António Costa: “A Região do Douro merece-nos uma atenção muito particular”

António Costa, Secretário-Geral do Partido Socialista

António Costa, Secretário-Geral do Partido Socialista/ Foto: Direitos Reservados

Portugal vai a votos no dia 4 de outubro. O VivaDouro e o VivaCidade foram conhecer de perto as perspetivas dos cinco candidatos às legislativas, a nível nacional mas também no que diz respeito ao Douro e ao Interior do país. Leia a entrevista a António Costa, Secretário-Geral do Partido Socialista.

Um dos grandes problemas das regiões do interior são as acessibilidades, caso o PS vença as legislativas, que medidas têm previstas para esta área?

Propomo-nos a substituir uma conceção periférica, conformada e imobilista do interior por um desígnio estratégico de afirmação deste imenso território, assente numa efetiva coesão territorial e tirando partido do seu vasto potencial, da sua localização e das suas características diferenciadoras e vantagens competitivas. Para tal, há que encarar com inteligência os muitos problemas que enfrenta o interior, nomeadamente o problema das acessibilidades. Promover um conjunto coerente de investimentos e de medidas em torno da melhoria dos acessos ao interior, como seja a ponderação de regimes de isenção ou de descontos no pagamento de portagens, o reforço de investimento em vias estruturantes (como algumas vias intermunicipais) ou a aposta que faremos na modernização de algumas das linhas ferroviárias são alguns dos compromissos que assumimos com as populações do interior.

Para além das acessibilidades, outro dos grandes problemas das regiões do interior é o envelhecimento da população, que medidas devem ser tomadas com vista a combater a migração dos jovens para os grandes centros urbanos e incentivá-los a ficar no interior?

O Partido Socialista defende que cabe ao Estado a promoção de medidas e instrumentos de discriminação positiva do interior, capazes de se constituir em estímulos efetivos ao seu desenvolvimento sustentado. Propomo-nos por isso lançar um pacote de medidas que favoreçam a atração e fixação de jovens no interior, designadamente através do apoio a projetos empreendedores de base tecnológica, da reabilitação de construções abandonadas nas nossas aldeias e vilas, da instalação de jovens agricultores e de jovens empresários rurais, de ações de discriminação positiva no apoio à natalidade ou, mesmo, a implementação de um sistema de incentivos à instalação de empresas que criem emprego e ao aumento da produção nos territórios fronteiriços, designadamente através de um benefício fiscal, em sede de IRC. Travar a migração de jovens para os grandes centros urbanos e combater o envelhecimento da população passa muito pela criação de emprego de qualidade nas regiões do interior.

Na hipótese de vencer as legislativas, quais são as principais ideias do PS para Portugal?

O PS entende que é preciso fazer diferente e fazer melhor. Em primeiro lugar é urgente virar a página da austeridade, relançar a economia e criar emprego.
O PS defende a sustentabilidade da Segurança Social pública, o desenvolvimento do Serviço Nacional de Saúde público e o alargamento e qualificação da escola pública, em oposição ao programa da direita de privatizar a receita da segurança social, a saúde e a educação. Por fim, preconiza um novo impulso à convergência com a economia europeia, que defenda os interesses da economia nacional contra a submissão da direita, que usou a troika e usa a UE como alavancas do seu projeto de destruição do Estado Social.

Que personalidades o motivam diariamente a ser politico?

Motivam-me todos os portugueses e a possibilidade de contribuir para um futuro de maior prosperidade e bem-estar.

Quer deixar uma mensagem para a população da Região do Douro?

A Região do Douro, como outras regiões do nosso interior, não escapou às políticas empreendidas pelo atual Governo. Mas há agora uma alternativa. Um caminho que se propõe, desde logo, salvar a Região Demarcada do Douro e os que ainda se dedicam à vitivinicultura, garantindo uma melhor estruturação das redes de produção e comercialização, valorizando, simultaneamente, a produção agrícola e florestal e apoiando a economia do território em ligação com o turismo. Um caminho que promoverá a correção dos erros de execução do mapa judiciário, procedendo às necessárias alterações, e dando prioridade à realização, em cada concelho, dos julgamentos que respeitem aos cidadãos desse território. A articulação com os municípios para o reforço dos serviços públicos de proximidade será igualmente uma das nossas prioridades. A saúde dos durienses assume igualmente lugar de destaque no nosso programa. Atribuir aos milhares de durienses que ainda não o têm um médico de família a quem possam recorrer é um compromisso solene. Mas também o é o desenvolvimento da rede de cuidados continuados como elemento central para aumentar a qualidade dos sistemas de saúde e apoio social. Porque o que temos no Douro é nada mais, nada menos que o resultado do esforço e da dedicação de gerações e gerações de durienses, a Região do Douro merece-nos uma atenção muito particular.

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