Falta de alojamento faz soar o alarme em Vila Real

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), registou este ano o maior número de matrículas de sempre, contudo, a chegada dos novos alunos revelou um problema, a falta de alojamento, situação que preocupa tanto alunos como a instituição.

O alarme suou nos primeiros dias após a divulgação das listas dos alunos colocados no ensino superior, a falta de alojamento seria o grande problema no arranque do novo ano.

Em declarações ao nosso jornal, António Vasconcelos, presidente da Associação Académica da UTAD (AAUTAD), afirma que não foi surpresa para si este problema, já antes o tinha identificado e alertado a reitoria para essa possibilidade.

“Na AAUTAD começamos a perceber que isto ia acontecer já há uns meses, em agosto comecei a procurar casa para mim e tive dificuldades, logo nessa altura tive algumas conversas com o reitor e a senhora administradora, até porque agosto é um mês em que tradicionalmente ainda se arranja casa com facilidade porque ainda não saíram as colocações. Quem já cá está aproveita para escolher as melhores casas, libertando outras para os novos alunos”.

Também Elsa Justino, Administradora dos Serviços de Ação Social da UTAD (SASUTAD) nos revela alguma preocupação, contudo, a responsável afirma que a instituição está “a monitorizar e a acompanhar o problema do alojamento, junto dos estudantes”.

Para o representante dos alunos, o problema tem causas fáceis de identificar, o crescimento da cidade com novas empresas a chegar, criando emprego e atraindo população mas sem que o setor imobiliário acompanhe esse crescimento.

“Houve um crescimento exponencial da cidade com várias empresas a virem para cá e isso levou a um aumento da oferta de emprego, que por sua vez trouxe mais gente para Vila Real. Ao mesmo tempo o crescimento da universidade com números históricos. Por outro lado não houve aumento de espaços disponíveis, quer ao nível SASUTAD que não tinha fundos para a construção de novas residências, quer por parte dos privados.

Pegando num exemplo de um T4, um apartamento destes alojava normalmente 4 ou 5 estudantes. Hoje, ele serve para uma família que se deslocou para cá porque ocupou um posto de trabalho na cidade”.

Questionada sobre a construção de novas residenciais, Elsa Justino afirmou que “a universidade está neste momento a trabalhar numa alternativa com o Governo que passa por um acordo com a FUNDIESTAMO”.

António Vasconcelos aponta ainda um outro fator de relevância, o elevado número de alunos deslocados a estudar na UTAD, no total são cerca de 3000.

“Temos cerca de 3000 estudantes deslocados e apenas 525 camas disponíveis pelo SASUTAD, quer dizer que há aqui uma discrepância enorme. Cerca de 70% dos estudantes que temos aqui são do Minho e de concelhos limítrofes a Vila Real, todos eles são considerados como deslocados. Aquilo que notamos é que alguns destes estudantes, que antes alugavam aqui um quarto, agora, devido ao aumento dos preços, estão a comprar passes e a fazer diariamente viagens de mais de 1 hora para casa, há quem vá e venha para Amarante todos os dias. Isto é algo que vemos com alguma tristeza.

Quando eu entrei na UTAD pagava 130€ pelo meu quarto e já na altura muita gente me dizia que era um valor demasiado alto, neste momento conheço pelo menos um caso de um aluno estrangeiro que paga 190€ mais 50€ fixos para as despesas da casa, é muito dinheiro, e foi ainda obrigado a pagar 3 meses em avanço. Outros alunos estão a viver em residenciais, onde pagam 30€ por noite, isto não é comportável para uma família. Não é esta a imagem que demos dar da nossa universidade.

Cada vez vemos mais senhorias que mais parecem imobiliárias, têm 10 ou 15 casas porque também perceberam a potencialidade do mercado e muitas vezes acabam por nem sequer contribuir para o bem comum não passando recibos, por exemplo”.

Para Elsa Justino, apesar de preocupante, esta questão não será ainda um travão à atração de estudantes deslocados para a universidade. “Não obstante ter existido uma subida de preços devido a uma maior procura de imóveis para arrendamento (não só pelos estudantes), para já, nada aponta nesse sentido. A cidade de Vila Real ainda tem oferta privada, com preços de alojamento muito inferiores aos praticados em Lisboa, Porto e Coimbra”.

Contudo, o presidente da AAUTAD olha para o futuro e afirma-se ainda mais preocupado com a perspetiva. “A grande preocupação que tenho agora é, como será no próximo ano? Os senhorios este ano perceberam que a oferta é inferior à procura e podemos assim a um boom especulativo”.

Por essa razão, António Vasconcelos diz que a associação, em conjunto com os núcleos de curso “ vão escrever uma carta aberta onde apresentamos as nossas reivindicações e algumas recomendações, à reitoria mas também à autarquia.

À reitoria como forma de pressão ao próprio Governo, ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Ensino Superior, que algo tem de ser feito, terá de haver uma verba adicional ao orçamento para a construção de novas residências. Tem de haver medidas que acompanhem o crescimento que temos vindo a registar.

À autarquia porque, apesar de não ter um papel ativo na criação de habitação para os estudantes, deve ser um agente de atração de investimento externo que ajude a colmatar esta lacuna.

Não podemos pedir às pessoas para virem para o interior, para que estudem na UTAD, se depois não temos condições para os receber, isto é contraproducente”, conclui o representante dos estudantes.

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