presidente da Câmara de São João da Pesqueira

No ano de 2009, José Fontão Tulha deixou a sua carreira como bancário e iniciou funções como Presidente da Câmara de São João da Pesqueira. Cinco anos e meio depois de se encontrar à frente da autarquia, confessou, em conversa com o Viva Douro, que um dos seus maiores sonhos como autarca “era perceber que esta região passava a ter melhores acessos”.

 O que o fez abandonar a profissão de bancário e candidatar-se a presidente da câmara?

A experiência que eu trouxe da vertente bancária realmente tem-me ajudado muito para me

adaptar. Penso que nestes anos conseguimos fazer algumas inovações, algumas alterações, deixar de certa forma um cunho nosso neste espaço. Respondendo diretamente o que é que me levou, levou-me ao descoberto de uma coisa que eu não conhecia e de que estou a gostar, a minha vocação é tentar ajudar as pessoas.

Não fez aquele percurso habitual que os políticos normalmente fazem até se candidatarem a um concelho?

Absolutamente nada. Nasci aqui, infelizmente tive de sair porque na altura não havia escolas em São João da Pesqueira. Tirando esse lapso do tempo estive sempre aqui.Penso que as pessoas confiaram e pensaram que eu seria a pessoa indicada para dar continuidade ao que estava aqui implementado no concelho. Não quero dizer que fui um seguidor convicto de todas as ideias mas dentro do seguimento da boa politica que se tinha em São João da Pesqueira, penso que tenho conseguido manter. Pelo menos estou convicto que a confiança que depositaram em mim se mantém.

Pretende recandidatar-se ao cargo nas próximas eleições autárquicas em 2017?

Essa é uma resposta que se eu fosse o bicho politico que as pessoas estão habituadas a ver, dizia-lhe já que sim, como é óbvio. Mas como eu nunca tive esse bichinho interno da política e ainda estamos a dois anos e meio das próximas eleições ainda nada está definido. Neste momento não é isso que me preocupa, o que me preocupa é conseguir resolver não digo todos, mas principalmente os problemas que vão aparecendo no dia-a-dia.

Mas aquilo a que se propôs ao eleitorado necessita de mais um mandato para cumprir ou as suas propostas são realizáveis daqui a dois anos?

Eu penso que nós temos que definir orientações mas nunca nos devemos preocupar se são daqui a um ou dois anos. Ao lançarmos projetos nunca nos devemos inquietar se esse objetivo vai ser realizado por nós. Na minha opinião o que interessa é melhorar a forma de viver aqui no concelho.

Quais são os principais problemas que São João da Pesqueira vive neste momento?

Neste momento temos vários problemas, mas com certeza que nesta viagem que fizeram até aqui aperceberam-se de como são as acessibilidades. A Pesqueira padece desse problema. Infelizmente o novo quadro comunitário em termos de acessibilidades não contempla quase nenhuma verba. Não queremos aqui autoestradas, queremos realmente alguma estrada digna desse nome, que poderia de certa forma desenvolver o território quer economicamente quer através do Turismo. Depois temos outro dos problemas a que a autarquia está muito atenta que é o problema da idade das pessoas. Há poucos investimentos para além da agricultura, somos uma região agrícola e esta atividade abrange praticamente o território todo. Mais uma vez, as acessibilidades dificultam o investimento da parte das empresas. Tudo isto faz com que a empregabilidade diminua, os jovens tentam sair e continuamos a ter aqui os mas idosos.

Já procederam a alguma medida para fixar a população jovem no município?

Nós temos um gabinete de empreendedorismo que está com bastante atividade, conseguimos arranjar forma de, através de outras instituições incentivar as pessoas a construir outras alternativas de emprego opcionais à própria vinha, como queijarias e outros produtos da região. A Câmara dá incentivos, alguns a fundo perdido, para que as pessoas possam e queiram dinamizar o seu próprio emprego e a sua própria empresa. Temos já bastantes investimentos que foram feitos e outros que estão em estudo. Neste momento penso que estão efetivados cerca de dez e em estudo, penso que são quinze, portanto podemos falar de um investimento de mais de meio milhão de euros.

Em termos de saúde a população está bem servida em S. João da Pesqueira?

Aqui no interior, penso que não é só em São João da Pesqueira, tudo está mal em termos de saúde. Neste momento mais do que falta de uma unidade de saúde, o que mais me preocupa é a idade que os médicos que estão na Pesqueira têm. Provavelmente se forem para a reforma, não teremos ninguém para os substituir. Outra situação que lamentamos é que às vezes andamos com os doentes às voltas, uns vão para Moimenta da Beira, outros para Lamego ou Vila Real, é impensável. Por vezes não faz sentido andar para trás e para a frente com um doente que está mais perto de um determinado hospital.

Preocupa-o a saúde na Pesqueira? 

