Domingos Carvas: “Gostava de pôr em prática um novo paradigma: a aposta nas pessoas”

Assumiu a presidência em ja­neiro deste ano após a saída de José Marques. Nos 10 meses que leva à frente do executivo tem tentado mudar o paradig­ma de governação colocando as pessoas em primeiro lugar.

Não tendo sido eleito presidente em 2013, acaba o mandato como edil da autarquia. que balanço nos faz destes últimos quatro anos?

Embora pertencendo já ao executivo an­terior este é um regime presidencialista, há quem não concorde, que diga que o regime é democrático e está certo mas o sistema é presidencialista. O presidente é o presidente, depois existem os verea­dores e nunca é a mesma coisa, executa­mos um projeto que, não sendo exclu­sivo do presidente, são as ideias destes que na maioria das vezes são tidas em conta, obviamente que sendo sempre discutidas em reuniões do executivo mas no final é o presidente que manda. São as ideias dele que são apresentadas a sufrágio e que em caso de vitória irão vigorar durante esse período.

No meu caso eu não tive esse progra­ma, fiz parte da tal equipa que ajudou o presidente a realizar o seu trabalho mas o programa de ação era dele. Em janei­ro, quando tomei posse, a aposta no de­senvolvimento tinha que assentar num novo paradigma, em que as pes­soas estivessem à frente da obra. Se a obra faz falta eu não preciso dela se não tiver pessoas. Daí esta von­tade em me candidatar, gostava de pôr em prática este novo paradigma, a aposta nas pessoas. É esse o caminho de desenvolvimento que pretendo.

Tendo em conta essa visão para o con­celho, quais são as principais ideias que os eleitores podem encontrar no seu programa eleitoral?

Tendo em conta que o paradigma são as pessoas, nós temos que trabalhar para lhes dar o melhor. Por isso vamos fazer uma forte aposta no turismo, queremos novas e melhores rotas turísticas, um novo posto de turismo, mais atrativo e que fique situado na zona do Pinhão. Queremos dar mais valor à loja intera­tiva mudando-a de sítio para uma zona mais central. Dinamizar as rotas exis­tentes da museologia, tendo em conta o espaço interpretativo arqueológico da garganta, rotas com Aires Torres, com o Espaço Miguel Torga.

Este eixo Vila-Real – Sabrosa – Pinhão, tem que ser melhorado, em especial a estrada que liga Sabrosa ao Pinhão, tem que ser alvo de uma intervenção de fun­do, em especial ao nível de segurança, sem essas vias de comunicação as pes­soas não nos vêm visitar e se as pessoas não vêm perde-se no dinamismo econó­mico do concelho.

Pretendemos ainda criar um espaço onde irá funcionar uma mostra de pro­dutos regionais, produtos endógenos como a vinha e o vinho, uma espécie de multiusos. Não para uso desportivo que nesse campo estamos bem servidos mas sim para um uso cultural, que nos ajude a tornar mais atrativos.

Sem estas infraestruturas não podemos pensar em segurar aqui as pessoas ou trazê-las de fora para o nosso território, e isso é importante para nós.

Um município pequeno como Sabrosa não tem força para reivindicar essas infaestruturas ao governo central, fa­ria aqui sentido uma maior interven­ção da CIM Douro?

A CIM Douro não existe, se ninguém lhe disse isto digo-lhe eu, é um flop.

O governo criou esta CIM, tal como as outras, sem lhes ser dada uma capaci­dade técnica. O presidente é também presidente de câmara, isto é como um músico querer tocar duas violas ao mes­mo tempo, não é possível, ou toca as duas mal ou toca me­lhor numa do que noutra.

O presidente da CIM não pode ser um presi­dente da câma­ra, tem que ser alguém eleito e que recebe um salário, só assim lhe podemos exigir mais atenção para fa­zer chegar os nossos problemas a quem de direito. Só assim a CIM poderá ser uma instituição que traga valor à região.

Eu sou do tempo dos GAT’s, os Gabine­tes de Apoio Técnico, que apenas davam apoio técnico da região mas mesmo assim faziam mais do que a CIM faz neste mo­mento. A CIM não passa de uma caixa de correio das Comissões de Coordenação.

Eu tive aqui dois incêndios de grande dimensão, o que é que a CIM fez? Nada. O Presidente da Republica ligou-me 3 vezes, a sra Ministra da Administração Interna ligou 2 vezes, o Secretário de Es­tado da Administração Interna também duas vezes… da CIM Douro nem sequer me perguntaram se precisava de alguma ajuda, isto é claramente uma grave falta de liderança.

Na questão dos fundos europeus tam­bém era importante ter uma CIM forte, o Porto fica com 51% dos fundos que vêm para o norte de Portugal, os restan­tes 49% são para dividir pelos restantes municípios. Eles até podem ter mais gente, mas nós temos uma área maior que nos faz ter custos mais elevados com qualquer coisa que se faça, por isso deve haver uma melhor distribuição destes fundos. Só com uma CIM forte é que isso se consegue, para fazer pressão sobre o governo central na hora de apro­var os projetos postos a discussão.

No fundo, temos que ser mais unidos e a CIM podia fazer esse trabalho, para ne­gociarmos, por exemplo a recolha de lixo como um todo, entre outras questões.

Voltando atrás na nossa conversa, tudo isto é importante para fixar população, de que nos adianta fazer tudo que está ao nosso alcance se o que realmente pre­cisamos não conseguimos ter como em­presas e projetos de grande dimensão? É assim que aumentas as assimetrias regionais.

Quais são as suas expectativas para o dia 1 de outubro?

Se fosse como o João Pinto, antigo jo­gador do FC Porto, “prognósticos só no fim do jogo”. Agora mais a sério, a nossa expectativa é a melhor, acreditamos que temos feito tudo para vencer as eleições mas a decisão final pertence ao povo que vai votar, e isso é o mais importante, a vontade deles.

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