25 de abril, 45 anos de liberdade

Do momento da liberdade de todo um povo, até aos dias de hoje, passaram 45 anos com Portugal a passar por momentos de maior ou menor desenvolvimento, contudo, num ponto todas as opiniões são unânimes, sem o 25 de abril estaríamos bem pior.

A propósito desta data o VivaDouro falou com intervenientes políticos dos cinco principais partidos nacionais com representação nos diferentes órgãos autárquicos da nossa região, ouvimos ainda o único autarca independente da CIM Douro.

Nuno Gonçalves – Presidente da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo (PSD)

Como viveu o 25 de abril de 1974?

Em 1974 eu tinha três anos mas recordo-me dos pós 25 de abril, lembro-me das primeiras eleições, eram milhares de pessoas em fila, e eu gostava que hoje, que temos taxas de abstenção tão elevadas, as pessoas recordassem essa época para participar numa posição ativa. As brigadas do exercito com o megafone a explicar o que era uma revolução, eu ficava sentado a ouvir… mas isso não me disse nada. Mas recordo-me dessa ida às urnas. As pessoas a aguardarem, para dizer “eu votei, expressei o meu voto” este é mesmo um bom momento para apelar, para ter-se a consciência de votar, votar é a vontade daquilo que queremos. Quem não vota pode reclamar de tudo, mas não contribuiu para esse bem ou esse mal.

Passados 45 anos como está Portugal?

Passados todos estes anos gosto de ouvir aqueles que participaram no 25 de abril e eu vivi numa casa mesmo politizada, sabermos o que era a esquerda e direita, saber o que era o partido popular democrático… e isto fazia-me lembrar muito as conversas de casa e é essa social democracia que eu me revejo. Nestes 45 anos e quando fizemos aqui uma homenagem, foi muito bom porque foram essas pessoas que levaram a eletricidade, a agua onde não haviam. Hoje temos tudo. Mas há necessidade de revolução demográfica e de mentalidades, temos de pegar em armas ideológicas e não físicas. É o que existe e não conseguimos modificar certas coisas. Vejo nestes 45 a grande revolução dos indignados por haver uma maior relevância ao interior porque as pessoas pensam que o interior é paisagem, e que cada cêntimo aqui é mal gasto e eu acho que isto é mau.

Em termos de região, como vê a região do Douro hoje?

Vejo um Portugal num todo que não há comparação mas temos um grande problema, temos uma massa critica muito litoralizada. Eu sou contestatário com muitas reflexões que são feitas, eu concordo quando se diz que no Douro as modificações têm de se fazer com pinças. Se queremos ter um Douro preservado não podemos fazer do Douro uma costa litoral algarvia, onde foram feitos inúmeros atentados urbanísticos.

Tudo o que temos deveu-se ao suor, lágrimas e trabalho das gentes que fizeram o Douro, o que ele é hoje. Houve capacidade de tirar das pedras sustentabilidade. Hoje há uma preocupação das diversas entidades em preservar tudo o que é fauna e flora, esquecendo o Homem, influenciando negativamente o Douro. Espero desta, uma região que impulsione a economia portuguesa. 

O que falta para os próximos 45 anos?

O Douro vai ter um papel fulcral. Acredito na regionalização que não seja discutida e desenhada. Não acredito numa regionalização que seja movida pela Área Metropolitana do Porto, não acredito que seja litoral, acredito onde houver o equilíbrio nos cargos, havendo uma competência grande que venha para a região, e para as regiões que sejam mais necessitadas. Acredito na regionalização como um todo de mudança, acredito no Douro em como ele se tem movimentado e afincado, com toda a diversidade nos seus 19 municípios visto que este é um exemplo de sucesso. Estou certo que todos estaremos a remar para o mesmo lado. Prevejo um bom futuro para esta região.

Carlos Gomes  – Coordenador do BE em Vila Real

Como viveu o 25 de abril de 1974?

