Investimento de 6M€ para uma UTAD mais verde e digital

No total são cerca de 6 Milhões de Euros (3 M€ no POSEUR – Programa de Eficiência Energética – e cerca de 3 M€ na intervenção da construção de uma ciclovia de cerca 7 Km enquadrado no PEDU), que estão a ser investidos na UTAD com o objetivo de tornar o campus da universidade mais eficiente energeticamente apostando ainda na mobilidade e na digitalização. A nossa reportagem foi conhecer o que está a mudar na universidade transmontana na companhia do reitor, António Fontainhas Fernandes.

O dia solarengo convida a um passeio pelo campos onde, numa altura de pandemia e sem alunos, abundam as máquinas e os trabalhadores que um pouco por todo o lado vão dando forma a uma “nova” universidade.

Rasgam-se passeios e estradas para dar lugar a ciclovias, criam-se novos acessos para reduzir distâncias entre os diferentes edifícios que compõe o campus, dando forma ao dizer popular, “antes da bonança, a tempestade”.

Fontainhas Fernandes recebe-nos junto à entrada da reitoria, depois do cumprimento inicial a primeira informação a destacar “estes homens estão a carregar as luminárias que trocamos, são cerca de 12 mil, agora a iluminação interior dos edifícios é toda LED. Também já tiramos todo o fibrocimento do telhado dos edifícios, ao todo foram 35 mil m2 que agora deram lugar cerca de 900 painéis fotovoltaicos”.

Após as primeiras palavras trocadas surge o convite, “vamos dar uma volta pelo campus para ver o que estamos a fazer”.

No final o regresso ao edifício da reitoria onde já mais calmamente conversamos um pouco.

De uma forma geral, quais são as principais intervenções que estão a ser feitas e qual o objetivo das mesmas?

Ao longo dos últimos anos, a UTAD implementou um plano de ordenamento do campus, privilegiando a partilha de espaços letivos, de investigação e de serviços, enquanto a área de residências se concentra no centro da cidade. Todas as intervenções efetuadas no campus mantêm preocupações de natureza ambiental, de acordo com o compromisso de criar um eco campus. Neste domínio, merece relevância o programa de eficiência energética que está em fase de conclusão e vai permitir a redução de gases de 70% e, mais recentemente a requalificação dos campus e a construção de uma ecovia de cerca de 7Km, que vai estar conectada com o centro da cidade, ao abrigo do plano estratégico de desenvolvimento urbano (PEDU) da cidade de Vila Real.

Indubitavelmente, o PEDU prevê uma profunda intervenção na cidade e nas vias de acesso à Universidade, bem como a intervenção no campus destinada a melhorar a gestão de tráfego automóvel, privilegiar a circulação por bicicleta e pedonal, mediante a criação de trilhos pedonais nas zonas com maior circulação de pessoas. O projeto irá aproximar o centro da cidade e a área residencial ao campus, reabilitando o antigo canal ferroviário, passando pelas residências de Codessais e o Parque Residencial Além-Rio.

Estando neste momento as aulas interrompidas devido à pandemia Covid-19, esta situação acelerou as intervenções ou, por outro lado, levou a um atraso das mesmas?

No caso da eficiência energética a intervenção foi efetuada no tempo programado, enquanto nas intervenções do campus a diminuição de trânsito permite recuperar o atraso no início da intervenção.

Todas estas mudanças que agora se verificam podemos assumi-las como um legado da sua passagem pela reitoria da UTAD, agora que está no último ano no cargo?

As intervenções no campus interpretam o legado da Universidade, em que o Jardim Botânico tem acompanhado sempre a requalificação dos edifícios e privilegiado a “devolução” à academia de espaços ao ar livre, pensados para o estudo, convívio e repouso, cujo acesso estava antes condicionado. Mais recentemente, a aposta na criação de um ecocampus é um desafio de toda a Universidade, que vai além destes dois últimos mandatos. Efetivamente, o próximo reitor deverá concluir esta intervenção e dar continuidade a um sentimento coletivo da academia, partilhado com a cidade.

É correto afirmar que todas estas mudanças que agora acontecem colocam a UTAD como uma universidade do futuro?

Estas mudanças ambicionam transformar o campus num laboratório experimental vivo e evolutivo, o que exige soluções inteligentes, pensadas à luz do conceito de “smart cities”, que respeitem a identidade da Universidade e a sua imagem de marca associada ao Jardim Botânico, mantendo formatos inovadores de convívio, de interatividade, de lazer, que estimulem estilos de vida saudáveis. Um projeto financiado pela FCT permite que ainda este ano, seja reforçada a conetividade na UTAD, incluindo nas áreas exteriores do campus.

O campus deve ser interpretado com base nos desafios da Universidade Digital, reforçando trajetórias de modernização da Universidade com competências digitais no ensino, investigação, gestão e nas diversas práticas do quotidiano. Neste sentido, é vital concluir o programa de de desmaterialização da Universidade, capacitando-a com tecnologias e infraestruturas de virtualização para otimizar a utilização de plataformas digitais de gestão corrente.

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