Ministério avalia prejuízos provocados pelo granizo

Na sequência da tempestade de granizo que se abateu no concelho de Vila Real, a Diretora Regional das Pescas e Agricultura do Norte, Carla Alves, afirmou que os técnicos já estão no terreno a avaliar os prejuízos e a prestar apoio técnico.

Foto: Meteo Trás-os-Montes

O final de tarde de segunda feira, nas freguesias de Guiães e Abaças, em Vila Real, ficou marcado por uma forte tempestade que trouxe consigo uma violenta trovoada, acompanhada de queda de granizo com pedras de grandes dimensões que provocaram elevados prejuízos.

Esta terça-feira, à margem de uma conferência organizada na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, a Diretora Regional das Pescas e Agricultura do Norte (DRAPN), Carla Alves, falou aos jornalistas afirmando que os técnicos já se encontram no terreno, sendo que a primeira avaliação pode rondar os 300 hectares de vinhas afetadas.

“O ministério já está no terreno desde esta manhã, nas zonas mais afetadas. Já conseguimos perceber que temos cerca de 300 hectares de vinha com prejuízos”.

De acordo com a responsável, neste momento importa perceber os prejuízos, bem como os possíveis seguros que os viticultores possam ter. Carla Alves lembra ainda que os técnicos no terreno estão também a dar formação aos proprietários das vinhas afetadas indicando os produtos que devem ser usados para o tratamento das videiras.

Foto: Meteo Trás-os-Montes

“Temos de perceber se os proprietários têm seguro de colheitas, é gente que entrega as uvas, ao que sabemos, na Cooperativa de Sabrosa e em outras aqui da zona, o que pode implicar que tenham seguro de colheita coletivo, era ótimo.

Caso não tenham é importante perceber se têm projetos aprovados através do Ministério da Agricultura dos programas VITIS ou PDR, porque pode haver depois um incumprimento do seu plano empresarial.

Depois há o apoio técnico que é essencial dar nesta altura, informar o que deve ser feito depois de uma situação destas, que produtos usar para que a videira recupere o mais rapidamente possível.

Com a câmara estamos a avaliar se há a possibilidade de haver algum apoio para o pagamento deste produto aos agricultores, mas antes é preciso avaliar o custo para perceber da necessidade de estabelecer esse tipo de protocolos.

Ainda é prematuro dizer muito mais mas é importante dar nota aos agricultores que estamos com eles e que os vamos apoiar de todas as formas possíveis”.

A DRAPN recorda ainda que há neste momento, e até ao dia 23 de junho, aberto um aviso para a colocação de redes anti granizo.

“Nesta altura o Ministério da Agricultura tem um aviso aberto para a aquisição de redes anti granizo que vem muito a calhar para quem ainda queira investir. Temos até ao dia 23 de junho para que se possam candidatar. Avaliamos em cerca de 18 mil euros por hectare. É um aviso suportado no pacote “One Generation” que chega a ter apoios na ordem dos 70% a fundo perdido”.

Carla Alves reconhece que “estas redes sejam mais indicadas para aplicar em explorações pomóideas e pernódias”, também podem ser eficazes nas vinhas. “É visível o nível de eficácia das redes apesar do seu avultado investimento”.

Foto: Meteo Trás-os-Montes

Questionada sobre outras soluções que podem ter maior eficácia nas vinhas, Carla Alves informou que o Ministério tem em mãos dois projetos alternativos, que estão a ser estudados e que poderão integrar os avisos do próximo Quadro Comunitário.

“Já recebemos no Ministério propostas de alguns concelhos nesse sentido. Em Armamar, por exemplo, está a ser pensado um tipo de estrutura que são umas torres de emissão de ondas eletromagnéticas, mas há outros com a questão dos balões, por exemplo.

Há pelo menos dois tipo de projetos muito interessantes. O de Armamar deverá abranger toda a área do concelho, já temos o valor desse investimento que é mais de 1 milhão de euros.

Neste momento o PDR está nos dois anos de transição e estas são por norma medidas que terão que ser vistas no próximo Quadro Comunitário, até porque neste momento não há nenhum aviso aberto para esse tipo de investimentos.

Estou certa que vamos avaliar como é que esse projeto funciona, acredito que se os resultados forem positivos terá certamente o apoio de fundos comunitários, até porque abrange diversas áreas, desde a tecnologia às questões ambientais”.

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