Autarquia de Murça lança iniciativa para marcar os 100 anos da batalha de La Lys

José Maria Costa, presidente da autarquia de Murça/ Foto: Direitos Reservados

A autarquia de Murça lançou no passado sábado, 8 de abril, a iniciativa “100 anos de La Lys| 100 anos do Soldado Milhões” que, até 2018, promove colóquios, exposições, concertos e principalmente pretende envolver as escolas e recuperar a casa do Soldado Milhões.

Os 100 anos da batalha de La Lys onde Aníbal Milhais, mais conhecido como Soldado Milhões, enfrentou as tropas alemãs de forma destemida e se tornou o herói português da I Guerra Mundial, é o mote para a iniciativa lançada pela autarquia de Murça que se estende até 9 de abril de 2018.

O Auditório Municipal de Murça foi o local escolhido para o arranque das atividades no ano em que se assinala o centenário da chegada à Flandres dos primeiros soldados portugueses que participaram na I Guerra Mundial.

“O grande objetivo desta ação foi marcar o início do conjunto de atividades que se pretende desenvolver ao longo do próximo ano para marcar os 100 anos da batalha de La Lys e do Soldado Milhões”, explicou José Maria Costa, presidente da autarquia.

O edil sublinha que o objetivo “não é só recordar o Milhões mas no contexto da batalha de La Lys trazer para a memória coletiva todos os outros intervenientes do concelho de Murça que participaram na Grande Guerra”, disse ao VivaDouro.

Ao longo deste ano vão ser dinamizadas várias atividades nomeadamente exposições, colóquios e a recuperação da casa do célebre Soldado Milhões, natural de Valongo, em Murça.

O imóvel é propriedade da Câmara Municipal de Murça que quer ali criar um “espaço de memória” ao herói português da Grande Guerra.

José Maria Costa revela que a recuperação da casa é um “grande objetivo” da autarquia, no entanto é necessário um investimento de “cerca de 200 mil euros” para o realizar. O município está a “estudar linhas de financiamento onde possa enquadrar o projeto”.

Eduardo Milhões Pinheiro, neto do soldado Milhões, revela que “a família tem a expectativa que seja possível reabilitar o imóvel para que se possa constituir um local de memória relativamente à história do meu avô mas também de todos os outros que participaram na Guerra”, afirmou.

“Tenho um orgulho desmedido no meu avô, na sua história, no seu exemplo de vida”, confessou Eduardo Milhões Pinheiro ao VivaDouro.

A iniciativa “100 anos de La Lys | 100 anos do soldado Milhões” iniciou-se com a realização de três atividades.

Exposição “Uma guerra e muitos homens, um concelho e o Milhões”/ Foto: Salomé Ferreira

Neste contexto foi inaugurada e estará patente até ao dia 15 de maio, na Galeria de Exposições do Auditório Municipal de Murça, a exposição “Uma guerra e muitos homens, um concelho e o Milhões”, uma mostra conjunta da Câmara Municipal e do Museu Militar do Porto, que para além da apresentação em painéis de toda a história da participação portuguesa na Grande Guerra, também o soldado Milhões é destacado, estando expostas as suas condecorações, armas e caderneta militar, entre outros.

A homenagem de evocação ao Corpo Expedicionário Português, que na madrugada de 9 de abril de 1918 teve de despertar violento na Flandres, esteve a cargo do Coro do Instituto Politécnico de Bragança.

A fechar a noite da iniciativa dos “100 anos de La Lys | 100 anos do soldado Milhões”, realizou-se a apresentação do livro “O concelho de Murça na Grande Guerra”, da autoria do Tenente-coronel Dinis Costa, onde foram desvendadas muitas curiosidades de participação de soldados murcenses na Grande Guerra.

Dinis Costa, autor do livro “O concelho de Murça na Grande Guerra” / Foto: Salomé Ferreira

“O concelho de Murça tem o soldado mais condecorado da I Guerra Mundial, o que eu quis foi conhecer a fornada toda, saber todos os que participaram do concelho de Murça. Por outro lado, enquanto antropólogo, também queria constituir um documento com valor histórico”, explicou Dinis Costa ao contextualizar os objetivos que estiveram na génese da obra apresentada.

“Além de fazer uma recolha de todos os nomes, fui mais além, dei a conhecer por exemplo as habilitações literárias não só dos militares mas também dos seus padrinhos. Para além dos registos da tropa fui também pesquisar os registos paroquiais”, acrescentou o autor.

Na opinião de José Maria Costa este livro “é uma forma de imortalizarmos aquelas pessoas que há cem anos participaram nesta Guerra”, revelou ao VivaDouro.

 

 

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