Adega Cooperativa de Alijó pretende atrair mais sócios

Luís Coelho, membro da direção da Adega Cooperativa de Alijó/ Foto: Salomé Ferreira

Luís Coelho, membro da direção da Adega Cooperativa de Alijó/ Foto: Salomé Ferreira

O VivaDouro esteve à conversa com Luís Coelho, membro da direção da Adega Cooperativa de Alijó, que nos falou acerca das principais dificuldades que a cooperativa enfrenta neste momento, uma vez que se encontra a ultrapassar uma divida de cerca de sete milhões. Leia a entrevista.

Em que contexto surgiu a Adega Cooperativa de Alijó?

Na altura a Cooperativa foi formada porque havia muito vinho e as pessoas não tinham o que lhe fazer e tiveram que optar por se associar e criar a cooperativa, que na altura começou com poucas quantidades e atualmente tem a dimensão que tem.

Quais são os principais objetivos da cooperativa atualmente?

Como estamos numa fase económica bastante difícil o objetivo atual é tentar viabilizar, para isso recorremos a um PER, para nos ajudar a reestruturar toda a nossa divida, o que tem sido um bocado difícil porque houve umas campanhas que não foram pagas ou seja as pessoas foram saindo da cooperativa e para voltar a atrair a confiança dos viticultores é um pouco difícil. Ainda mais numa fase em que já há muita concorrência há volta. Tem sido um trabalho lento, mesmo pagando as campanhas, já temos campanhas pagas desde 2012, para a frente está tudo liquidado, mas mesmo assim é um trabalho difícil.

Qual é a vossa dívida neste momento?

Cerca de sete milhões. Já conseguimos baixar e dentro de poucos dias saberemos a resposta a um novo PER que submetemos.

Sentiram uma queda no número de sócios nos últimos anos?

Não, nós temos vindo a aumentar o número de sócios. Começámos com poucos mas têm vindo a aumentar, ou seja, há pessoas a voltar à cooperativa, só que é um trabalho lento.

Na sua opinião, quais são as principais vantagens para o viticultor em trabalhar com a Cooperativa?

Uma Cooperativa não tem fins lucrativos, da maneira que valorizar a produção na venda irá valorizar o pagamento ao viticultor. Não colocamos limitações, não produzimos muito, são muitos associados só que temos sócios muito pequenos. Essas pessoas numa empresa privada não têm lugar, ficam sem um sítio onde colocar as suas produções.

Quais são os vinhos que mais produzem?

Moscatel, vinho do porto e também brancos e tintos.

A exportação tem sido uma das vossas apostas?

Não muito, atualmente a forma de pagarmos aos sócios para os conseguir atrair aumenta com a comercialização através do granel, ou seja, o que produzimos na vindima temos contrato de venda para podermos pagar de imediato a campanha. Não nos permite manter o vinho nem investir em marketing para a sua comercialização.

Quais são as vossas perspetivas de crescimento nos próximos anos?

Trabalhar com vinhos é um negócio incerto porque pode haver um ano que corre muito bem mas há outros que não, por exemplo este ano é bastante mau porque para além de ter havido graves problemas na afetação de doenças e pragas, nestes últimos dias vieram as trovoadas que limparam uma boa parte das produções por isso o negócio do vinho é um pouco incerto, não há certezas.

Não há então boas perspetivas para este ano?

Este ano vai ser um ano complicado e ainda nem começámos as vindimas.

O que é que os viticultores dizem em relação à colheita deste ano?

Ainda há algumas uvas, mas há viticultores que perderam a totalidade das suas produções este ano. Claro que não ficam contentes, é onde vão buscar algum dinheiro.

A nível nacional, na sua opinião, qual é a principal dificuldade que o setor do Corporativismo enfrenta neste momento?

Nós vemos outras regiões, como por exemplo o Alentejo, que têm a vantagem de ter menos custos de produção, mas aqui o Douro tem um problema que é o elevado número de operadores, são muitos para uma região tão pequena e isso dificulta-nos um pouco a vida porque numa fase de crise toda a gente tem dificuldades em vender.

Portugal distingue-se no setor a nível Europeu?

Os vinhos portugueses têm-se destacado essencialmente a nível de qualidade e de DOC (Denominação de Origem Controlada), tem-se crescido muito. Primeiro era essencialmente o vinho do porto que era conhecido mas atualmente a nível de DOC tem crescido bastante.

Quais são as perspetivas de futuro que tem para a Cooperativa entre cinco a 10 anos?

Num mercado tão incerto, por esse tempo conto já estar a engarrafar maiores quantidades. O meu objetivo é começar a diminuir a venda do granel e ir aumentando a venda do engarrafado até que haja a possibilidade de comercializarmos tudo engarrafado.

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