Município de Sabrosa iniciou trabalhos de limpeza junto à rede viária municipal

O município de Sabrosa já começou a executar os trabalhos de limpeza das faixas de gestão de combustível, com 10 metros, junto à rede viária, com o abate de pinheiros e eucaliptos, como decretado pela lei 114/2017, no seu artigo 153º e que determina o regime excecional das redes secundárias de faixas de gestão de combustível, em conjugação com o decreto-lei 124/2006.

Os trabalhos estão a ser executados nos locais onde os proprietários, responsáveis pela gestão, não os executaram no prazo estabelecido, que terminou a 31 de maio.

Segundo o autarca, Domingos Carvas, “nesta altura faltam limpar cerca de 40 hectares de um total de 370. Conseguimos que os privados, com muita ação da nossa parte e dos GIPS e com muita comunicação, limpassem cerca de 80% do que havia para limpar”.

“Dividimos este trabalho em duas fases. Na primeira fase concentramo-nos nos perímetros urbanos que era a situação que mais nos preocupava e aos GIPS, que têm feito um excelente trabalho, agora é a segunda fase em que tratamos das faixas de gestão junto às vias de circulação”.

Os trabalhos iniciaram-se na estrada que liga a aldeia de Roalde ao lugar das Fragas e continuarão nas vias das freguesias consideradas prioritárias na intervenção deste regime excecional, identificadas pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Depois de terminados na via já referida, os trabalhos continuarão na estrada municipal (EM) 323-2 até ao limite da União de freguesias de São Martinho de Anta e Paradela de Guiães; no caminho municipal (CM) 1265, que liga a EM 323-2 a Sobrados; na EM 587, que liga Paradela de Guiães a Provesende; na estrada que liga Fermentões a Vilela; na EM 323 até ao limite do concelho, que termina na ponte de Parada; e no CM 1263-3, que liga Sabrosa a Feitais. Nas restantes vias, não havendo tantos locais com pinheiros ou eucaliptos para abate, os trabalhos também serão executados em conformidade com a lei em vigor.

“O facto de andar no terreno um camião e as máquinas de corte tem levado a que alguns particulares se cheguem à frente. Estas pessoas não trataram dos seus terrenos por falta de cuidado mas, muitas vezes porque desconheciam o que era preciso cortar. Ao estarem todos juntos no terreno, os proprietários têm decidido por pagar ao cortador, ficando com a lenha para si. Isto aconteceu já em cerca de um terço do terreno limpo por nós até ao momento”.

Domingos Carvas acredita ainda que a tragédia que aconteceu no ano passado serviu para alertar consciências, fazendo com que os proprietários se tornem mais cuidadosos, não deixando de criticar o Governo que acusa de abandono daqueles que no ano passado sofreram graves percas, em especial no maior fogo do concelho que aconteceu no mês de agosto.

“As pessoas estão mais sensibilizadas desde o que aconteceu no ano passado. Por exemplo, em Parada do Pinhão, muitos habitantes apontavam o dedo a uma família que tem muitos terrenos que não eram limpos, e isso prejudica toda a comunidade”.

“A casa de primeira habitação que ardeu no ano passado foi recuperada por nós em 15 dias, sem qualquer ajuda do Estado ou de seguradoras, um investimento de algumas dezenas de milhares de euros. Para nosso espanto esta habitação não foi contemplada com nenhum apoio porque não ardeu durante os dois grandes incêndios do ano passado, em junho e outubro”.

“Andamos mais de duas semanas no terreno com diversos técnicos, a fazer o levantamento dos danos causados pelo fogo para nada, uma perca de tempo, com a agravante de que andamos a alimentar nas pessoas a esperança que iriam receber algum apoio, a verdade é que, como ficaram no dia a seguir aos incêndios, assim estão hoje, a câmara vai ajudando onde pode mas não conseguimos chegar a todo o lado. A verdade é que o Governo nos deixou ao abandono, esquecendo-se que as pessoas aqui também são portuguesas. Felizmente aqui não morreu ninguém mas os danos materiais são imensos”.

Nos locais onde irão ser executados os trabalhos são colocados avisos nos pinheiros, de forma aleatória, com o mínimo de cinco dias de antecedência relativamente à data de início dos trabalhos. Toda a biomassa resultante dessa limpeza rever-te a favor do município para pagamento dos serviços.

“Fizemos um contrato com uma empresa que faz o corte dos pinheiros e leva logo a madeira, deixando o terreno limpo, isto agiliza o trabalho e evita qualquer celeuma que possa surgir”.

,