Aníbal Cavaco Silva: “Não contem comigo para semear o desânimo e o pessimismo quanto ao futuro do nosso País”

Cerimónia militar das comemorações do Dia de Portugal

Cerimónia militar das comemorações do Dia de Portugal

Lamego foi a cidade escolhida para as comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. No habitual discurso que assinala a data, o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, definiu os “quatro grandes objetivos” para o próximo programa do Governo.

No dia 10 de junho todos os caminhos foram dar a Lamego, as comemorações desta data centenária iniciaram-se pela manhã, com a cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal. De acordo com Aníbal Cavaco Silva, “as Forças Armadas foram objeto de sucessivas reformas, sendo a área do Estado que mais se transformou nos últimos quarenta anos”, declarou o presidente no discurso das cerimónias militares. Referindo-se ao fim do serviço militar obrigatório, a introdução do serviço militar feminino e a reestruturação dos efetivos e do dispositivo territorial.

Após o discurso do chefe de estado, os diferentes ramos das Forças Armadas e as instituições escolares militares desfilaram pelo largo da feira de Lamego. Houve ainda sobrevoo de várias aeronaves da Força Aérea e uma demonstração de saltos de paraquedistas.

As comemorações prosseguiram no Pavilhão Multiusos da cidade, local onde se realizou o discurso oficial do Presidente da República, bem como as condecorações. Entre as várias personalidades condecoradas encontram-se Fernando Teixeira dos Santos, antigo ministro das finanças e, a titulo póstumo, Mariano Gago, antigo ministro da ciência.

A sessão solene começou com o hino nacional, interpretado pela soprano Elisabete Matos, acompanhado pela banda Filarmónica de Magueija. Seguiu-se a intervenção da presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, Elvira Fortunato, a primeira mulher a presidir a esta comissão.

No seu discurso, Elvira Fortunato, salientou a importância da cidade de Lamego, “com o passar dos séculos foi ganhando cada vez mais importância, para a qual muito contribuiu o incremento do comércio do vinho generoso do Douro”.

Aníbal Cavaco Silva começou a sua intervenção na sessão solene das comemorações com um discurso otimista em relação ao povo português, “somos um estado soberano e independente porque, mesmo nas alturas mais difíceis em tempos graves de crise, não nos deixámos abater pelo desânimo e pelo pessimismo. Comemoramos o Dia de Portugal porque nunca perdemos a confiança num futuro melhor”, afirmou o chefe de estado.

“Da mesma forma que nunca vendi ilusões ou promessas falsas aos portugueses, digo claramente: não contem comigo para semear o desânimo e o pessimismo quanto ao futuro do nosso País. Deixo isso aos profissionais de descrença e aos profetas do miserabilismo”, declarou o Presidente da República.

“Independentemente de quem governe”, o chefe de estado acredita que o país pode olhar para o “futuro coletivo com confiança”. Aníbal Cavaco Silva definiu no seu discurso, aqueles que devem ser os “quatro grandes objetivos” de um próximo Executivo.

De acordo com o Presidente da República esses objetivos passam, numa primeira fase, pelo equilíbrio das contas do Estado e a sustentabilidade da dívida pública, em segundo lugar, a estabilidade das contas externas e o controlo do endividamento com o estrangeiro. O terceiro objetivo passa por tornar a economia portuguesa mais competitiva em relação ao exterior e por último um nível de carga fiscal em linha com os principais concorrentes do país.

Ao lembrar a crise que o país ultrapassou nos últimos anos, Aníbal Cavaco Silva frisou que ainda existem “sequelas” que ficaram na população portuguesa, como é o caso dos níveis do desemprego que se “mantêm demasiado elevados”, lembrou. No entanto, Aníbal Cavaco Silva considera que “nos últimos tempos, tem vindo a verificar-se uma recuperação gradual da nossa economia e da criação de emprego”.

Na opinião do chefe de estado, Portugal possui atualmente “um poder autárquico dinâmico, informado e motivado”, afirmou. Para Aníbal Cavaco Silva o poder local dispõe de “uma nova geração de autarcas que conhecem os problemas das suas terras e das suas gentes, mas possuem uma perspetiva mais abrangente e integrada dos desafios que emergem no Quadro da União Europeia”.

O Presidente da República concede às autarquias o papel de aproveitarem o novo programa comunitário “Portugal 2020”, com vista a contribuir para a “redução das assimetrias territoriais de desenvolvimento”, declarou.

Em reação ao discurso do chefe de estado, Eduardo Ferro Rodrigues, declarou que considera, “muito estranho que um Presidente da República não tenha feito qualquer referência à maior crise global que houve desde 1929 e que teve consequências gravíssimas para Portugal”, acrescentando ainda: “parece-me que hoje houve uma esponja sob o passado recente”, confessou aos jornalistas à saída das comemorações.

Por sua vez, António Filipe, deputado do PCP, criticou o discurso “partidário” do Presidente da República, “foi absolutamente um discurso colado ao da maioria governamental e um discurso praticamente de intervenção na campanha eleitoral que se aproxima”, afirmou em declaração aos jornalistas à saída da sessão solene do Dia de Portugal.

“Foi um discurso que mostrou um reconhecimento justo, se não mesmo uma gratidão muito justificada ao povo português, às famílias portuguesas e às empresas portuguesas, pela capacidade, pela tenacidade que denotaram ao longo dos últimos anos”, afirmou o líder Parlamentar do PSD Luís Montenegro.

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