“Caloirada aos Montes” gera desentendimento entre AAUTAD e autarquia

Com início marcado para a noite de amanhã, dia 30, o evento “Caloirada aos Montes” da Associação Académica da UTAD (AAUTAD) está na base de um desentendimento entre a estrutura estudantil e a autarquia vila-realense, por causa do ruído.

Segundo um comunicado emitido esta tarde, nas redes sociais, a AAUTAD informa os estudantes da academia que, ao contrário do habitual “a autarquia reduziu a hora de licença de ruído para as 05:00 da manhã”, uma hora antes daquela que foi solicitada, decisão da qual a associação recorreu mas sem resultados.

“A associação académica tentou iniciar conversações para alterar essa mesma imposição, conversações essas  que não foram ouvidas por quem de direito”, pode ler-se no documento.

A estrutura que representa os estudantes diz “lamentar” esta decisão “que coloca em causa a gestão do evento”, afirmando que os estudantes são “o pulmão financeira da cidade, aqueles que lhe dão vida e força”, sentindo-se “injustiçados” por lhes ser retirada “uma hora de diversão”.

O documento termina com a afirmação de que a AAUTAD tudo fará, “perante  os moldes existentes”, para proporcionar “a melhor experiência” aos estudantes, afirmando ainda que “a UTAD é Vila Real e também gostávamos que Vila Real fosse a UTAD”.

Na mesma rede social, ao final da tarde de hoje, a autarquia respondeu também com um comunicado onde aponta as razões para a redução de horário na licença de ruído, lamentando a posição da AAUTAD que, segundo o documento, se esquece de evidenciar os apoios que recebe do município para a realização dos seus eventos.

“No passado mês de setembro, entre os dias 16 e 19, a Associação Académica da UTAD organizou as “Barraquinhas Académicas”, para as quais teve, como habitualmente, o apoio logístico do Município e a emissão da licença especial de ruído para a hora solicitada. Lamentavelmente, e apesar de alertada para os cuidados que deveria ter com a intensidade do ruído durante a madrugada, a AAUTAD permitiu que os níveis sonoros, logo na primeira noite, roçassem o intolerável, numa zona eminentemente residencial.

Este facto motivou inúmeras queixas de cidadãos, quer junto do Município, quer junto das autoridades policiais. No dia seguinte foi promovida uma reunião com a AAUTAD, alertando para o problema e reforçando a necessidade de respeitar o direito ao descanso dos Vila-realenses. A reunião apenas produziu efeito nessa noite, voltando os níveis de ruído para valores intoleráveis logo de seguida.

Como consequência dessa falta de cuidado, foi decidido reduzir a licença especial de ruído em uma hora e condicioná-la à existência de meios de medição e limitação de ruído, durante a “Caloirada aos Montes”. A AAUTAD, em vez de assumir os seus próprios erros e falhas como causa desta consequência, prefere responsabilizar o Município. A AAUTAD representa os melhores interesses dos alunos da UTAD, mas o Município representa os de todos os cidadãos, incluindo os alunos da UTAD.

A UTAD é Vila Real e Vila Real é a UTAD.

Esta afirmação encerra, em primeira e última análise, o enorme respeito que deve existir de parte a parte. A AAUTAD é constituída e representa pessoas legalmente adultas e responsáveis pelos seus atos. É assim que são encaradas pelo Município de Vila Real. Se a UTAD e os seus alunos merecem consideração pelas instituições locais, o contrário também terá que ser verdade. Em todas as noites das “Barraquinhas Académicas” a AAUTAD foi alertada para os níveis excessivos de ruído, por mensagens que foram respondidas, tendo mesmo sido admitido que o mesmo se verificava. Infelizmente tal não impediu que o problema se repetisse.
O comunicado da AAUTAD também é omisso relativamente ao apoio que é dado pelo Município às festas académicas.

O local onde decorrem é cedido gratuitamente pelo Município, tal como todas as grades de limitação, barracas de pequena dimensão, transportes e meios de transporte, infraestrutura elétrica, para não referir os recursos humanos que carregam, montam, limpam, entre outras tarefas, o recinto. Acrescente-se a este apoio logístico o apoio financeiro. Apenas no ano de 2018, o Município de Vila Real apoiou financeiramente em 20.531€ a AAUTAD.

Terminamos lamentando esta tomada de posição da AAUTAD, esperando que a mesma não coloque em causa um historial de décadas de bom relacionamento”, lâ-se no documento da autarquia.

, ,