Armamar e Moimenta da Beira com quebra de 40% na produção de maçã

Armamar e Moimenta da Beira com quebra de 40% na produção de maçã / Foto: Salomé Ferreira

Armamar e Moimenta da Beira com quebra de 40% na produção de maçã / Foto: Salomé Ferreira

Os dois maiores produtores de maçã da região sofreram este ano uma quebra na ordem dos 40% na produção. Produtores afirmam que esta quebra resulta dos “problemas climatéricos”, no entanto as chuvas que se fizeram sentir recentemente “salvaram” a colheita deste ano.

“Este ano não houve inverno, precisamos há volta de 1000 horas de frio a começar a contar a partir do mês de novembro e o que aconteceu foi que tivemos o frio quase em março”, explicou ao VivaDouro José Maurício Fonseca, produtor de Armamar.

José Maurício Fonseca, produtor de maçã em Armamar / Foto: Salomé Ferreira

José Maurício Fonseca, produtor de maçã em Armamar / Foto: Salomé Ferreira

Sócio numa empresa familiar que produz cerca de 1200 toneladas de maçã anualmente e exporta praticamente toda a produção para Espanha, José Maurício Fonseca acredita que a quebra se vai situar nos 30%. A quebra não é superior devido ao facto de a maior produção da empresa ser a variedade Golden e a mais afetada é a Fuji, “é uma variedade tardia e que este ano sofreu bastante”, afirmou.

Também a região de Moimenta da Beira, teve este ano “uma quebra significativa”, que ronda os 45%, sendo “superior em algumas variedades”, explica João Silva, presidente da Cooperativa Agrícola do Távora, que fica sediada em Moimenta da Beira.

João Silva (meio), presidente da Cooperativa Agrícola do Távora, acompanhado com a sua esposa e um funcionário da organização / Foto: Salomé Ferreira

João Silva (meio), presidente da Cooperativa Agrícola do Távora, acompanhado com a sua esposa e um funcionário da organização / Foto: Salomé Ferreira

Na opinião de João Silva, as condições climatéricas estiveram na origem do problema, “a falta de frio na altura da floração e depois condições também muito acutilantes de chuva que impediu os crescimentos nalguns casos e noutros até provocou algumas doenças da fruta, tudo isto junto contribuiu para a quebra na produção”, afirmou o presidente da Cooperativa.

Miguel Vaz, produtor de maçã em Moimenta da Beira / Foto: Salomé Ferreira

Miguel Vaz, produtor de maçã em Moimenta da Beira / Foto: Salomé Ferreira

Miguel Vaz produz cerca de 8 mil toneladas de maçã anualmente e exporta para países como o Dubai, a Inglaterra, Angola e Guiné. Também o produtor de Moimenta da Beira sentiu uma quebra na produção este ano, “a chuva prejudicou imenso e agora o calor também acabou por prejudicar”, explicou ao VivaDouro.

Chuvas “salvam” colheita da maçã

Apesar da quebra na produção, as chuvas que caíram recentemente “salvaram” a colheita da maçã, trazendo cor e calibre ao fruto. Os últimos aguaceiros tinham sido no mês de maio.

“A chuva veio ajudar porque este ano praticamente ainda não tinha chovido e vai ter importância na qualidade final dos calibres”, revela José Maurício Fonseca.

Para João Silva, presidente da Cooperativa Agrícola do Távora, estas chuvas “foram ouro”. “Foi pena cair pouca, mas já caiu razoavelmente o que permitiu melhorar a qualidade das uvas, e também a qualidade e a cor das maçãs”.

Estas chuvas também vieram contribuir para a qualidade do fruto, “se não tivessem acontecido situações de chuva eu se calhar ia dizer que a qualidade ia ser um pouco inferior. Nós dependemos da natureza e a chuva é a alma disto tudo e neste momento as perspetivas são melhores”, afirmou José Maurício Fonseca.

Ricardo Tojal, produtor de maçã em Moimenta da Beira / Foto: Salomé Ferreira

Ricardo Tojal, produtor de maçã em Moimenta da Beira / Foto: Salomé Ferreira

“Temos muito boa qualidade de fruta. As chuvas vieram ajudar, as maçãs ganharam um bocadinho de tamanho, vai aumentar o calibre e o preço está muito interessante o que quer dizer que a qualidade é muito boa”, completou Ricardo Tojal, produtor de maçã em Moimenta da Beira.

Devido a esta diminuição de produção, o preço do fruto quando for para o mercado é ligeiramente mais caro que em 2015, notícia que acaba por ser bem recebida pelos produtores, “vamos esperar uma melhoria nos preços porque doutra maneira vai ser complicado para o agricultor”, concluiu Miguel Vaz.

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