Foi inesquecível porque eu estava na tropa, na força aérea em Tancos e curiosamente pensava que o 25 de Abril fosse no Primeiro de Maio. Acabei por ter uma desilusão grande, porque ao ter este pensamento, em conversas anteriores que tive com militares que lá estavam la na altura, com quem conversávamos,  sentimos uma tensão de que algo grande estaria para acontecer. Nas conversas que tínhamos, e nessa altura já eu tinha desistido, eu talvez na ingenuidade daquilo que eu lia considerava que a razão mais plausível era fazer algo no dia um de maio. Um dos militares disse-me que eu poderia ter razão mas que seria antes ou depois, até pelo seu simbolismo, acabamos de jantar e fui conversar com outras pessoas e convidaram-me para beber um copo com o capitão na sua casa em Abrantes, mas acabei por dizer que não ia. No dia de manhã fui ao quarto ver e já não estavam lá os militares. Foi uma grande festa.

Passados 45 anos como está Portugal?

Eu sou europeísta, sabe bem entrar num comboio aqui e sair na Polónia. Agora, quero outra europa, uma europa mais democrática e com mais direitos para as pessoas, uma europa dos direitos dos trabalhos. Não quero que Portugal saia da Europa. Mas quero uma europa mais justa e dos cidadãos, e apoio a mensagem de Marisa Matias.

Em termos de região, como vê a região do Douro hoje?

Eu sou a favor e apoio esta região do alto douro. As CIM como estão hoje não estão a funcionar. Acho que há uma linha que separa o Douro de Trás-os-Montes do Douro Vinhateiro. Esta região tem 12500km quadrados por isso acho que ganhava mais força individual. É preciso combater o centralismo.

O que falta para os próximos 45 anos?

De ponto de vista legislativo, eu imagino um futuro sem CIM’S. Não sei se seria possível.  No tempo futuro, esta região tem um potencial incrível e oferece um produto bom e com qualidade, uma bela paisagem, espaços muito bons. É preciso começar um processo que não está a acontecer com alguma massa critica. Imagino uma região que consegue por si só decidir o seu futuro. Imagino bons tempos para esta região.

Domingos Carvas – Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa (PS)

Como viveu o 25 de abril de 1974?

Há duas ou três situações que me marcaram. Lembro-me do meu pai ser um amante da telefonia, porque na altura nem televisões havia, e por isso lembro-me de ele estar sempre com  o rádio a ouvir. Com 13 anos já andava no secundário e lembro-me de não haver aulas e de as pessoas comentarem que ia haver uma guerra. Uma marca do 25 de abril era que nós tínhamos aqui ligado em Saborosa um senhor a que chamávamos PIDE e eles vieram prender o homem, os carros militares pararam ali em cima perto do hotel e saíram os militares e eu vi que vieram prender “PIDE”. As informações demoravam muito a chegar, a rádio era o único meio de comunicação e isso fazia com que as noticias chegassem tarde. Salgueiro Maia, não nos dizia nada..  o nome mais falado era o Mário Soares, até porque o meu pai era um homem de esquerda e falava-se dele no exílio. Anos a seguir apareceram  pinturas nos muros das escolas alusivas ao 25 abril e a musicalidade aparece ligada à cantoria alusiva ao dia.

Passados 45 anos como está Portugal?

Está muito melhor. Quem diz que não está melhor, está a mentir. Manter o público ignorante e inculto era fazer dele aquilo que queria. Hoje o Douro está melhor também. Tudo está melhor. Saudades daquele tempo? Não tenho nenhuma. Manteiga? Queijo? Não sabia o que era isso, porque as pessoas trabalhavam de sol a sol e ganhavam uma miséria. Eu trabalhei no campo, nunca deixei foi de estudar, mas na ocupação dos tempos livres, não havia nada, os meus eram numa quinta a trabalhar, ia para qualquer lado. Afirmo que de um lado estava o inferno e do outro está o paraíso, hoje estamos no paraíso.

A liberdade que vivemos em 1974 foi a liberdade sem regras que serve para tudo, para dizermos o que nós queremos que assenta na livre expressão do que compramos, comemos, bebemos e publicamos, é à vontade de cada um. Democracia é uma coisa, liberdade é outra. Fazem ambas falta, mas o excesso de liberdade que a democracia nos dá, levam-nos a um mau caminho, faltas de educação, de civismo… isso não é liberdade, é uma falta de civismo, mas isto confunde-se muito. A evolução tecnológica encaminhou-nos para aqui apesar de achar que a evolução politica foi muito lenta porque os partidos não conseguiram acompanhar a evolução tecnológica e agarram-se a conceitos que são inexistentes.

