Rui Santos apresenta queixa-crime por ameaças de morte

O autarca de Vila Real, Rui Santos, anunciou ter apresentado uma queixa-crime, ao Ministério Público, por ameaças de morte feitas na rede social Facebook.

Os factos recuam aos dias 6 e 7 de janeiro quando António Lagoa, escreveu alguns comentários na sua página de Facebook, a propósito das obras na Avenida Carvalho de Araújo.

“Nos dias 6 e 7 de janeiro, na pagina de Facebook deste senhor, foram publicadas diversas mensagens que me visavam e que configuram enquadramento criminal.

Estas injurias foram já participadas por mim ao Ministério Público, ao abrigo dos artigos 153 e 189 do Código Penal, porque atentam contra a minha pessoa, há ameaças de morte a mim e à minha família”, conta Rui Santos.

O autarca lembra que tem dois filhos e que estes acabam por ser confrontados com estes comentários, situação que resulta no receio que algo lhes aconteça.

“Tenho dois filhos, um com 21 anos e uma menina com 11 que com certeza têm acesso a este tipo de comentários, fui inclusive contactado por uma educadora da minha filha perguntando-me se ela necessitaria de algum acompanhamento porque os colegas falavam sobre este tema na presença dela.

Este tipo de comentários é absolutamente vergonhoso, eu não tenho medo de ninguém, podem-me dizer que esta gente é louca mas são esses loucos que matam gente nos Estados Unidos, em Oslo ou em tantos outros lugares.

O Presidente da Câmara de Vila Real, seja eu ou outro qualquer que aqui esteja, não pode estar sujeito a este tipo de ameaças.

Não tenho nenhum receio por mim embora tenha a consciência que as coisas acontecem, em Portugal e no Mundo mas não é por isso que irei deixar de fazer aquilo em que acredito. Tenho sim, receio pelos meus, sobretudo pelos meus filhos e pelos restantes membros da minha família. Tenho um pai com 76 anos e tenho receio que, confrontado com uma coisa destas, tome alguma atitude menos ponderada.

Esta pessoa é com certeza perigosíssima, olhando ao que escreve”, conclui o autarca.

Para Rui Santos, as críticas à obra da Avenida Carvalho de Araújo são válidas, desde que dentro das regras da democracia, regras essas que afirma terem sido ignoradas nos comentários que levam a esta queixa-crime agora apresentada.

“O projeto da Avenida Carvalho de Araújo foi alvo de três consultas públicas, de um debate e grande discussão. Eu aceito todas as críticas, mesmo aquelas que têm um lado mais sentimental. Há quem concorde com o projeto e há quem o critique, neste concelho somos cerca de 50 mil pessoas e provavelmente cada um de nós faria um projeto para a sua avenida em concreto mas nada, rigorosamente nada, justifica este tipo de ameaças, por isso é que vamos agir judicialmente, mostrando a estas pessoas que incentivam ao ódio que não é assim que se vive em democracia.

Quem tem o desplante, seja com que motivo for, de dizer que abater uma árvore é um crime, chamando-me criminoso, inclusivamente alguns funcionários camarários, merecem com certeza ser penalizados”.

Confrontado pela nossa reportagem, António Lagoa mostrou-se surpreendido com a queixa-crime, afirmando que se sente um bode expiatório numa situação em que as críticas são várias à atuação da autarquia neste projeto.

“Eu quando era pequenino tinha medo do escuro mas do claro nunca tive medo. Qual é o objetivo que ele pretende, que eu vá preso? Pois eu lá dentro continuarei a falar, ganha é um problema acrescido.

Sinto-me um bode expiatório de todas as críticas que o projeto e o Presidente da Câmara têm recebido.

Eu não fiz ameaças nenhumas, só disse verdade. Eu não ameaço, quando tenho que bater bato. Quem planta uma árvore nunca toma a sombra dela e ele vai morrer e não vai tomar a sombra das árvores que vai plantar”, afirma.

Questionado sobre as discussões públicas a que o projeto foi sujeito, António Lagoa afirma não ter tido conhecimento delas, acusando mesmo o município de as ter feito de forma encapotada, evitando assim a confrontação daqueles que discordam da intervenção.

“Ele, se fosse homem fazia consultas públicas como deve ser, não quase off the record em que estão lá os mesmos carneiros de sempre a votar no mesmo bode. Não soube de qualquer consulta pública, onde é que isso foi publicado, colocaram cartazes na cidade?

Eu sou totalmente contra esta obra, não gosto nem sei até que ponto será bom para o turismo porque praças cheias de granito há em qualquer lugar. É certo que várias coisas estavam mal mas esta não pode ser a solução, deitar tudo a baixo, cortar todas as árvores que parece que só servem para pendurar as luzinhas de Natal.

Eu não sou contra a câmara ou contra esta corja. Com a corja eu dou-me bem, não te dás com eles não te juntes a eles, já diz o ditado.

Nunca recebi nada deles, têm um Parque do Alvão para promover que nunca promoveram mas têm uma avenida para promover. Talvez a minha filha deixe de viver em Vila Real porque isto já não lhe diz nada, a mim também não porque eu já quase não vivo cá”.

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