António Fontainhas Fernandes: “Aquilo a que nós nos propusemos quer no primeiro Plano  Estratégico, quer no segundo, está cumprido”

Reitor da UTAD faz, ao VivaDouro, balanço dos últimos oito anos à frente da instituição.

Que balanço faz destes dois mandatos como reitor da UTAD?

O balanço pode-se fazer com duas ou três no­tas. Primeira, a maior visibilidade que a Univer­sidade de Trás-os-Montes e Alto Douro tem. Esta instituição é presentemente reconhecida não só na cidade e na região, como em todo o país. E há indicadores que o sustentam, no­meadamente o aumento de alunos que temos registado desde 2013… Neste momento temos 98% de alunos colocados no concurso nacional de acesso em que a grande maioria, mais de 80%, são alunos de primeira opção.

Segunda nota a referir, o aumento da visibilida­de da investigação. Há um aumento da produ­tividade científica – já demonstrado em dife­rentes rankings, nomeadamente o de Shangai. O financiamento da FCT que recebemos em 2020 é igual ao total dos últimos cinco anos, portanto aumentamos cinco vezes o montante de financiamento base da FCT. Por outro lado a UTAD foi a instituição portuguesa que mais cresceu na atração de fundos comunitários, seja pelo montante, seja pela diversidade. E a prova dessa visibilidade vê-se na própria de­pendência do Orçamento de Estado. O nosso orçamento para 2021 é de 64 milhões de eu­ros, do Estado iremos receber apenas 55% des­se valor. Antes a nossa dependência da trans­ferência do Orçamento de Estado era entre os 80 e os 90%.

Portanto, passamos para um patamar em que a instituição está muito mais competitiva. A visibilidade conseguida motivou os resultados do ponto de vista do ensino, do número de alunos, da investigação e da atratividade de fundos. Importa ainda referir que parte dos fundos conseguidos resulta do trabalho com as empresas da região (que têm interesse nesta aproximação para a captação do capital huma­no aqui formado) gerando um efeito “spillo­ver” em toda a região.

Em 2013, quando chega à UTAD, o que é que o assustou mais no cenário que tinha à sua frente?

Eu tinha um diagnóstico muito claro da insti­tuição porque estou cá desde 1980. Durante o meu percurso universitário desempenhei funções que me permitiram conhecer todo o funcionamento da instituição (desde Diretor de Curso, Diretor de Departamento, Presiden­te de Escola e membro da Equipa Reitoral). Já percebia os diferentes níveis de governação, conhecia as pessoas e, por isso, percebi que havia défices de comunicação. A Universidade fazia muita coisa bem mas comunicava mal com o exterior.

Era importante que a Universidade se abrisse aos diferentes níveis da sociedade, não só à re­gião, mas percebendo que o mundo passa por grandes desafios… E esses grandes desafios são a alteração do conhecimento (que é cada vez mais global), a alteração e a transformação das instituições (que têm que ser cada vez mais abertas, quer no trabalho que fazem no seu in­terior, bem como para o exterior) e ainda o de­safio dos cidadãos e a sua transformação, pois pessoas querem estar envolvidas na solução e cada vez aceitam menos soluções “topdown”.

Era preciso que a Universidade trabalhasse nestas dimensões. E assim foi! Ou seja, a uni­versidade está agora mais preparada para os desafios globais, quando era uma instituição mais fechada, mais dependente do Orçamento de Estado.

Hoje afirmo que a UTAD está muito mais co­nectada e que as redes são fundamentais para a atração de receitas.

Estes oito anos certamente tiveram momen­tos difíceis e momentos de maior satisfação. Consegue apontar um ou dois exemplos em cada sentido?

No ano em que assumi a reitoria, tínhamos a Troika em Portugal e os cortes no orçamento desse ano foram enormes. De 2010 a 2013 houve uma inadmissível diminuição do Orça­mento de Estado às instituições e fortes restri­ções – nomeadamente o estarmos impedidos de contratar pessoas e de as valorizar. Foi um momento difícil, particularmente difícil… E em momentos difíceis é preciso ter a disciplina e o rigor de tomar decisões difíceis.