Em termos de região, como vê a região do Douro hoje?

Quando vejo fotografias antigas, tenho saudades das pessoas. Do regime, das vivências, saudades nenhumas. Descalço nunca andei mas quantos colegas iam para a escola descalços?

Se olharmos o programa “Conta-me como foi”, eu sou daquele tempo e vi e vejo lá atores que representam o antes do 25 de abril e o pós e eu não tinha nada daquilo… eles têm televisão, o senhor já tinha um carro etc… Aquilo era mais em Lisboa. Eu nunca tive na escola primária um marcador por exemplo, nem sabia o que era um esquadro. Eramos pobres, apenas algumas famílias viviam a cima da média, ou tinham um pedaço grande agrícola ou simplesmente eram ricos… quando olho para aquela gente e vejo a figura daquela moça a fumar, diria que aquilo era de Paris, e não de Lisboa, não haviam mulheres a fumar, não se ia ao café tomar café, ia ver-se televisão porque era o único sitio onde se podia ver, por exemplo a Gabriela e na rádio passava “Simplesmente Maria”. Isto foi o que mais me entristece, porque as pessoas (poucas) tinham e eu não tinha.

O que falta para os próximos 45 anos?

Estragamos mais do que aquilo que temos. Acho que falta unificação. Deveria pôr-se a europa a funcionar. Como os E.U.A, se caminhamos para lá, não sei, é uma utopia? Tudo o que é utópico nem sempre é irrealizável, as coisas podem ser reais. Não sei se temos personagens para liderar este filme porque é mais fácil ser populista do que realista, não sei. O populismo vai dominar a europa porque é fácil ser-se populista quando estamos na oposição. Estes movimentos estão a aparecer porque os “normais” são gatunos, corruptos basicamente. Mas mesmo que não sejam assim as coisas, eu nunca vi tanto politico corrupto, mesmo que não houvesse tanta fiscalização como agora, mas ninguém tem um ex-governante que não tenha estado envolvido em alguma situação de corrupção, isto mancha a imagem da politica.

O 25 de abril era “o povo é quem mais ordena” mas o povo é roubado e não manda nisto. Há uma péssima gestão de dinheiros, fico horrorizado quando andamos há duas semanas a discutir quem tem grau de parentesco no governo, isto são futilidades. Algum dia num pais a sério se deixaria que as pessoas trabalhassem em três sítios ao mesmo tempo? Enquanto houver este pensamento, vão haver sempre pessoas a ganhar muito e pessoas a ganhar pouco, o país vai perdendo competitividade obviamente. A justiça não é para todos, é comprada. Há sentenças que se compram… É o pais que temos. Mas, por pior que estejamos agora, estamos sempre melhor principalmente claro para aqueles que passaram mal. Depende daquilo que as pessoas viveram. Para quem comeu o pão que o diabo amaçou, não há ninguém que tenha saudades, de certeza.

Avelino Gonçalves – Militante do PCP

Como é que viveu o 25 de abril de 1974?

Um dirigente sindical, tinha chegado a casa por volta das três horas da manha vindo da sede, onde era presidente da direção e tinha tido há uns dias a noticia de que estaria em operação um movimento militar com apoio de setores da oposição de um movimento democrático, na altura não achei que fosse verdade mas aconteceu. Eram sete da manha, uma advogada telefonou-me e informou-me do movimento das forças armadas e para espalhar-mos noticias. Quando me fui deitar não tinha alguma noticia do que estava a acontecer. Vim para a baixa, pedi boleia a um camarada e era a melhor forma de chegar rapidamente, passado minutos estava à porta dos bancos, e todos ficaram lá dentro para defenderem os interesses dos Portugueses. Ao almoço houve uma reunião com muitos sindicatos e começamos a tratar de contribuir, tinham encontro marcado para esse dia que era clandestino, eu fui ao encontro e disse-me para tratarmos das coisas. Recordo-me que estive com um outro camarada que tinha um encontro clandestino e que nos despedimos não tao seguros como isso, mas com esperança.

