Estúdio duriense ganha prata nos World Brand Design Society Awards

Sediado na freguesia de Co­vas do Douro, Sabrosa, o es­túdio de design Nauvegar foi premiado na competição com o projeto Quinta dos Mon­tes – Parcela Nº 5. Os World Brand Design Society Awards são uma competição que dis­tingue os trabalhos mais cria­tivos de agências e estúdios de todo o mundo.

Tiago Fialho e Gustavo Roseira – Estúdio Nauvegar

Gustavo Roseira, CEO e Diretor Criativo do estú­dio, fala em orgulho sublinhando que a localiza­ção é uma barreira que se ultrapassa com esfor­ço, dedicação e entrega.

“É um enorme orgulho, sermos destacados ao lado de tantos projetos inspiradores, e partilhar­mos o pódio com pessoas tão talentosas, ainda mais numa competição internacional, indepen­dente e de prestígio, que celebra a excelência e promove os melhores trabalhos criativos, de agências e estúdios de design de todo o mundo. Esta distinção é uma oportunidade maravilhosa para celebrarmos o esforço, dedicação e total entrega da nossa equipa que, com todas as limi­tações que um pequeno estúdio tem, continua a quebrar barreiras, e a superar-se a cada novo desafio.

Para nós, este prémio vem confirmar algo em que há muito acreditamos: que é possível estar no interior do país, numa pequena aldeia como Covas do Douro, e desenvolver projetos criativos de topo, ao nível do melhor que se faz em qual­quer grande capital mundial.

Que se desengane quem pensa que temos a vida facilitada, trabalhamos o dobro, demoramos mais a chegar a todo o lado, parece que estamos sempre longe de tudo. Infelizmente, o interior do país é sucessivamente esquecido pelos nossos governantes, mas nunca baixamos os braços, va­mos à luta com garra e criamos as nossas oportu­nidades. Viajamos muito, visitamos viticultores de norte a sul e ilhas, corremos feiras nacionais e in­ternacionais, embarcamos em jornadas entre vi­nhas, adegas, garrafeiras e caves por esse mundo fora, mas voltamos sempre ao Douro. No proces­so criativo é essencial o sentimento de liberdade e tranquilidade que aqui se proporciona, o sentir e ouvir a natureza em pleno, sem distrações”.

Com um trabalhado único, fazendo lembrar a cepa da videira, a ideia para este rótulo surgiu durante uma visita à Quinta dos Montes, com vinhas centenárias, trabalhadas com todo o cui­dado, uma a uma, um trabalho complexo que se espelha agora na garrafa.

“Estávamos a passear pelas belíssimas vinhas da Quinta dos Montes, no Vale do Douro, com o nosso bom amigo, e enólogo da quinta, Pedro Sequeira, enquanto ele nos contava sobre a sua última criação, um vinho de uma só vinha, prove­niente de uma parcela muito especial da proprie­dade.

Quando chegamos à Parcela Nº 5, sentimos defi­nitivamente algo especial e único! É difícil pôr em palavras o quão mágicas as vinhas muito velhas do Douro podem ser… Esta é uma parcela minús­cula, com apenas 0,61 hectares, mas com uma enorme diversidade, 23 diferentes castas, identi­ficadas, com mais de 100 anos. Foi como entrar num autêntico museu vivo!

O Pedro explicava o amor e cuidado que dedicou a esta vinha, e como as plantas são tratadas uma a uma, “Cêpa-a-Cêpa”, e o seu sonho de expres­sar de alguma forma o espírito do lugar e a textu­ra complexa que as cêpas velhas têm, na garrafa.

Instantaneamente, muitas ideias começaram a “fermentar” na nossa imaginação. Continuamos a caminhar e pensar… No momento em que final­mente provamos o vinho foi como uma epifania, tudo parecia bater certo, os 23 “músicos da uva” tocavam uma sinfonia surpreendente, muito complexa, repleta de diferentes camadas, mas ao mesmo tempo incrivelmente elegante e refinada. Um momento bonito!!!

Assim que voltamos à nossa “adega criativa”, a mesa, o papel, o lápis, diversas experiências co­meçaram a surgir. Estávamos a cortar camadas de papel com diferentes formatos, na tentativa de recriar algumas ideias que tínhamos para re­presentar as vinhas quando ocorreu a segunda epifania: percebemos que podíamos integrar um conceito de dualidade, que comunicaria ao mes­mo tempo as complexas texturas em camadas das cêpas velhas e a sinuosa topografia das vinhas do Douro!

Partilhamos os esboços com o Pedro que imedia­tamente adorou a ideia. De seguida, reunimos com os nossos bons companheiros Manuel Ri­beiro e João Santiago, da gráfica VOX, que ficaram igualmente empolgados e prontamente abraça­ram este desafio connosco!

No final, devido à complexidade das formas e aos pequenos detalhes de cada camada, mesmo na VOX, parte do processo de produção dos rótulos teve que ser feito manualmente, um a um, tal como o cuidado com estas vinhas centenárias e como a nossa abordagem de design, que foi de­senvolvida minuciosamente à mão.

Tudo neste vinho, em todas as fases de criação, nasceu desta paixão pelo artesanal, resultando numa jóia autêntica e rara. Foram lançadas ape­nas 1333 garrafas, tornando o lema “Cêpa-a-Cê­pa”, realmente digno”.

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