Já na parte final do mandato surge a Covid-19. Em março fechámos a instituição e centrámos o nosso foco no apoio à região. Cedemos di­verso material ao Centro Hospitalar da região. No auge da infeção criámos um Centro de Acolhimento Temporário para apoiar as situa­ções que surgiam nos lares de idosos. Fomos pioneiros na criação de um Centro de Testa­gem e Diagnóstico que capacitou a UTAD das ferramentas necessárias para apoiar a bateria de testes que foi feita à população. Ainda hoje, no dia em que fazemos esta entrevista, esta­mos a iniciar uma nova campanha de testa­gem nos funcionários dos lares. Vamos fazer a recolha de amostras dos funcionários (através do protocolo com o Ministério do Trabalho) e depois as respetivas análises serão efetuadas no Centro de Testagem. Centro esse que, ainda agora, ganhou um projeto para ampliar as suas instalações.

Quanto aos momentos mais positivos, consi­dero que o mais importante é que em cada dia temos o sentimento de dever cumprido. Aquilo a que nos propusemos (quer no primeiro Plano Estratégico, quer no segundo) está cumprido.

No primeiro Plano Estratégico, lançamos o conceito de ECO universidade. Na altura não foi muito bem entendido mas hoje chega-se à conclusão que todas as instituições estão a alinhar para isso. Fizemos, por exemplo, um roteiro do ambiente. Um compromisso com o ambiente, concentrando desde logo toda a atividade no Campus. Porquê? Porque dimi­nuímos a pegada ecológica. Os edifícios foram recuperados de um ponto de vista sustentável, utilizando materiais usados ou amigos do am­biente. Além da questão do orçamento…

Depois criamos um segundo roteiro, centra­do na transição energética. Neste momento a UTAD é um exemplo! Foram retiradas todas as coberturas com base em amianto (sendo que estamos a falar de 35 mil metros quadrados) e mudamos todo o sistema de iluminação…

Esses investimentos foram todos suportados pela UTAD?

Ao todo foram três milhões pelo POSEUR, mas essas verbas estão disponíveis para todas as universidades. E não há nenhuma universida­de no país que tenha tido um projeto integrado como este.

A mudança no sistema de iluminação – que passou do sistema convencional para o sistema led –, a instalação de 900 painéis fotovoltaicos ou até na climatização, sendo que passamos a usar a biomassa (resíduos) em vez do gás.

Mas a boa gestão dos recursos também se ava­liar, por exemplo, pelos sensores de água nas casas de banho, que foram todos alterados. Quanto à questão do uso de materiais, esta­mos a utilizar o asfalto que é retirado de certos locais e é restruturado e reaproveitado para os passeios. Os próprios passeios antigos também são reaproveitados para fazer areia (que serve de base de suporte aos novos materiais). Há economia circular em tudo o que fazemos! Te­mos ainda um plano de gestão de resíduos e uma campanha de combate ao plástico.

A questão da mobilidade também nos preocu­pa. Estamos a retirar áreas de estacionamento e a devolver o campus à universidade e à cida­de. É um projeto único que inclui 10 kms. de passeios requalificados, 7 kms. de ciclovia no interior do campus (que vai ter uma conectivi­dade direta com o centro da cidade). Isto signi­fica que o uso do automóvel vai diminuir e vão ser privilegiados os meios que são amigos do ambiente… Desde logo o andar a pé e promo­ver o uso da bicicleta e outros meios que con­sumam menos carbono.

É um projeto que vai trazer uma maior interli­gação entre as pessoas dentro do campus. As pessoas conhecem-se, falam-se, encontram-se, passeiam e fazem a sua atividade. Vai ser um exemplo a nível nacional – até porque é o único que está certificado a nível internacional, sendo portanto um Eco Campus.

Outra questão é aumentar a área verde. Esta­mos a aumentar a capacidade nos jardins e a biodiversidade. Isto vai de encontro ao que re­feri anteriormente… A Universidade está mais aberta, a Universidade é um local e um parque que as pessoas podem usufruir, por exemplo, ao fim de semana. Um local onde podem pra­ticar atividade desportiva, onde podem ir pas­sear e que se sintam bem. E não apenas um parque de estacionamento. Diria até que pas­sará a ser um dos pulmões da cidade! E isto é um sinal claro de abertura.

E, estas foram as questões-bandeira que cum­primos.

Como elencou, levou a cabo, ao longo des­tes anos, uma série de alterações profundas na universidade. E muitas dessas alterações, como referiu, ligadas ao ambiente e à tecno­logia… É esta a resposta que a universidade quer dar para o futuro?

O futuro passa por mais sustentabilidade e isso passa pelas dimensões ambiental, social e fi­nanceira.