Passados 45 anos como está Portugal?

Acho que conseguimos isto muito tempo, com dificuldades no plano económico e financeiro, decorrentes da crise e dos acontecimentos que têm mexido com o nível internacional e nacional, mas apesar de ser desconfiando perante o que decidem, tenho ficado espantado com o descaramento com o que se tem revelado, vimos ações de saque, uns sobre os outros, em alternativas de explorar um clima desenfreado. Estamos longe de construir a sociedade democrática que devíamos construir mas acho que caminhamos nesse sentido e vamos continuar a avançar embora os últimos anos pareçam uma regressão. Espero que não haja uma nova guerra, o que era catastrófico. O homem tem necessidade de encontrar princípios para a correlação da sociedade. Dentro de dias vamos festejar o aniversário e foi marcado dia 6 o dia de comemoração da constituição. Tal como em 1976 a questão que se coloca é que há questões que não estão resolvidas e temos de continuar a lutar pela liberdade, democracia e fraternidade.

Em termos de região, como vê a região do Douro hoje?

Tenho a ideia que a região não fugiu muito aquilo que aconteceu ali perto, a região cresceu muito e um amigo contava-me que quando saia do autocarro trepava para onde morava, era uma montanha e não haviam caminhos, hoje o Douro está coberto de muitas estradas e seguras, apesar da rede de esgotos não estarem concluídos e a distribuição de agua também. Mas de facto está muito evoluído comparado ao que era, aqui em Cinfães e noutros sítios obviamente. Beneficiamos nestes 45 anos de progresso e paz e às vezes arrepio-me em pensar se vivêssemos em situação de guerra como em outros países, amanhã há uma iniciativa reclamando contra a NATO a liberdade, e eu lá estarei porque estive sempre em todas as manifestações relativas à paz, porque acho que é necessário e não devemos desistir de participar mesmo num esforço.

O que falta para os próximos 45 anos?

Depois da sorte a que tivemos de ter acessos a smartphones por exemplo e depois de uma avanço das novas tecnologias, creio que se por ventura mantivermos a paz estaremos muito melhor. Mas muitas vezes lembro-me de um livro onde diz que é possível a opressão mas creio que procura não agir com demasiado medo de usar algo. Acho mal as fotografias constantes e outros pontos mas não vivo com medo. O máximo que pode existir é uma contradição. Não me preocupo muito com isso e portanto tenho esperança que seja um tempo muito mais fácil. Lembro-me de um livro de um autor que imagina pontos atravessando o atlântico, e perguntamos se é possível, e neste momento em que há problemas que surgem todos os dias, procuro perceber a dinâmica do movimento mundial, precisamos de encontrar outros meios. Hoje não consigo adivinhar o tempo os meus filhos e netos, terão de ser eles a tratar do futuro. Já não será comigo.

Manuel Natário Cordeiro – Presidente da Câmara Municipal de S. J. da Pesqueira (Independente)

Passados 45 anos, como olha para o dia 25 de abril de 1974?

Bem, para além desse dia estar necessariamente associado a liberdade, consubstanciada mais particularmente na liberdade de expressão e de livre arbítrio, olho para o dia em si como o dia da instauração e consolidação do regime democrático, o que até aí não acontecia.

No plano da politica mais local ou regional, uma das conquistas mais bem sucedidas da revolução portuguesa do 25 de Abril foi, como se sabe, a instauração do Poder Local Democrático.

Poder local democrático esse constituído por municípios e freguesias que, dotados de verdadeiras competências próprias, levaram a cada um dos territórios um desenvolvimento económico e social notáveis, designadamente no que se refere à construção de infraestruturas básicas que até aí não existiam, como redes de saneamento, abastecimento de água, energia elétrica, vias de comunicação, saúde, entre tantas outras.

Passados 45 anos como está Portugal?

