Gustavo Duarte: “Falta consolidar Foz Côa como destino turístico de excelência”

Natural de Peso da Régua, Gustavo Duarte sempre viveu em Foz Côa. Está à frente do município desde 2009 e avança para o terceiro mandato com a mesma vontade que iniciou esta caminhada.

Que balanço faz dos últimos oito anos de governação?

No que diz respeito aos indicadores económicos de Foz Côa, penso que é claramente positivo. Desde o volume de investimento – quer público quer privado -, exportações, poder de compra, qualidade vida… todos os rácios do INE atestam que Foz Côa tem crescido imenso.

Há poucos concelhos do interior que conseguem atingir o nosso nível, no que toca às exportações.

No investimento, só o Município investiu mais de 25 a 30 milhões de euros, acompanhado por um grande investimento privado também. Só no nosso concelho investiram-se mais de 60 milhões de euros de privados.

Fizemos o Centro de Alto Rendimento (CAR), que é um dos melhores do mundo, segundo os atletas que passam por lá. De resto, a arquitetura do CAR tem merecido várias distinções, por isso não se resume ao impacto desportivo.

Temos ainda o Museu, que está com uma nova dinâmica, graças à nova direção.

Os dois vetores de desenvolvimento deste concelho assentam na potencialização dos recursos ativos – azeite, amêndoa e o xisto – e o turismo. Somos um concelho totalmente integrado na Região Demarcada do Douro.

Para um concelho do interior, esta dinâmica que enunciou é importante no combate à desertificação?

Esse tem sido o principal obstáculo. Estamos a perder população, mas temos alguma satisfação ao verificar que todos os investimentos que temos realizado têm dado os seus frutos.

O turismo terá um papel importante na fixação da população.

Obviamente, o nosso principal desafio é fixar as pessoas neste território. Julgo que o poder central tem culpa nesta matéria. Havendo poucos votos, há pouco investimento.

No entanto, existem alguns pormenores inéditos neste concelho como, por exemplo, a existência de 32 desfibriladores automáticos, ou seja, em todas as freguesias. Além disso, temos internet gratuita em praticamente todo o território. Já recebemos um prémio de Cidade Amiga dos Idosos e temos um grande apoio à terceira idade.

O nosso salário médio anda à volta dos 900 euros. Estou no meu segundo mandato e gostaria de avançar para o terceiro.

Património, natureza, desporto e produtos são os principais ativos de Foz Côa?

Sem dúvida. O turismo, a cultura e o desporto completam as áreas de interesse deste concelho. Estas componentes aliadas ao clima e paisagens tornam este local magnífico.

O Douro é único e Foz Côa tem cerca de 60 quilómetros ribeirinhos. Temos um barco e trazemos aqui muita gente de fora.

Se eu ganhar as eleições, espero melhorar a comunicação dos nossos equipamentos. Assumo que existe algum défice nesse sentido.

Existe aqui um grande potencial, que com meia dúzia de tostões poderia ser potenciado até pelo Governo central.

Temos 30 mil pessoas em Foz Côa, mas algo está a falhar. Sou otimista e tenho motivos para o ser, por isso é que me proponho a realizar mais um mandato.

Ao fim de oito anos, o que falta cumprir?

Falta consolidar Foz Côa como destino turístico de excelência, porque existem essas potencialidades. Queremos que a Fundação, o museu municipal e o CAR tragam mais pessoas ao nosso território, a nível internacional, inclusive.

Também temos que iniciar novos projetos no que toca à produção de vinhos e ao doce da amêndoa.

Temos que criar também alguma centralidade, através de sessões de esclarecimento ou workshops, sobre o património do Douro.

Existe a necessidade de se apostar mais em Foz Côa e estou convencido que vamos ganhar as eleições e concretizar esse investimento.

A ligação ferroviária a Espanha é uma luta que vai continuar?

Está no meu programa eleitoral dar continuidade a essa luta. A linha está encerrada há cerca de 35 anos. Sei que é um investimento avultado, mas ou se faz ou não se faz.

Serei o primeiro a cavalgar essa onda. A medida não depende exclusivamente da nossa ação, mas tudo farei para que isso aconteça.

Quais são as expectativas para o dia 1 de outubro?

As expectativas são boas, mas eu sou suspeito [risos]. Tenho consciência que fiz o melhor que soube fazer e, analisando de qualquer ângulo, o Município tem vindo a melhorar substancialmente.

O investimento que tem sido feito neste território tem vindo a crescer e posso dizer-lhe que a dívida, neste momento, é zero. Obviamente, dependemos dos subsídios comunitários e do financiamento do Estado.

Ainda há muito por fazer, se não houvesse eu não me candidataria novamente, mas creio que a população está ciente do que ainda podemos vir a fazer.

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