Blind & Lost Studios atrai bandas nacionais e internacionais

Natural de Santa Marta de Penaguião, foi no seu berço que Guilhermino Martins decidiu estabelecer-se criando um estúdio de gravação, para bandas, que é hoje reconhecido internacionalmente.

Se a criação do estúdio aconteceu para dar resposta a uma necessidade pessoal, rapidamente o trabalho de Guilhermino começou a ser referenciado, gravando hoje algumas das bandas mais conhecidas no universo do metal.

“Este estúdio foi criado no ano 2000. Na época tinha uma banda, os ThanatoSchizO e tínhamos necessidade de fazer uma espécie de pré-produção dos álbuns. Nós gravávamos em Valadares, no estúdio do pessoal de outra banda, os Tarântula, que estavam muito habituados a trabalhar este tipo de som, mas nós achávamos que tínhamos que já ter algum trabalho feito quando íamos para essa gravação.

Normalmente usávamos um estúdio que havia na Régua, que era mais uma sala de ensaio para uma banda pimba, e o dono do espaço deixava-nos ir lá fazer algumas gravações. Era tudo muito feito na base do desenrasque, nem ele sabia trabalhar com o tipo de som que nós tocávamos, nem nós sabíamos trabalhar com aquela maquinaria…

Ao fim de alguns meses comecei a perceber que aquela parte era algo que eu gostava e, modéstia à parte, também tinha algum jeito (risos). Comecei a ler várias coisas e a ver vídeos tutoriais ainda em cassetes VHS, mais o que ia aprendendo quando acompanhava as nossas gravações em Valadares”.

Guilhermino confessa que inicialmente havia algumas situações engraçadas com as bandas que passam pelo estúdio Blind & Lost Studios, com os penaguienses a demonstrarem alguma estranheza, apesar da simpatia.

“Já aqui estiveram diversas bandas internacionais a tocar. Não são bandas que toda a gente conheça, são mais deste “nicho” do metal mas, na área, são bandas de renome que decidiram um dia vir e tocar aqui, é muito bom.

Uma das últimas bandas que esteve aqui antes da pandemia eram belgas, ficaram cá 15 dias e foi engraçado que quiseram aproveitar para conhecer a região, o que despertou alguma curiosidade nas pessoas, verem aquele pessoal estranho a andar aqui nas ruas… Ainda não havia toda esta dinâmica da N2, por isso as pessoas também não estavam muito habituadas a ver estranhos aqui”.

Apesar de “obviamente” mais ligado ao universo do metal, no espaço cabem outras sonoridades, recentemente o produtor penaguiense gravou o álbum de uma banda da região com um som distinto do que está habituado.

“Tanto gravo aqui metal extremo como gravo Rock-Pop, nesse aspeto há alguma abertura. Durante o verão passado gravei aqui um projeto de Vila Real, os Pontas Soltas, que é Rock-Pop puro, completamente comercial. Acho que ficaram satisfeitos até porque já falaram em regressar. Apesar disso é óbvio que a maior parte das bandas são de metal”.

Guilhermino reconhece que a interioridade pode ter sido um fator difícil de ultrapassar na fase inicial do trabalho, “podia ter feito isto no Porto, por exemplo, teria cinco ou seis vezes mais trabalho numa fase inicial”, contudo resolveu ficar pela sua terra natal, “o objetivo sempre foi que as pessoas reconhecessem o meu trabalho pela qualidade e para gravar comigo terem que vir até Santa Marta de Penaguião”.

“Há coisas que obviamente tens que sair daqui para teres mercado de trabalho. Um jovem formado em energia atómica não fica em Santa Marta a fazer nada, a verdade é essa, mas há projetos que encaixam perfeitamente aqui, e há espaço para os jovens criarem essas coisas inovadoras e ficarem por cá. Este projeto é um exemplo disso.

Outra vantagem de um projeto como este, é que acabo também por dar o meu contributo à terra. As bandas que vêm gravar aqui no estúdio ficam aqui uma semana, quinze dias… precisam de um espaço para dormir, de sítios para comer, passeiam pela região, tudo isso são aspetos positivos”.

O músico confessa mesmo que tem “aproveitado o grande fluxo de turismo no Douro para promover o estúdio internacionalmente”, o que tem resultado na vinda “de diversas bandas estrangeiras a Santa Marta de Penaguião”.

“É um sentimento mito bom perceber que as pessoas sentem essa vontade de vir ter comigo”, afirma.

Atualmente Guilhermino é elemento de outra banda, os Serrabulho, que vão granjeando sucesso internacional, no entender do músico, com alguma responsabilidade para as raízes locais da banda.

“Incorporamos muita música tradicional transmontana, instrumentos de Miranda do Douro, etc, mais do que nos limitar, o Douro é inspirador, e torna-nos únicos. Estas paisagens são mais inspiradoras do que limitadoras”.

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