Se me perguntasse se queria melhor eu queria, como é óbvio, mas não é a preocupação emergente. Neste momento posso dizer que mesmo não perdendo completamente o tribunal, que como disse é uma secção de proximidade, penso que o tribunal faz mais falta. Isto preocupa-me não porque a saúde não é prioritária, mas porque em termos de acesso a algo está mais deficitário o acesso à justiça do que o acesso à saúde.

Como é que a autarquia tem enfrentado a crise económica que o país atravessa? Que reajustamentos foram realizados?

A nossa preocupação é fazermos trabalhos onde possamos ser enquadrados nos programas operacionais que têm aparecido com as ajudas europeias. Existem algumas obras que tivemos de perceber se são ou não prioritárias e a partir daí tentar reajustar. Uma das apostas que temos de fazer é na agricultura, os nossos agricultores precisam de bons acessos às propriedades.

De que forma é que o município promove o turismo? O que pode São João da Pesqueira oferecer aos seus visitantes?

Temos as paisagens do Douro, com as Amendoeiras em flor desde a primavera até ao início do outono, depois, as vinhas começam a ter aqueles coloridos extraordinários. Acabámos também de inaugurar a 14 de dezembro dois espaços que achamos que vêm promover o turismo na Pesqueira, um que é o Museu do Vinho, um investimento que foi até este momento talvez o grande investimento que a Câmara Municipal fez. E em conjunto com o Turismo Porto e Norte temos a loja interativa de Turismo, estamos numa rede de lojas que vem neste momento desde Santiago de Compostela e abrange quase a região do norte toda. De qualquer lado os turistas conseguem perceber que a Pesqueira também existe num território que para mim é um território espetacular.

O turismo não é, no entanto, um dos principais motores económicos do concelho?

Temos algumas unidades de turismo que não digo que estão florescentes mas têm uma certa dinâmica e estão-se a adaptar à realidade que nós temos. A partir de fevereiro há muitos turistas que passam por aqui e com estes novos equipamentos que inaugurámos percebemos que vai aumentar mais a procura de território. Se me disser que é a principal forma de riqueza não é, mas já está a dar grandes passos para que haja investimento em torno do Turismo. O principal motor económico é a agricultura, os vinhos, o chamado vinho do Porto, depois os vinhos DOC, de mesa, que cada vez mais se estão a implementar no mercado quer nacional quer internacional. A amendoeira sendo um produto endógeno em relação ao fruto, também é uma mais-valia na altura da floração. Temos também o azeite, que estamos a tentar que seja um produto DOP, é um azeite de excecional qualidade, produzido ainda de forma quase artesanal, já com empresas que se dedicam a engarrafar e a exportar azeite. São João da Pesqueira tem o Douro mas também tem a parte mais serrana em que predomina a cultura da maça. Há bastantes agricultores que têm uma média grande de tonelagem deste produto para venda. Temos bastantes produtos na agricultora mas o vinho é a cereja no topo do bolo.

Em termos de oposição, é uma força que ajuda ou bloqueia em termos de realização de tarefas? Como funciona esta correlação de poderes?

É uma resposta complicada porque eu podia-lhe dizer que sim ou que não, mas eu acho que essa resposta devia ser dada pela própria população, porque eles é que têm que perceber. Eu penso que cada um faz o seu trabalho e as pessoas é que vão perceber se o nosso trabalho ou o trabalho deles está a ser bem feito.

Consegue fazer um balanço do seu mandato até agora?

Fiz muito pouco porque gostava de fazer muito mais. O meu sonho como autarca era perceber que esta região passava a ter melhores acessos, conseguir que essa ligação fosse uma realidade. Se eu saísse daqui pelo menos com o projeto lançado para mim já era uma vitória, seria bem empregue a vontade que eu tenho que isso acontecesse.

Prioridades a curto prazo?

Neste momento temos alguns projetos que só vamos poder concretizar através das ajudas externas que possamos arranjar. Estar a criar expectativas e depois não se conseguir, lá está eu não consigo vender só para vender a imagem, nós queremos devagar, tentar chegar aos objetivos. A informação que temos é que tudo o que está no Norte 20-20 é para empresas, para a internacionalização das próprias empresas, portanto neste momento ainda não temos luz ao fundo do túnel para perceber onde vamos avançar no imediato. Podemos levantar um pouco o lençol, uma das coisas é que uma grande parte das verbas que vêm para o Norte é para o Douro e nós temos uma área bastante grande de margem do Douro e queremos aproveitar alguns destes espaços para lazer.

Neste momento está de consciência tranquila em relação aquilo que prometeu às pessoas e que cumpriu até hoje?

Sim, porque como disse eu nunca fui pessoa de prometer e as pessoas sabem que se eu disser que faço é para fazer, eu não prometo. A minha forma de estar é essa. Nunca prometer sem ter a certeza de que o vou conseguir.

Para finalizar, uma mensagem à população.

A mensagem para a população é que façam uma análise crítica e correta de tudo o que se tem feito e que percebam que pelo menos da nossa parte tudo se tem feito para que o concelho se desenvolva em todas as áreas. Não me peçam que eu seja perfeito porque isso ninguém consegue.