Armamar recua no tempo nos dias 4 e 5 de junho

Armamar recua no tempo nos dias 4 e 5 de junho/ Foto: Direitos Reservados

Armamar recua no tempo nos dias 4 e 5 de junho/ Foto: Direitos Reservados

A vila de Armamar vai recuar até ao século XII nos dias 4 e 5 de junho, com a realização da Feira Medieval e o Mercado das Flores. O VivaDouro esteve à conversa com Cláudia Damião, vereadora da Câmara Municipal, que nos levantou um pouco do véu acerca do que se vai passar no evento que pretende recriar a história e vivências de outros tempos e que se distingue pela envolvência direta da população enquanto figurantes.

Qual é a importância deste certame para o concelho de Armamar?

Pretendemos com esta recriação fazer uma aula de história ao vivo daquilo que foi a nossa história no século XII. A importância é também envolver as pessoas, os habitantes, numa iniciativa que mais do que vir alguém de fora proporcionar um espetáculo grandioso é serem eles próprios os verdadeiros protagonistas do evento.

Cláudia Damião, vereadora da Câmara Municipal de Armamar/ Foto: Direitos Reservados

Cláudia Damião, vereadora da Câmara Municipal de Armamar/ Foto: Direitos Reservados

O que é que os visitantes podem esperar desta feira?

É uma feira feita por pessoas de Armamar para pessoas do concelho e naturalmente para os visitantes. Quando eu digo que é uma recriação histórica feita só por pessoas de Armamar é porque na realidade são eles que vão assumir os quadros da época. Não contratamos nenhum grupo de atores, somos nós que vamos fazer tudo, mobilizando as nossas associações culturais. Talvez fosse mais fácil contratar quem já está habituado a organizar estes eventos, mas isso seria uma feira como aquelas que acontecem em todos os outros sítios. Vão ser acontecimentos genuínos e que não vão reproduzir-se em mais sítio nenhum. É esse o destaque que queremos dar a este evento.

Na edição passada optaram por realizar o evento também desta forma ou é mesmo uma novidade?

Fizemos a primeira edição em 2014, na altura o mote era a entrega do Foral Manuelino a Armamar, no entanto não foi totalmente feito por os Armamarenses, nessa altura tivemos que fazer um bocadinho de escola, pedimos ajuda a alguém que estava habituado a trabalhar nesta área, uma espécie de consultadoria histórica. Este ano entendemos que já estamos minimamente autonomizados para nos aventurarmos sozinhos a fazer esta reconstituição histórica.

Ou seja, a expetativa é alta neste momento?

Muito alta. Temos perto de 400 pessoas do concelho envolvidas, todas as nossas associações culturais e recreativas estão connosco. Temos feito trabalho de pesquisa, que também nos dá uma satisfação muito grande, juntamente com os professores de história, recriamos cenas, modos de ser, de estar e tem sido um trabalho também muito interessante.

Também há o envolvimento dos funcionários da Câmara Municipal?

Toda a gente. Eu devo dizer-lhe que há dois anos foi precisamente o executivo todo, a Assembleia Municipal, os dirigentes políticos a vários níveis, das autarquias, das freguesias, que assumiram os seus papéis na íntegra. O Alcaide foi o nosso presidente e encarnou muito bem a personagem.

No que diz respeito ao programa, quais são as atividades que os visitantes podem esperar?

É uma recriação de dois dias, vamos começar precisamente pelo sábado em que tem ações como a bênção do cavaleiro, no fundo é a entronização de um novo elemento neste clã, depois seguem-se os combates de esgrima e temos um momento em que está presente o clero, porque não deixa de ser um ritual religioso a entronização deste novo cavaleiro. Vai ainda realizar-se a reconstituição da lenda da igreja de São Miguel de Armamar, um momento mais teatral mas não deixa de ser uma cena com alguma espontaneidade. Depois há também vários espetáculos de fogo noturnos.

Também feito pelos habitantes?

Sim, nós estamos a preparar-nos com investigação e visualização de filmes, mas também estamos a fazer formação quer para o lançamento de fogo, quer para a esgrima.

No segundo dia da feira, quais são as atividades que destaca?

Vamos celebrar uma missa em latim, a eucaristia dominical vai ser uma eucaristia à época, uma coletividade está a preparar os cantos em latim, outra a preparar as leituras, portanto nós vamos trajar, vestir, rezar à época, o que vai ser também muito interessante. No final da eucaristia segue-se então a abertura do Mercado das Flores. Na feira vão ser comercializados os nossos produtos de excelência.

Enquanto produto ex-líbris do concelho a maçã vai também marcar presença?

A maçã não era um fruto ainda muito presente na época, principalmente no nosso país, mas se nós pensarmos que é o símbolo do pecado e que já está desde o início da humanidade não nos choca que no século XII já pudesse haver por cá macieiras. Assim, a maçã vai estar presente, como todos outros os nossos produtos, os vinhos, a charcutaria, os cogumelos, vamos ser um pouco mais seletivos e andar em volta daquilo que podiam ser já culturas da época.

Quantos expositores contam ter a participar na feira?

Devo dizer que todos os dias recebo imensas pessoas que estão habituadas a participar nestas feiras e querem estar presentes e nós estamos a vedar. Vamos circunscrever os expositores essencialmente à população local, às nossas associações e aos nossos produtores que garantam que vão ter produto do concelho.

Quer deixar um convite aos visitantes?

Convido a virem comer as nossas iguarias típicas da época e que prometemos que não têm que comer com a mão (risos), estamos a apetrechar-nos com utensílios o mais fiel à época possível para que seja possível fazer este deleite das nossas iguarias. Venha até nós para conhecer como é que se vivia naquela altura e venha sem relógio para viajar no tempo de uma forma calma e descontraída. Isto promete, acreditem que sim, vivido com esta genuinidade e com o amor de quem faz para mostrar a essência da sua terra, acho que vai valer a pena.

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