Nuno Augusto: “O Regia-Douro superou as expectativas iniciais que se podem colocar a uma estrutura destas criada no interior”

Finalizado o terceiro TGV, fórum organizado pelo Regia-Douro Park, o VivaDouro conversou com o diretor do parque de ciência e tecnologia, Nuno Augusto, sobre esta iniciativa fazendo ainda um balanço do trabalho desenvolvido ao longo destes três anos que o parque se encontra em atividade.

Passaram três anos desde a inauguração do Regia-Douro Park, que se deu no dia 20 de maio de 2016. Qual é o balanço do trabalho desenvolvido até ao momento?

É extremamente positivo porque conseguimos concretizar todos os objetivos que nos propusemos a alcançar e, em vários casos superamos mesmo as expectativas iniciais que se podem colocar a uma estrutura destas criada no interior.

Desde logo, conseguimos ter uma dinâmica muito interessante criando uma rede empresarial e empreendedora muito boa, o que fez com que a nossa base fosse realmente sustentável, o que levou rapidamente ao esgotamento da capacidade de acolhimento, tanto na incubadora/aceleradora como também no espaço mais dedicado ao setor agroindustrial que é o Centro de Excelência do Vinho e da Vinha.

Em relação ao loteamento embora tenha demorado mais um bocadinho a consolidar alguns projetos, grande parte deles ainda estão em consolidação, houve também uma grande procura por parte das empresas para a ocupação de lotes. Atualmente temos seis empreendimentos em fase de laboração, cinco em fase de construção e os restantes em fase de licenciamento ou em procura de financiamento.

O Regia-Douro Park trouxe para a região uma nova linguagem empresarial e uma nova dinâmica com o polo tecnológico de excelência dedicado à vinha e ao vinho. Quais têm sido os principais desafios?

Em primeiro lugar, não havia nenhum polo deste género no interior e a principal limitação era a criação de uma rede empreendedora. Tinham já havido algumas experiencias, nomeadamente uma incubadora na UTAD mas muito pequena e muito limitada, e uma outra criada pela autarquia mas que nunca tinha apresentado uma grande dinâmica, de facto estávamos a trabalhar em cima de uma corda sem rede.

A principal limitação era, e é, a debilidade do nosso tecido económico porque existem muito poucas empresas de dimensão, muitas delas no início e a atravessar a crise económica do inicio da década. Essa é realmente uma limitação associada a um empreendedorismo um pouco débil.

Vê-se muita gente nova, novos empresários. Existe aqui uma grande relação com a UTAD. O trabalho em conjunto das duas instituições são fundamentais na fixação da população, nomeadamente a mais jovem?

Sim, sem dúvida. Tentamos cada vez mais aumentar a nossa relação com a UTAD visto que esta estrutura está associada à universidade e esta é sempre o grande motor e impulsionador principalmente na criação de novos empreendedores. Nesse aspeto, tem como principal motor o próprio centro de excelência do vinho e da vinha, no setor vitivinícola já que é esse um dos grandes responsáveis impulsionadores da economia regional.

Tendo em conta a realidade da região, só assim fazia sentido criar o Regia-Douro Park?

Sim, obrigatoriamente. O modelo dos parques de ciência e tecnologia está definido tendo por base, obrigatoriamente e como principal base uma universidade. Em todo este processo, a câmara, não sendo a importância do financiamento que tem (e em especial em Vila Real que a autarquia aposta no empreendedorismo e na fixação de população) seria dispensável, mas o papel da UTAD é realmente indispensável, estando diretamente relacionada com o nosso sucesso.

Hoje em dia, as alterações climáticas são cada vez mais evidentes. Existem aqui vária empresas que têm desenvolvido dinâmicas em torno desse assunto. Gostava, ou tem ambição, que algum desses projetos se tornasse internacional?

Sim, temos várias empresas ligadas ao ambiente, em especial uma que é a Spawnfoam que é construída por dois alunos da UTAD, que tem por objetivo aproveitar os restos das limpezas da matas para criar um aglomerado que pode ter diferentes utilizações como por exemplo para a criação de vasos ou para a industria de mobiliário ou para a construção civíl. Este é um projeto que temos acarinhado desde há algum tempo a esta parte. É possível que a curto prazo se torne um projeto internacional que será falado como um exemplo.

Tirei nota de dois programas fundados aqui, como por exemplo o Regia Douro Empreendedor, que é um projeto que já terminou. O que é que se tirou deste programa e qual o seu resultado?

O principal objetivo desse programa foi ajudar a região e o setor empresarial da região a terem contacto com o que é o empreendedorismo. Tinha várias fases de atuação, desde empresas já criadas, a novos empreendedores onde fosse possível fazer uma analise económico-financeira. Foi talvez o maior projeto que nós tivemos e permitiu criar uma rede de contactos muito interessante e um conjunto de guias nos setores mais importantes como restauração, vinho e vinha, azeite e frutos secos, permitindo-nos criar cerca de 30 novos negócios.