Agora somos uma universidade menos de­pendente do Orçamento de Estado e mais competitiva, mais aberta e que tem mais vi­sibilidade. Tal significa confiança para as pes­soas e para os empresários, sejam portugue­ses ou externos.

A Universidade tem que ser mais amiga das pessoas. Quando tendemos para uma época em que existe a desconfiança que os seres hu­manos sejam substituídos por máquinas, as re­lações humanas começam a ser cada vez mais importantes e os papel das ciências humanas e sociais ganha mais dignidade.

Não podemos conhecer as pessoas pelo ende­reço de email ou pelo número de telemóvel! Mas conhecer as pessoas na verdadeira aceção da palavra – com um campus mais próximo, onde as pessoas se mobilizam, se encontram e se conhecem… e isto gera mais humanidade à organização.

Voltando a resposta anterior… Estivemos im­pedidos de valorizar as pessoas pelo mérito de renovar, que é um dos maiores problemas das universidades. A média de idades é muito ele­vada, acima dos 55 anos. Neste momento essa valorização já é possível e estamos a fazê-lo. Com critérios e com base no mérito.

Estamos também empenhados em cativar mais jovens. O país está muito mais qualificado mas há um “parque de estacionamento” de jo­vens no mercado de trabalho à espera de uma oportunidade. E temos que motivá-los. Para isso tem que existir cultura e valores numa ins­tituição.

Não nos devemos deixar “apagar” pelos pro­blemas da digitalização e da “virtualização” da vida. Neste “mundo das máquinas” o papel das ciências humanas e sociais é absolutamen­te fundamental.

Já falou no prestígio alcançado pela UTAD… Foi também que esse prestígio que o fez che­gar a Presidente do CRUP?

É exceção ser um reitor de uma Universidade de menor dimensão e ser Presidente do Con­selho de Reitores. Isso significa não só prestígio, mas também a importância das instituições lo­calizadas no interior e é um sinal claro de reco­nhecimento que o sistema científico português e que a rede científica de instituições não está sobrelotada.

A prova disso é que, até agora, se dividia a Euro­pa na Europa do Norte (dos ricos e dos organi­zados) e na Europa do Sul (dos que contribuem para o défice). Hoje a Europa divide-se na Euro­pa das regiões que estão com conhecimento… E das regiões que estão fora do conhecimento.

Acho que as regiões que estão “fora do co­nhecimento” levam a movimentos populistas. Veja-se o caso dos coletes amarelos em França ou do BREXIT. Estar de “fora do conhecimento” leva a movimentos populistas que, de todo, se desejam evitáveis na Europa. E essa é uma das questões cívicas que mais me move: aumentar a coesão da Europa das regiões.

Se não fosse o conhecimento não teríamos dado uma resposta tão forte à Covid. Se não existissem os centros de testagem (deslocados no país) não seria a centralização entre Porto e Lisboa que iria resolver o problema das popu­lações que estavam isoladas. Considero que o futuro passa por aquilo que foi em tempos a grande preocupação do país: a conectividade infraestrutural, as ditas “autoestradas”.

Desta vez é tempo de capacitar o interior de um conhecimento mais científico, mais forma­ção, mas também maior conectividade digital. E não podemos passar ao lado de tal.

E isso pode passar por responder a um de­safio que ainda recentemente o Ministro da Ciência e do Ensino Superior deixou?… Não o disse diretamente, mas deixou no ar a criação de um Curso de Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro?

O Ministro reconhece que a UTAD tem, dentro das suas competências, áreas de conhecimen­to em que marca a diferença.

Hoje, na medicina mundial, há uma nova área onde temos de ir mais além no conhecimen­to. 25% das doenças do Ser Humano são de origem ambiental. E é preciso perceber que a Covid é a primeira de uma série de doenças que poderá surgir da interação entre o animal e o homem. Hoje o conceito de saúde tem que ser visto à luz dos tempos modernos de “one health”, ou seja, um conceito de uma só saúde.

As alterações que estamos a provocar e as agressões que estamos a fazer ao planeta causam alterações nos animais e nas plantas, podendo ter efeitos nefastos no homem. Por­tanto, o conceito de saúde tem de ser testado de uma forma integrada.

