Três mulheres fazem do sonho realidade em Moçambique

Paula, Dina e Ana são três mulheres, naturais de Vila Real, com um sonho, contribuir para uma vida melhor para as crianças de Moçambique onde planeiam abrir uma segunda escola seguindo o sucesso atingido com o primeiro projeto.

Para perceber como se chega aqui temos que recuar a 2011 quando Paula Teixeira ficou a conhecer a Helpo e o seu projeto de promover o desenvolvimento nos PALOP através do apadrinhamento de crianças à distância.

“Quando tive conhecimento do projeto tratei logo de apadrinhar uma criança, foi algo imediato”, confessa Paula que continua a contar que logo nas primeiras cartas trocadas com o seu novo afilhado ficou com vontade de ir até Moçambique para o conhecer pessoalmente. “Fiquei fascinada e logo com vontade de o conhecer e de conhecer de perto a realidade com que vivia”.

Em 2013 Paula partiu para Moçambique, na companhia de outro padrinho português, com um objetivo claro, conhecer o afilhado que apoiava e com quem se correspondia. “Ia um pouco de receio, é uma realidade completamente diferente da nossa, receava os perigos por que teria de passar”, conta.

A viagem correu bem, Paula conheceu o seu afilhado e regressou a Portugal, continuando a corresponder-se com ele.

“Em 2015 surgiu uma nova oportunidade de ir a Moçambique, desta vez uma viagem organizada pela associação com mais seis padrinhos. Como já era a segunda vez ia mais tranquila, mais disponível para absorver novos conhecimentos”, conta Paula.

Terá sido essa tranquilidade que num dos dias fez Paula reparar num grupo de crianças que estava por perto, sentados debaixo de uma árvore até à chegada da professora “que trazia o quadro à cabeça”. O cenário não lhe saiu da cabeça e logo nessa noite começou a tentar perceber o que mais poderia fazer. “Não tinha nada na cabeça mas fiquei logo com a ideia de construir uma escola. Mesmo quando regressei a Portugal não disse nada a ninguém mas era uma ideia que não me largava. Todos os dias, quando deixava o meu filho na escola, ficava a chorar, a pensar o que seria feito daquelas crianças. Um dia simplesmente liguei para a direção da Helpo, em Lisboa e perguntei se o coordenador de Moçambique já lhes tinha falado da minha ideia de construir uma escola. Ficaram muito surpreendidos de eu querer avançar com a ideia mas apoiaram-me desde o início”, foi o começo do projeto Ajuda-me a construir uma escola em Moçambique.

A partir daí Paula começou a tratar de angariar o dinheiro, eram precisos 30 mil euros que foram angariados entre donativos, excursões, venda de merchandising criado para o projeto, eventos e a participação em feiras de artigos em segunda mão onde “vendia tudo que tivesse em casa e que não fizesse falta”.

Pelo caminho conheceu Dina que, ao ter conhecimento do projeto, entrou em contacto para ajudar, “mandei uma mensagem a pedir que me enviasse algumas agendas para ajudar a vender”.

Com tanta entrega, Paula decidiu falar com a organização para levar a Dina consigo a Moçambique para inaugurar a escola, mais uma ideia aprovada, faltava dar a notícia à sua “tesoureira”, como dizem em tom de brincadeira.

“Quando lhe disse começou a chorar”, conta Paula, “até me custou acreditar mas disse logo que sim”, completa Dina.

Os planos eram para que a viagem se realizasse mais para o final do ano, após a construção da escola estar terminada. Em junho, Ana e Paula encontram-se e a fotógrafa disse logo que queria ir com Paula, bastava que a avisasse da data. Daí a outubro foi uma questão de esperar que o dia chegasse. A escola foi inaugurada e passou a servir para educar mais de 400 crianças em Teacane, Nampula.

Com a escola inaugurada Paula confessa que pensou “missão completa” mas, as suas duas novas amigas tinham outros planos, construir uma nova escola. Não conseguindo recusar o desafio, foi uma questão de escolherem o local para o novo estabelecimento de ensino, desta vez o destino será a província de Cabo Delgado, no norte do país.

Agora recomeçou a angariação de dinheiro, o método será o mesmo do projeto anterior. Lamentam não receber mais apoio por parte das entidades oficiais da cidade mas acreditam que vão conseguir juntar a verba necessária para regressarem a Moçambique e mudar a vida de algumas centenas de crianças.

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