UTAD colabora no estudo e desenvolvimento de Biocombustíveis

Paulo Carmona e Fontainhas Fernandes

Paulo Carmona e Fontainhas Fernandes

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), através do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas (CITAB), vai colaborar com a Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC) para o estudo e desenvolvimento de biocombustíveis, com vista à transposição de diretivas comunitárias para o direito Nacional. O protocolo foi assinado no passado dia 8 de junho na Biblioteca Central da UTAD.

Este protocolo, assinado entre a UTAD e a ENMC, surge no seguimento do objetivo global de redução de emissões de gases com efeito de estufa e a contribuição significativa para essas emissões dos combustíveis para transportes rodoviários e as recentes alterações adotadas a nível europeu – Diretiva EU 2015/513 – sobre a sustentabilidade acrescida dos biocombustíveis, que prevê metas mais ambiciosas e critérios de sustentabilidade mais estritos e a adequada transposição para o direito nacional.

“Trata-se de uma diretiva ao quadro que é necessária cumprir e portanto as instituições que têm competências na área dos biocombustíveis e bioenergias como é o caso da UTAD devem colaborar nesse sentido”, explicou António Fontainhas Fernandes, reitor da instituição transmontana.

“Neste caso para nós tem outro significado uma vez que também temos como marca o Eco Campus e todas as questões ambientais, nós consideramos que este Campus deve ser um laboratório vivo onde as instituições possam testar o seu conhecimento”, acrescentou.

Na opinião de Paulo Carmona, presidente da ENMC, o protocolo assinado é “extremamente importante”, uma vez que “temos uma diretiva para transpor nesta área dos biocombustíveis e uma política de biocombustíveis europeia que é complexa e isso exige de todas as entidades que têm algum contributo a fazer nesta área, nomeadamente as universidades, que nos deem a uma perspetiva do que é que poderá ser feito em Portugal, na utilização de matérias-primas, de resíduos para a produção da bioenergia”, afirmou aos jornalistas.

“De forma a criarmos uma política portuguesa de biocombustíveis, compatível com a política europeia mas que possa aproveitar as nossas matérias-primas endógenas e todo o trabalho que é feito pelas nossas universidades e que essa produção de conhecimento possa ser utilizada por todos os portugueses por via de uma transposição de uma diretiva que possa aproveitar e agregar esse conhecimento”, acrescentou o presidente da ENMC.

A colaboração da UTAD, através do investigador do CITAB, Amadeu Borges, vai incidir no estudo das emissões de gases nocivos ao meio ambiente, resultantes da utilização de biocombustíveis, quando comparadas com as dos combustíveis de origem fóssil, com vista ao seu melhoramento; no estudo da performance de motores, quando alimentados a biocombustível; e na produção de biocombustíveis gasosos.

A universidade transmontana revelou ainda recentemente que se encontra a desenvolver um biocombustível sólido que resulta do aproveitamento de desperdícios de engaço e bagaço de uva, podas da vinha e de olival e de dejetos animais e outros subprodutos agropecuários.

Este projeto prevê a eliminação e aproveitamento de subprodutos da exploração agropecuária com vista à redução do impacto ambiental.

Transformados em estilha, em peletes e em briquetes, estes serão um biocombustível sólido, cujas principais vantagens serão a valorização económica e energética, mas também enorme potencial técnico, económico e ambiental.