Outros dos projetos a que o Regia-Douro Park está ligado é o UNI+i que decorre até ao final deste ano. Qual a importância deste programa na estratégia futura do Regia-Douro Park?

O objetivo é dentro das regiões que estão envolvidas no projeto haver melhores praticas no que diz respeito ao empreendedorismo e adoção de métodos para a criação de empresas. E alguns dos parques tecnológicos envolvidos no projeto estão muito mais desenvolvidos que o nosso, permitindo-nos assim aprender com eles.

Claro que é também importante criarmos a nossa própria rede de forma a que essa tenha futuro em, por exemplo, novas trocas comerciais.

Nuno Augusto e Rita Estácio

Relativamente ao TGV. Este é o maior evento organizado, como é que surge a criação deste fórum?

Nós temos uma responsabilidade regional que tem a ver com a criação de dinâmicas económicas e empreendedoras da região, no entanto era importante haver aqui a marca da organização para passarmos para um patamar nacional.

Olhando à nossa volta, decidimos que o mais importante era passar por uma aposta muito forte no setor do vinho e vinha, já que estamos situados no Douro e não dissociar os vinhos da gastronomia, promovendo o turismo associado às nossas paisagens fantásticas.

O titulo destes três itens permitiu-nos criar o TGV utilizando as iniciais dos nomes dos três ramos económicos. Criamos então este evento para trazermos bons oradores nacionais e internacionais, para a eles se juntarem professores, alunos e jovens empreendedores.

Há aqui um espécie de trocadilho com o comboio de alta velocidade.

Sim, o nome foi construído com base nisso, porque o nosso objetivo é mesmo ir mais longe, mais rápido e ver para além.

Já caiu o pano sobre esta 3ªedição e peço uma apreciação final deste TGV.

Ultrapassou as expectativas, a organização esteve irrepreensível e os temas específicos de cada dia foram muito bem escolhidos e fomos assertivos na escolha e, o convite criterioso dos oradores fez com que tivéssemos painéis muito interessantes. Quisemos falar também de Vila Real e os seus pontos fortes como cidade e falamos também do futuro.

Em relação à gastronomia demos uma especial atenção ao produtores da carne DOP e os seus consumidores. Em relação ao setor do vinho e da vinha, este ano quisemos homenagear um jornalista que fez 30 anos de carreira, dando relevância ao vinho DOP que tem tido uma importância cada vez mais relevante e falamos também dos grandes enólogos da região. Já dentro do turismo discutimos como promover a marca da região como um todo e tivemos Carlos Coelho, que é um especialista em marketing territorial.

Realizadas as três edições deste fórum, quais são as principais ideias das três áreas?

É preciso trabalhar a marca Douro como um todo. Existem muitas entidades a fazer promoção. No turismo temos a problemática da mão de obra, porque este ainda é bastante sazonal. Na gastronomia é de facto a dificuldade que temos em valorizar os produtos, porque estes têm um custo de produção bastante elevado, como é o caso da carne, sendo que os produtores destas carnes são bastante idosos o que é um problema. Em relação ao vinho, podemos realçar o forte crescimento mas também a descaracterização dos mesmos e a adoção de métodos mais tracionais.

O Regia-Douro Park pode e deve ser um pilar na promoção da marca Douro?

Podemos ser o que as pessoas quiserem. Queremos claro ser um parceiro em todos os eventos que podemos estar mas, ao fim destes três anos, podemos sentir orgulho na estrutura que construímos e temos de bom grado feito o investimento que vai para além das nossas hipóteses fazendo um trabalho assim mais alargado.

Temos vontade, massa critica e poderemos ser também uma importante referencia para a região.

Falta ainda perdermos a divisão do Douro?

Acho que somos todos iguais, mas, falta mais união e mais trabalho de equipa que deve ser cimentado na região. Portanto, é impensável que cada um provavelmente consiga ter uma estrutura como a nossa porque nós temos a UTAD que faz toda a diferença.

Um comentário em “Nuno Augusto: “O Regia-Douro superou as expectativas iniciais que se podem colocar a uma estrutura destas criada no interior”
  1. Régia-Douro Park ou coisa parecida…mas afinal, quando as matas e montes foram expropriadas aos (pobres) proprietários de Andrães e Constantim era para “Parque de Ciência e Tecnologia”…o que é que aconteceu, afinal?!… Não haverá para ali “gato escondido com rabo de fora?!” Talvez um dia…a verdade venha ao de cima!!!

Comments are closed.