A UTAD já estuda as questões ambientais e as questões das alterações ao nível das plantas e dos animais… Falta “ver” a interação com o Homem. Esta é uma nova área multidisciplinar do conhe­cimento que todos os países têm de investigar. A Europa estava muito mais ligada a doenças neu­rodegenerativas do ponto de vista oncológico, mas há aqui uma nova área do conhecimento que é preciso estudar. Se olharem para o diagnós­tico que está a ser preparado, para a região Norte, nota-se que no Norte interior (terras de Trás-os-Montes, do Tâmega e do Douro) existe um défice de infraestruturas de saúde. Se quisermos atrair profissionais para capacitar essas infraestruturas, temos que os ter cá!

Há gente suficiente para termos aqui um gran­de hospital (como o de São João) no Douro ou em Trás-os-Montes. Há essa capacidade?

Ele já existe! O Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro. Tem o centro em Vila Real, em Lamego e em Chaves. O que necessita não é só da requalificação das infraestruturas, mas de profissionais.

A carência é essa?

De profissionais. E por outro lado, existe um hospital em Bragança com uma grande capa­cidade instalada (além das unidades locais de saúde). Portanto, do ponto de vista das infraes­truturas, é preciso capacitá-las! Mas, essencial­mente, fixar quadros! Porque um dos maiores problemas do interior é a fixação de massa crítica. E, por isso, só o conhecimento é que atrai…

Reparem na revolução do Douro. Nasceu com um forte investimento público (que foi o Plano de Desenvolvimento Rural de Trás-os-Montes) e, depois, o investimento da UTAD em conhe­cimento – não só do ponto de vista da investi­gação, mas de uma nova geração de enólogos que revolucionou o Douro.

Se quisermos ter um Norte mais coeso, e não a duas velocidades, temos que apostar no co­nhecimento cientifico (não só em Vila Real, como em Bragança). É evidente que também no território poderão existir formações curtas, mas com base nestes dois polos de conheci­mento. É preciso aumentar a base de conheci­mento e inovação na região se quisermos ala­vancar o crescimento. O Norte converge com Portugal mas distancia-se da União Europeia, mesmo com os fundos comunitários.

A recuperação económica que aconteceu nos últimos tempos (no Norte), antes do Covid, advém de três áreas geográficas: a área metro­politana do Porto, a zona do Cávado e do Ave e ainda o Alto Minho. Por outro lado, com maio­res dificuldades em alavancar, encontramos principalmente o Tâmega, o Douro e Trás-os-Montes. Portanto, aqui, é preciso apostar no conhecimento.

Sustenta ainda mais a ideia que trouxe para o cargo de reitor de que o conhecimento das universidades pode (e deve!) ser a alavanca e o motor de fixação de pessoas em regiões como esta?

Se olharmos para os últimos 10 anos, os movi­mentos que causam preocupação e que põem em causa a coesão europeia são movimentos populistas, provocados por pessoas que estão em zonas afastadas do conhecimento, mais conservadores… E isso é um problema que põe em causa a própria sobrevivência da Europa. O futuro passa por aumentar conhecimento. Não só aumentar a formação das pessoas, mas dar mais formação.

Quando se fala do conhecimento no inte­rior, o que aqui está instalado é o setor pri­mário. Portanto, temos uma economia com base no setor primário e na Administração Pública. A perda de algumas instituições da Administração Pública – refiro-me ao en­cerramento de tribunais ou de serviços de finanças – vai diminuir e esvaziar ainda mais o interior.

Quando defendo que é importante dar mais valor ao interior com o conhecimento, refiro-me a como é que nós, com a matéria prima de qualidade que temos, podemos aumentar o valor acrescentado!

Ou seja… Não vender a matéria-prima em bruto, mas vender já transformada. É preciso trazer mais conhecimento e mais indústrias transformadoras que tragam um aumento no rendimento das populações, fixando empre­sas. Nunca esquecendo as questões das tecno­logias! Tudo passa pela tecnologia!…

Portanto, o mais importante é aumentar a ca­pacidade de conectividade digital no futuro no interior.

Esta entrevista está a ser feita em plena se­gunda fase da pandemia Covid-19. Como é que a universidade se tem adaptado a esta nova realidade? E se amanhã houver um sur­to “qualquer”, há já algum plano para isso?

As instituições têm-se adaptado às realidades de uma forma crescente. Ou seja, de início a principal resposta da Universidade apontava no sentido de assegurar o ensino à distância e, em paralelo, apoiar a região.

Agora importa ver como é que depois do des­confinamento mantivemos o ensino presen­cial. Houve uma alteração de comportamen­tos… Os próprios funcionários adaptaram-se a um funcionamento misto, à distância e em te­letrabalho. No caso dos estudantes há turmas que param e passam para a distância, consoan­te vão surgindo casos ou não.