É indesmentível que Portugal evoluiu e muito a partir desta data. Porém, também é verdade que muito do que foi conquistado em Abril de 1974, tem sofrido nos últimos anos sérias ameaças, que colocam em causa o próprio regime democrático, especialmente no âmbito dos direitos sociais e das transformações estruturais da economia portuguesa, com um paulatino empobrecimento ou poder de compra generalizado da população, uma forte pressão sobre a classe média contribuinte, a concentração da riqueza em alguns, o aprofundamento das desigualdades, e, bem assim, a corrupção que atinge de forma alarmante os mais altos responsáveis, gerando a desconfiança cada vez mais crescente nos políticos, nos partidos e nas instituições. No entanto, estou certo que saberemos corrigir o que tem sido menos bom e alterar o paradigma, sem colocar em causa a própria subsistência do sistema democrático

Em termos de região, como vê a região do Douro hoje?

A região do Douro, embora conhecida há séculos pelo Vinho do Porto, é hoje reconhecida mundialmente como nunca foi. Quer por produzir vinhos de elevadíssima qualidade quer pelas suas paisagens. O crescimento do turismo é enorme e a economia da região deveria refletir isso mesmo. Porém, não é bem assim.

Existem atualmente problemas graves no Douro, desde logo a falta de rentabilidade dos agricultores, face ao enorme valor final do produto e ao preço de mercado do mesmo. Outro problema é a falta de investimento do Governo Central nos acessos rodoviários, nomeadamente no concelho a que presido. 

Estes graves desequilíbrios e distorções na Região Demarcada do Douro, têm gerado muita discussão, designadamente a nível político, sendo absolutamente necessário desenvolver um novo sistema de regulamentação face às exigências do mundo moderno, mas sem nunca perder a memória de todo o património de cultura e saber que recebemos.

O que falta para os próximos 45 anos?

Poderia aqui dizer que a imagino totalmente desertificada, mas não. Imagino-a, sinceramente, rica e com boas condições de vida, pois tenho a convicção de que existem e existirão homens e mulheres nos mais altos cargos políticos e institucionais capazes de perceber o valor desta região para o país e definitivamente apostar nela.

Mafalda Mendes – Vereadora Municipal de Alijó (CDS-PP)

Passados 45 anos, como olha para o dia 25 de abril de 1974?

Factos históricos à parte, tudo o que sei sobre o 25 de abril é assente na perceção e opinião dos outros. Nasci em liberdade, e inevitavelmente tenho-a como um dado adquirido. Mas sei valorizá-la, pois ainda assistimos a assimetrias e atropelos de liberdades individuais. No entanto, hoje têm nome e são punidas, embora os nossos tribunais nem sempre funcionem como deveriam, regem-se pelas mesmas leis.

Por mais que o 25 de abril de 74 se afaste das novas gerações não pode deixar de ser recordado e assinalado. A nossa Democracia é jovem e constrói-se diariamente. 

Passados 45 anos como está Portugal?

Vejo um Portugal que se perde na agenda mediática. Formulamos rapidamente opinião, mas não queremos refletir profundamente sobre assuntos nucleares. E isso pode ser um perigo, abrindo portas ao populismo que vemos ser disseminado pela Europa e pelo Mundo.

Como mulher, e após 45 anos da Revolução, preocupa-me que ainda exista um grande caminho a percorrer para alcançar a igualdade de género. Como cidadã preocupa-me que não estejamos preparados para lidar com uma nova alteração nos modelos sociais, políticos e económicos, que será sobretudo provocada pela revolução das tecnologias de informação e da biotecnologia. 

Em termos de região, como vê a região do Douro hoje?

Vejo um Douro fragmentado. Todos os dias ouvimos e falamos do enorme potencial turístico e económico do Douro, de uma marca que é forte, que se consolida e deve ser a alavanca da Região. É claro que concordo com tudo, mas o dia-a-dia, aliás o futuro, faz-se de ações. Já sabemos que nos devemos unir, então vamos a isso. 

O que falta para os próximos 45 anos?

Não é fácil. Depende muito do resultado dos debates sobre o Douro e das ações que vão ser desencadeadas. Mas para um futuro risonho é preciso convergir, dando sentido às palavras. 

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