António Balça: “Ainda temos uma boa margem para crescer as pessoas podem contar connosco”

Foto: Direitos Reservados

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O VivaDouro esteve à conversa com António Balça, presidente da Cooperativa Agrícola de Castanheiro do Sul, em São João da Pesqueira, que revelou que contrariamente a outras zonas do país, que sofreram quebras de produção na colheita deste ano, a cooperativa teve um aumento na produção de cerca de 80%.

Em que contexto é que surgiu a cooperativa de Castanheiro do Sul?

Sendo uma freguesia predominantemente agrícola, onde o vinho e o azeite são o motor da economia, um pequeno grupo de homens da altura, mas já com uma grande visão de futuro, levaram adiante a construção da cooperativa, virada exclusivamente para a transformação da azeitona.

Quais são os principais objetivos da cooperativa?

Devo dizer que um dos principais objetivos levados a cabo por esta direção em relação à cooperativa está cumprido, que foi a deslocalização do centro da aldeia para um lugar espaçoso com cerca de 3ha onde se construíram novas instalações. Foi instalado um novo equipamento de transformação, duplicando assim a nossa capacidade. Temos tido também como objetivo apoiar os nossos associados  ao prestar-lhes serviços para que não necessitem de se deslocar, como por exemplo fazer os subsídios, nos mais diversos cursos que são indispensáveis e até obrigatórios.

Na sua opinião, quais são as principais vantagens que os produtores encontram ao trabalharem com cooperativas?

As cooperativas são as únicas organizações que não mudam de sítio, que estão sempre ao lado dos pequenos e dos grandes agricultores, as que mais promovem a chamada economia social. São mais de 22.000 Cooperativas por toda a Europa, representando um valor importante na economia mundial. Na nossa opinião aqui no Douro, como não se perspetiva a instalação de grandes empresas, as Cooperativas podem ser a alavanca para que esta região proporcione a dinâmica necessária garantindo assim os rendimentos dos nossos agricultores.

No que diz respeito à produção dos últimos três anos, qual foi a quantidade de produto produzida? E o valor?

O nosso crescimento tem sido contínuo, atingindo este ano 2.000 toneladas de azeitona transformada, cerca de 350 toneladas de azeite.

Como é que foram as vendas em 2014, tanto no mercado nacional como a nível de exportações?

Exportar é um dos nossos objetivos, mas como disse falta-nos escala, dimensão e quantidades. Os próprios associados depois de pagarem com o seu azeite o equivalente aos custos de transformação da sua azeitona, insistem em levar o restante para casa, privando a cooperativa de proporcionar a melhor possibilidade de negócio, inclusive em benefício deles, fazendo concorrência à própria Cooperativa. Pensamos que com o  tempo, e quando todos formos obrigados a cumprir as normas que já estão em vigor só que ainda ninguém cumpre, todos se irão fidelizar na sua cooperativa.

 Há perspetivas de crescimento nos próximos anos?

Sim, somos otimistas por natureza. Achamos que ainda temos uma boa margem para crescer, as pessoas podem contar connosco. Queremos que todos os sócios sintam de verdade que tudo isto é seu, e que o crescimento que possamos ter também é deles.

Como é que foi a colheita deste ano em relação ao ano passado?

Contrariamente a outras zonas do País que sofreram quebras de produção, nós tivemos um aumento de cerca de 80%.

O produto está com mais qualidade?

Todos os anos temos aumentado o nosso padrão de qualidade, mas este ano produzimos uma maior quantidade, o que se deve ao facto de a colheita se iniciar cada vez mais cedo, abrimos o lagar e o associado começou a colheita, conseguindo-se com isso uma excelente qualidade de azeite.

Qual a maior dificuldade sentida neste momento pela cooperativa?

A cooperativa necessitou de capital para os investimentos que fez, os apoios foram muito pequenos, felizmente que podemos contar com o apoio do município. Nos próximos anos iremos sentir algumas dificuldades, mas sem sacrifícios nada se consegue.

A nível nacional, na sua opinião, qual é a principal dificuldade que as cooperativas enfrentam neste momento?

O sector Cooperativo vive dificuldades como outra qualquer atividade económica, temos que nos saber adaptar e criar as condições necessárias para seguir em frente é o que estamos a fazer, quem assim não fizer de certeza que fica pelo caminho.

Considera que Portugal se distingue dos outros países da Europa no setor do azeite? Em que medida?

Distingue-se pela qualidade que se produz em todas as regiões somos um país privilegiado pelo clima, por isso os azeites do Douro estão agora a mostrar toda a sua qualidade, falta-nos urgentemente uma denominação de origem  para os azeites, a exemplo do vinho.

Acredita que Portugal tem potencial para crescer mais dentro do setor?

Acredito, embora o Alentejo foi o que mais cresceu e ainda tem potencial para mais algum crescimento.

Em relação ao futuro da cooperativa, o que é que esperam? Quais são os planos para o futuro?

Com esta direção os associados podem contar com o nosso inconformismo, achamos que depois de um esforço tão grande da parte de todos temos que criar uma ou mais atividades que aportem riqueza ao longo do ano, não podemos ficar dependentes dos resultados de cada campanha, temos projetos em mente neste momento, vamos ver como tudo vai correr.

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