Mercado Criativo assinala fim do Douro Creative Hub

Nascido da vontade da sociedade civil em 2015, o Douro Creative Hub tinha como objetivo criar na região um polo de industrias criativas dando uma maior visibilidade a este setor.

A pouco dias de encerrar o projeto o VivaDouro falou com o seu responsável, João Calejo, para fazer um balanço do trabalho realizado e antecipar o Mercado Criativo, que terá lugar nos próximos dias 29, 30 e 31 de março, no Mercado Municipal de Vila Real.

O projeto está agora na sua reta final, mas voltemos ao início: Como surge a ideia da criação do projeto Douro Creative Hub?

Este projeto começou em 2015 como uma ideia da sociedade civil da região com o objetivo de criar um polo de indústrias criativas.

A ideia de criar este polo surgiu da necessidade de dar visibilidade à economia criativa que muitas vezes se confunde com as artes do espetáculo, mas vai muito mais para além disso, as áreas que a incorporam são tão grandes que ás vezes já não sabemos o que é criativo e o que não é criativo (risos), na realidade, não existe um consenso daquilo que é ou não criativo.

A criação deste projeto aconteceu num momento do pico da crise, e foi numa época em que estavam a chegar ao nosso território jovens com elevadas formações em teatro, cinema, design industrial… estes jovens foram tirar os seus cursos fora do nosso território mas regressaram com elevados know-how e skills, sentindo também a necessidade de se agregarem e construírem massa critica.

Houve uma primeira reunião para a qual nós fomos convidados por esse conjunto de pessoas, criativos que estão aqui no território a trabalhar, e acho que a agregação da UTAD foi crucial, pelo seu reconhecimento a nível regional e nacional.

Acha que a participação da Universidade foi realmente uma alavanca para a realização deste projeto?

A UTAD aceitou o desafio no sentido também de agregar vontades e acho que foi importante haver uma instituição que apoiasse e que aceitasse o desafio.

Na fase inicial foi importante para nós percebermos quem eram os criativos que havia no Douro, onde estavam, quantos eram, e o que faziam. A partir daí aquilo que a UTAD tentou fazer foi compilar um conjunto de informações, liberar um plano estratégico e dar visibilidade.

Nessa primeira reunião detetamos ainda que, quando falamos de industrias criativas, os próprios criativos não se sentiram como industria “ah, nós não somos nenhuma fábrica” (risos), viam mesmo o conceito de atividade económica da indústria como “não fábrica” portanto os próprios criativos não se identificavam como tal, por isso hoje o termo mais consensual é economia criativa.

Seguiu-se uma segunda reunião e entretanto surgiu, por parte do Norte 2020 a possibilidade de uma candidatura para ações coletivas na área do empreendedorismo criativo em territórios de baixa densidade e a UTAD propôs-se também a preparar essa candidatura e a mobilizar este projeto do Douro Creative Hub  como a base, uma sustentação para criar algo mais na região.

Desde o inicio até agora, houve aqui todo um grande processo, cerca de dois anos. O que foi feito ao longo desses dois anos e como chegamos hoje ao Mercado?

O projeto foi idealizado em três grandes vertentes: identificação, promoção e uma vertente  de capacitação.

Na vertente da identificação o que nós temos vindo a fazer é o levantamento dos criativos do Douro, que é uma base de dados que tem várias informações sobre os mesmos. Este levantamento está a ser feito em vários municípios porque este é um projeto da NUT III Douro, ou seja,  temos feito várias atividades das industrias de produção criativas. 

Na vertente da promoção, atribuímos um prémio aquele que teve mais visibilidade, pela primeira vez demos um prémio direcionado só para as industrias criativas, nas suas mais diversas vertentes, onde tivemos mais de 79 concorrentes e na altura o valor que conseguimos estimar foi um milhão de euros de investimento no território.

Por fim, no terceiro ponto, o objetivo é  passar ferramentas relacionadas com o Creative Camp que tem a ver com um conjunto de dez ações, sobre vários tópicos daqueles criativos que querem criar um negócio. Como é que o podem constituir, que bases é que têm que ter, que financiamentos é que existem e por fim, que ferramentas é que podem utilizar para melhorar as suas próprias ideias.

Projetos como estes tornam-se essenciais para dar força a quem tem essas ideias?

Um projeto destes dá maior visibilidade a estas pessoas, que estavam muito ao nível do seu município a trabalhar,  o que se pretende é que estes projetos saiam também um bocadinho para fora desses municípios, das suas regiões, porque surgiram estruturas que agregaram, deram capacitação, deram formação, portanto, o objetivo é pegar nas capacidades que já existem e dar-lhes  visibilidade.

É em co-working, em cocriação que bons projetos podem acontecer. Eu gosto muito daquela frase que é “sozinho vou mais rápido, acompanhado vou mais longe”, e é portanto esta questão do ir mais longe que nos interesse, não é o ir mais rápido, é chegar mais longe, ir mais longe e continuar mais longe.

Para um criativo que comece a trabalhar no Porto, a grande dificuldade dele será superar o impacto das grandes marcas e empresas.  Aqui neste caso o impacto é aparecer, mostrar-se, é por aí que o projeto culmina com o mercado criativo?

Sim, exatamente, mostrar que a região tem praticamente tudo e que tudo é funcional.

Aqui há uns tempos, participei no plano estratégico da UTAD e uma coisa que os alunos me diziam, de Viseu era: “Vai para Vila Real? Para Trás-os-Montes?”  como se fosse do outro lado do mundo e eu acho que nós temos muito de vencer estes estigmas das palavras, ou da região porque várias empresas das industrias criativas só têm vantagens em aqui estar porque os custos são muito mais baratos, existem condições melhores no interior do que no litoral.  

Pedia-lhe que me falasse do mercado criativo.  Qual é o plano de atividades?

O mercado vai ser multiespacial e vai começar no dia 29 à noite com um dos premiados que é o “Lago dos Caretos” no teatro de Vila Real, a entrada é livre mas é necessário bilhete.

Vamos começar aí porque nós só temos o mercado disponível à tarde, e vamos ter que montar uma logística doida, portanto vai ser trabalhar tarde e noite, até aí vamos ter de ser criativos (risos…).

Decidimos criar o mercado porque é uma coisa diferente, montar uma tenda na avenida, era mais uma, ir para um pavilhão, era mais uma feira. As pessoas que lá vão, vão ver que é um mercado num edifício muito bonito, vamos ter 30 expositores, e cerca de 6 espaços dedicados à gastronomia, onde as pessoas possam estar porque o objetivo é que as pessoas possam passar lá o dia. Vamos ter também vários workshops temáticos, animação durante as refeições, e um espetáculo à noite.

Sábado dia 29 o mercado abre às 10h com os expositores e vamos logo ter uma palestra participativa sobre arquitetura e outra sobre design, depois vai haver um intervalo para as refeições e vamos ter musica ambulante, animação e até um espaço para crianças, temos também apresentações de várias empresas criativas.

Domingo de manhã vamos ter um showcooking, o almoço, e à tarde vamos ter também alguns premiados nomeadamente os “Sons do Douro”, e encerrámos por volta das cinco.

No entanto, vamos ainda fazer um encerramento do projeto, que acontecerá no dia 12 ou 13 de abril e que contará com um dos premiados que é a Orquestra Sinfónica do Douro, com um grupo de 60 pessoas, fazendo um resumo de tudo aquilo que fizemos durante estes dois anos.

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