Portanto… Estão a aparecer casos positivos mas estão a ser dadas respostas. Até ao mo­mento houve um sinal de estabilidade – quer do ensino, quer do ponto de vista da resposta da instituição às outras partes. Não estamos a abrandar o ritmo de funcionamento.

Não parou nada por causa da Covid?

É evidente que o momento da adaptação cau­sa atrasos no sistema. É evidente…

Do ponto de vista do abandono escolar não te­mos um aumento assustador. Nem por razões económicas… Em março lançámos um sistema (o “UTAD + Contigo”) e verificou-se que o gran­de problema dos estudantes não eram as razões económicas, até porque criámos um Fundo de Emergência Social… Mas o grande problema foi a falta de equipamentos informáticos nos locais de onde os estudantes eram provenientes. Ou a falta de rede [de Internet]. E isso são proble­mas de outra dimensão que a Universidade não pode resolver na globalidade.

Dizia-nos, em entrevista que nos concedeu há três ou quatro anos, que um dos grandes pro­blemas que sentia na universidade era a ques­tão do alojamento dos estudantes. Como é que está a situação dos alunos que vêm de fora do concelho? E, sobretudo, do distrito?

Do ponto de vista da capacidade instalada na Universidade está absolutamente igual, sendo que a oferta é menor por parte da UTAD (uma vez que tivemos de adaptar as instalações devi­do à Covid, havendo uma diminuição de oferta de 30%).

A UTAD neste momento tem projetos que es­tão preparados para o próximo Quadro Comu­nitário e para a famosa “bazuca”. Defendemos que no Plano de Recuperação e Resiliência existiam meios financeiros para a construção de residências. No nosso caso era a adaptação de espaços, nomeadamente no CIFOP, e au­mentar a capacidade das próprias residências.

O município é sensível a essa dificuldade?

O Município é sensível mas também não tem instrumentos. Neste momento a maior opor­tunidade que temos é com o Quadro Comuni­tário, que ainda demora…

Valeria a pena que o Estado permitisse que a parte residencial pudesse ser financiada pela requalificação dos espaços para a área resi­dencial, podendo ser financiada por fundos do Plano de Recuperação e Resiliência. Ou, então, do Portugal 2030. Isso é absolutamente deter­minante.

Por outro lado, como estamos a falar em recu­peração e capacitação de espaços, tal iria dina­mizar a própria economia local – uma vez que a UTAD, nos últimos anos, tem privilegiado mui­to as empresas locais em todas estas atividades de requalificação que desenvolve.

Falando do futuro… Há um legado de oito anos e este legado vai ser ocupado por al­guém que virá daqui a um/dois meses… Não o preocupa quem o vai substituir?

Julgo que há dinâmicas que são irreversíveis. É fundamental manter a visibilidade e a notorie­dade que a Universidade tem, assim como a di­nâmica sustentada de crescimento de alunos.

Por outro lado, o novo modelo orgânico de funcionamento da Universidade é um mo­delo que é inovador e que vai ter efeitos a médio prazo. Mas que tem que ter continui­dade.

A política ambiental é inexorável. A sustenta­bilidade, como fator para a atratividade, é um dos fatores de competitividade na atração de alunos.

Estes são caminhos que, qualquer que seja a solução que a se venha a escolher, aos quais a universidade deve dar continuidade.

Em termos de nomes, há alguém que no seu entender esteja mais bem preparado para tal?

Eu acho que a Universidade é que tem de es­colher.

A universidade terminou um processo eleito­ral para a escolha do Conselho Geral. Existi­ram quatro listas… O que significa que há uma grande mobilização da academia no debate de ideias. A academia está a crescer e estou certo de que vão aparecer vários candidatos, com diferentes programas, e que irão dar continui­dade a este trabalho. O trabalho que é a UTAD e é a Região.

O reitor deve saber transferir os poderes de forma a aceitar a decisão da Universidade, do atual Conselho Geral eleito, participar nessa mudança com serenidade e responsabilidade. Saber sair é tão importante como saber entrar.

Um conselho que queira dar ao próximo Rei­tor da UTAD?

Que tenha orgulho em ser Reitor da UTAD, como eu tive! Somos uma instituição, loca­lizada no interior, a mostrar que é possível ir mais longe. E que essa visibilidade não seja apenas a nível nacional, mas também a in­ternacional!