António Fontainhas Fernandes: “Os estudantes devem ser o epicentro da Universidade “

António Fontainhas Fernandes, reitor da UTAD / Foto: Salomé Ferreira

António Fontainhas Fernandes foi reeleito reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) para um segundo mandato (quadriénio 2017-2021). O atual reitor recolheu 23 votos a favor e José Silva, o outro candidato, teve apenas um voto. O VivaDouro esteve à conversa com Fontainhas Fernandes que nos falou acerca dos objetivos que tem para a academia transmontana nos próximos quatro anos.

Na sua candidatura assumiu um compromisso para o futuro, fale-nos acerca desse compromisso e do futuro que pretende para a academia nos próximos quatro anos.

Do ponto de vista estratégico tracei três objetivos muito claros. Em primeiro, uma aposta no ensino, reforçando a qualidade e diversificando a oferta educativa. O segundo pilar centra-se no reforço da investigação com dimensão global e o terceiro na transferência do conhecimento com impacto no território. Do ponto de vista dos processos, importa apostar na qualidade em tudo o que se faz na Universidade e pensar à escala internacional. Hoje, temos que agir localmente, mas pensando sempre de forma global. Adicionalmente, estas apostas exigem valorizar as pessoas: o principal ativo da instituição, bem como apostar no campus enquanto marca diferenciadora e de atratividade.

Pretende dar seguimento ao que foi feito no anterior mandato?

Sim. Dar seguimento ao anterior mandato, significa dar continuidade à trajetória de mudança. Contudo, as mudanças no Futuro têm uma dimensão diferente, pois até ao momento as questões de natureza financeira eram o epicentro da Universidade.

Essa já não é uma preocupação neste momento?

Neste momento, a Universidade atravessa uma situação de equilíbrio financeiro. Apesar de poder vir a ocorrer algum alívio, é previsível que, dada a situação do país em termos de dívida pública continuem, nos próximos anos, as restrições no financiamento público do ensino. Contudo, estou convicto que o caminho traçado nos últimos anos e o empenhamento coletivo são bases sólidas para a definição de uma estratégia capaz de preparar uma nova UTAD para o Futuro, que se antecipa de grande imprevisibilidade. Existe uma outra dimensão que considero muito importante, manter a credibilidade e uma atuação pautada por transparência, valores éticos e de partilha de poder.

António Fontainhas Fernandes, reitor da UTAD / Foto: Salomé Ferreira

Conseguiu cumprir tudo o que tinha estipulado no último mandato?

É difícil de responder a esta questão, pois o contexto de há quatro anos era completamente diferente. Em alguns domínios penso que ultrapassámos claramente o expectável, mas quando se começa a ter bons resultados a ambição aumenta. Daria como exemplo a visibilidade e o posicionamento estratégico da UTAD, quer em termos do consórcio das três Universidades do Norte, quer no espaço nacional e transfronteiriço. No próximo mês de maio a UTAD será palco da cimeira Ibérica de Reitores e, pela primeira vez, Portugal e Espanha vão apresentar uma agenda de ensino superior e de inovação conjunta.

A área da vinha e do vinho vai continuar a ser uma das vossas grandes apostas?

A área da vinha e do vinho é uma das apostas da UTAD que tem tido mais visibilidade, mas trata-se de um projeto transdisciplinar, entre muitos outros que serão vitais para a região e o pais. É um projeto em rede que perspetiva a investigação numa ótica de sistema, em que se assumam as interações entre as várias componentes, caso da enologia, dos mercados e consumidores, dos recursos endógenos e património, do turismo e da gastronomia

Está tudo interligado?

Sim, cada vez mais as agendas de investigação são multidisciplinares. Quando me refiro ao reforço da investigação, aponto no sentido de participar em programas interdisciplinares e numa lógica de rede.

Já tem definida a equipa reitoral que o vai acompanhar neste quadriénio?

Na semana passada ficou concluído o processo de eleição de todos os órgãos da Universidade. Os colegas eleitos disponibilizaram-se para ocupar diferentes órgãos e mostram uma forte motivação para dar continuidade a este projeto. Numa fase seguinte, importa ouvir as pessoas no processo de escolha dos presidentes de escola e constituir a equipa reitoral.

 

 

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