Município apresenta medidas para recuperar o setor vitivinícola da Região Demarcada do Douro

O autarca de São João da Pesqueira, Manuel Natário Cordeiro, enviou esta segunda feira (04/05), uma carta ao Primeiro Ministro e à Ministra da Agricultura onde elenca um conjunto de medidas que entende serem essenciais à recuperação do setor vitivinícola da RDD.

No entender do autarca pesqueirense a próxima vindima anuncia-se “previsivelmente catastrófica, com consequências nomeadamente ao nível dos pequenos e médios lavradores, uma vez verificada a falta de venda de vinhos pelas adegas vinificadoras, que pode conduzir ao abandono em larga escala da atividade, sendo que pelo menos e a todos, os colocará numa situação de extrema vulnerabilidade”.

Esta situação, afirma Manuel Cordeiro na missiva, “aportará gravíssimos prejuízos associados, desde logo a diminuição acentuada dos preços da matéria-prima e a desvalorização do património fundiário, para além das consequências ao nível da desertificação e abandono do território com efeitos na própria paisagem, produto turístico de excelência e de elevado potencial”.

Para esta situação que é “de absoluta emergência e a qualquer titulo excecional”, o autarca pede “soluções também excecionais e imaginativas, com verdadeiro impacto positivo na lavoura duriense”.

Desta forma, e acrescentando às medidas já apresentadas na passada semana numa outra missiva com os mesmos destinatários, Manuel Cordeiro sugere a alocação de cerca de 7 milhões de euros dos programas de eficiência energética e de outros programas destinados aos município da CIM-Douro, a um fundo de emergência de apoio à agricultura que seria entregue à Casa do Douro “a fim desta poder intervir no mercado comprando vinhos e armazenando-os”. Podendo esta medida não ter enquadramento legal, o autarca sugere “que se altere o que tem de se alterar para responder aos novos desafios que se nos colocam”.

Outra medida apresentada na carta hoje endereçada, é a possibilidade de se proceder à denominada medida de “produção de bloqueio”, “que consiste em fazer Vinho do Porto que não poder ser vendido, antes de 5/6 anos, para que o quantitativo de ‘benefício’ não baixe drasticamente, permitindo encaixar esse rendimento no futuro e paulatinamente, ao invés de o perder definitivamente, minorando, assim, o prejuízo”, uma medida que, recorda o autarca, já foi adotada no passado.

O autarca finaliza o documento afirmando que as medidas que agora sugere “são suscetíveis de merecer um consenso alargado, incluindo nomeadamente a produção e os operadores do setor da exportação”.

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