Falta de alojamento origina movimento na UTAD

Na lista de tarefas para estudantes e familiares de um caloiro universitário está a procura de habitação, uma tarefa que se revela cada vez mais difícil, seja pela falta de disponibilidade quer pelo aumento dos valores que a falta de oferta gera.

Foi esta a razão que levou os estudantes da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro a iniciarem o movimento “Academia sem teto”, com o objetivo de alertar a sociedade civil para esta problemática.

Depois de pedido aos alunos para que pendurassem as suas capas negras à janela, a Associação Académica da UTAD, liderada por José Pinheiro, marcou, no passado dia 19 de setembro, um protesto em frente à autarquia vilarealense onde foram colocados lençóis e almofadas, aludindo à falta de camas na cidade.

Para José Pinheiro, este movimento pretende alertar, não só o Governo e a Universidade, mas também a sociedade civil para esta problemática.

“Isto não é um protesto, é um movimento que tem uma causa muito importante. Podíamos ter elaborado um documento mas decidimos que era altura de fazer algo mais, de gerar impacto para que as pessoas percebam o que se passa.

Este movimento Academia sem teto mostra a realidade com que vivemos em que o alojamento é insuficiente e o prometido aumento de camas para este ano não chegou às universidades periféricas como é exemplo a UTAD.

Nós acreditamos, enquanto academia, que somos parte integrante desta cidade e por isso quisemos sair do nosso campos e vir para  meio da cidade para que toda a gente perceba a nossa luta, tentando trazer para junto de nós a sociedade civil. Esta tem também que ser uma causa da cidade, procurar soluções que agradem a arrendatários e estudantes.

Quando construímos este movimento é com o objetivo de que ele tenha uma abrangência nacional e não apenas aqui na nossa academia, todas as universidades passam por esta problemática. Queremos que toda a gente reflita e que se junte à nossa causa e ao nosso movimento”.

O dirigente associativo revelou ainda que o diálogo com a autarquia ainda não se iniciou, devendo isso acontecer após a entrega da moção que saiu deste protesto.

“Ainda não discutimos esta questão com a autarquia mas agora endereçando a moção que escrevemos vamos tentar abrir uma linha de diálogo construtiva de forma a encontrar uma solução para esta problemática”.

Se esta á uma situação que afeta, em muito, a vida dos estudantes universitários nacionais, a situação é ainda mais complexa quando os alunos de Erasmus entram na equação. A distância de casa, da sua cultura e vida quotidiana são já fatores a que este alunos têm de se habituar, contudo, a falta de alojamento dificulta a sua plena integração.

Firat e Hakan são dois estudantes turcos que chegaram este ano à UTAD e, até ao momento, estão ainda sem alojamento próprio estando a residir temporariamente em casa do seu tutor de Erasmus, uma situação que para os dois estudantes é complicada e que afeta a sua prestação académica.

“Falamos com a universidade que nos informou que não havia disponibilidade nas residências. Por nós não havia problema porque poderíamos encontrar uma casa pelos nossos meios mas ainda não conseguimos encontrar nada e por agora estamos alojados em casa do nosso tutor de Erasmus.

É difícil estar aqui e tentar ter as coisas organizadas sem um local fixo para ficar, é um grande problema para nós em especial porque estamos muito longe da nossa realidade. Temos esperança que este assunto se resolva rapidamente até porque não é um problema apenas nosso, afeta todos os estudantes. Se um estudante não tem a sua casa onde ficar certamente que não estará tranquilo para estudar”.

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