I Concurso de Azeites de Trás-os-Montes e Alto Douro

Em São João da Pesqueira o 1º concurso de azeites de Trás-os-Montes e Alto Douro levou à prova este produto tão característico do nosso país, premiando os melhores produtores das duas regiões.

No total estiveram reunidos no coração do Douro 52 produtores, de 22 concelhos, com um total de 75 marcas, sinal da crescente importância deste setor como afirmou à nossa reportagem o autarca pesqueirense, Manuel Cordeiro.

“O Douro é mais do que o vinho, é a amêndoa, a maçã, e o azeite é também um produto importante para a região. Vemos que outras regiões têm apostado neste produto com designações IGP e DOP, algo que o Douro tardou em fazer mas agora estamos a apostar novamente neste produto e em força o que é uma excelente notícia para a região”.

A mesma ideia foi defendida por Carla Alves, Diretora Regional de Agricultura, também presente no evento.

“O Douro é muito mais que as vinhas e o vinho, da própria paisagem fazem parte as oliveiras, seja nos olivais tradicionais seja nas bordaduras das vinhas da região. Não podemos estar só obcecados com o vinho e sinal disso é que muitos destes produtores que aqui estão e que foram premiados, são também grandes produtores de vinho, ou seja, gente que está a expandir o seu negócio para oura área”.

Ao VivaDouro a responsável pela agricultura da região congratulou-se ainda pelo crescimento deste setor, não só na quantidade de azeite produzido mas também pela qualidade e pelo desenvolvimento tecnológico.

“Tem sido notória uma grande renovação neste setor, tanto ao nível de novas plantações como à evolução tecnológica dos olivais. Também registamos um crescimento do número de lagares o que demonstra bem que este é um setor em clara expansão.

Há cerca de 37 mil produtores de azeite espalhados pelo país, muitos deles não são ainda comercializados mas penso que é esse o caminho a seguir.

Outro fator muito interessante que notamos é que a investigação cientifica tem andado de mãos com este setor, resultando daí um maior conhecimento que nos permitirá desenvolver uma nova profissão de azeitólogo, como acontece com os enólogos no setor do vinho.

Aqui hoje podemos ver azeites de excelente qualidade e isso refletiu-se nas pontuações dadas que ultrapassaram mesmo as do concurso nacional, e isto é um motivo dos quais nos devemos orgulhar”.

Para Paulo Tolda, da Capital Douro, entidade organizadora deste concurso em parceria com a Junta de Freguesia de Valongo dos Azeites, o sucesso do mesmo é assinalado pela quantidade de participantes e pela qualidade dos azeites levados a concurso, bem como a abrangência do mesmo, trazendo para junto dos azeites do Douro os de Trás-os-Montes.

“Há dois anos fomos desafiados para trazermos alguma inovação a estas jornadas, era um evento com bastante interesse, com muitos workshops e outras atividades mas faltava ainda uma ligação ao setor empresarial, faltava dar o salto, daí termos pensado neste concurso.

Inicialmente pensamos fazer um concurso só para o Douro mas como as fronteiras da denominação DOP que se está a trabalhar ainda não estão totalmente definidas, pareceu-nos que reduzir este concurso ao Douro que conhecemos como produtor de vinhos não seria a opção mais acertada, foi assim que decidimos juntar aqui as duas regiões.

Inicialmente apontamos para um número de azeites participantes na casa dos 50, acabamos por ter 75, de 52 produtores que nos chegaram de 22 concelhos, o que para nós é significado de grande sucesso.

Tenho quase a certeza que na próxima edição estes números serão ultrapassados até porque este evento foi organizado em 2 meses e alguns dos produtores que se queriam inscrever já não tinham azeite.

Em termos qualitativos destacamos os resultados dos azeites do Douro que nos dão força para apostar neste setor. Quase 90% das medalhas e menções honrosas aqui distribuídas foram para azeites do Douro, um sinal claro da qualidade do azeite da região.

Não acredito que algum dia os azeites superem o vinho, contudo há ainda um longo caminho a percorrer, tanto em termos de quantidade como em termos de qualidade, hoje os nossos produtores estão mais preparados, têm mais conhecimento para que o resultado final seja cada vez mais de maior qualidade”.

Para os intervenientes esta primeira edição do Concurso de Azeite de Trás-os-Montes e Alto Douro pautou-se pelo sucesso e pelo orgulho de ser organizado em São João da Pesqueira, concelho que é o maior produtor de vinhos da região.

“Podemos afirmar que estamos perante uma iniciativa de sucesso. Em boa hora a organização incentivou a realização deste 1º concurso e devemos congratular-nos pela resposta que foi dada por parte dos produtores a este desafio”, afirmou Carla Alves.

Por seu lado Manuel Cordeiro destacou ainda o sucesso alcançado sublinhando o curto espaço de tempo, 2 meses, em que esta iniciativa foi organizada.

“O balanço é muito positivo mesmo tendo sido um evento preparado num curto espaço de tempo. Tivemos aqui 75 marcas de 22 concelhos, o que não é fácil de organizar. um motivo de orgulho organizar aqui este 1º concurso e agora estamos apostados em manter este evento ao longo dos anos para promover o azeite do Douro e de Trás-os-Montes”.

Já Paulo Tolda destacou o simbolismo deste concurso se realizar em São João da Pesqueira, ficando demonstrado que a região vai muito além da produção de vinho.

“O simbolismo de organizarmos aqui, em São João da Pesqueira, este concurso é muito, aqui estamos no coração do Douro e no concelho que é o maior produtor de vinho da região, provando assim que há aqui outros produtos de excelência”.

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