Milhares de visitantes sublinham sucesso da Festa da Castanha

“Olha a castanha, quentes e boas!” O pregão é conhecido e entra no ouvido como o cheiro das castanhas assadas nos entra pelo nariz. Logo à chegada à Festa da Castanha, em Sernancelhe, este é o cenário que encontramos, e ao qual se juntam milhares de pessoas que se dividem entre os espaços interior e exterior do Exposalão.

Carlos Silva, autarca de Sernancelhe e Luís Pedro Martins, Presidente do TPNP, inauguraram o certame

27 anos depois de o Município, os produtores, as empresas e associações locais terem ousado criar, no concelho de Sernancelhe, uma feira que pudesse ajudar a promover a castanha, em particular a variedade de referência, a Martaínha, hoje o evento é um exemplo nacional.

Porque impulsiona um produto com cada vez maior peso económico regional e nacional, porque valoriza a cultura, e porque é uma montra do território, a Festa da Castanha é a janela por onde Sernancelhe mostra a sua riqueza patrimonial, paisagística e cultural, num contexto de celebração da tradição e da identidade, impulsionando todos os produtos da terra e demonstrando o imenso potencial da castanha para a consolidação da atividade turística regional.

O sucesso do evento foi sublinhado pelo vereador Armando Mateus em declarações à nossa reportagem, apontado à promoção feita ao evento e à qualidade do produto as causas do mesmo.

“Estamos com uma forte adesão de visitantes. Fizemos uma promoção muito intensa com vários meios de comunicação e com uma abrangência maior do que era habitual, tudo isto a juntar a toda a animação que tem marcado este evento. Acho que foram criadas as condições ideais para recebermos esta multidão de gente que aqui se vê.

A estratégia é encontrar um equilíbrio. É importante levar as pessoas para o interior do Exposalão e assim garantir que os produtores vendam o seu produto, no caso a castanha que é a figura principal deste evento contudo, com uma adesão tão grande como temos o espaço pode tornar-se caótico, por isso é importante ter uma oferta de qualidade em termos culturais e de animação no exterior, em especial em dias com um clima tão agradável como este.

Armando Mateus, Vereador da Cultura da CM Sernancelhe

Temos tudo na dose certa, há animação, vê-se muita gente mas as pessoas conseguem circular e comprar os produtos, dando também resposta a um desejo dos expositores que se queixavam que o facto de os corredores ficarem tão cheios prejudicava o seu negócio”.

Questionado sobre a qualidade da castanha este ano, o vereador autárquico não tem dúvidas, é como já habituou todos quantos passam por Sernancelhe, ótima.

“A castanha está na forma como já nos habituou, com um sabor fantástico, um travo adocicado, com um calibre grande e uma macieza característica da nossa Martaínha”.

Lino Sampaio & Pedro Vaz da Costa | Cerveja Judia

Eu sou produtor de castanha de Carrazedo de Montenegro, uma região onde se produz muita castanha da qualidade Judia. O problema da castanha no nosso país é que durante esta época as pessoas lembram-se deste produto mas dentro de 1 ou 2 meses ela volta a cair no esquecimento até ao próximo ano.

O projeto surge pela necessidade de quebrar este ciclo e poder falar da castanha ao longo de todo o ano. Como as cervejas artesanais também estão na moda decidimos criar uma cerveja artesanal de castanha.

Está a ser um pequeno grande sucesso, a nossa cerveja Judia já ganhou mesmo uma medalha de ouro. Como aqui em Sernancelhe a qualidade mais produzida é a Martaínha então decidimos criar uma segunda cerveja com esta qualidade que estamos aqui a apresentar ao público.

Daniel Azevedo | Produtor de castanha

A nível de qualidade este ano a castanha está muito boa. A quantidade é menor que no ano passado porque não choveu o suficiente e isso acaba por afetar a produção, mesmo com todos os cuidados que temos.

Eu aconselho os novos produtores a entrarem neste setor, contudo têm sempre de ter a noção que este é um investimento que não pode ser feito a curto prazo, a produção só está em pleno ao fim de 4 ou 5 anos. Nós costumamos dizer que “o avô planta para o neto comer”.

Quanto ao evento em si, continua a valer a pena vir aqui para estar com os amigos e também para valorizar o nosso produto porque vem aqui muita gente de Portugal e do estrangeiro. Este ano nota-se mais gente do que no ano passado e também se está a vender mais.

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