Autárquicas 2017: “É difícil decidir quando se tem um convite, quando se tem mais que um é mais complicado ainda”

Domingos Carvas, Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa/ Foto: Salomé Ferreira

Depois de 11 anos enquanto vice-presidente da autarquia de Sabrosa, Domingos Carvas assumiu, recentemente, o cargo de Presidente da Câmara. O VivaDouro esteve à conversa com o autarca que falou acerca das novas apostas que tem para o município e revelou uma possível candidatura nas próximas eleições autárquicas. 

Quem é Domingos Carvas?

Sou licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Comecei a carreira política há muito tempo, há 22 anos. Iniciei-me na Assembleia de Freguesia, que é um órgão que eu valorizo muito, depois estive oito anos como Presidente da Junta de Freguesia de Sabrosa e desde 2005, até à data, como Vice-Presidente da Câmara Municipal. Os caminhos fazem-se caminhando, posso-lhe dizer que nunca tive como objetivo de vida este tipo de prestação de serviço à comunidade. Pela Junta de Freguesia sim, sou um indivíduo muito virado para o povo, muito virado para as questões pessoais e para a simplicidade, se calhar por esse facto sempre achei que a Junta era um bom lugar. Sou também funcionário da Portugal Telecom, se calhar por isso é que nunca me passaram pela cabeça outros voos, as coisas foram acontecendo.

Ao longo da carreira que já tem na política nunca pensou então dar “o salto” para Presidente de Câmara?

Não. É natural que com o desenrolar das situações, a passagem dos anos, o ganho de experiência, depois de cá estar é óbvio que hoje queremos sempre mais do que ontem e amanhã vamos provavelmente querer mais do que hoje, mas a situação de ir mais além no poder nunca foi o meu ideal. É verdade que a evolução que o município tomou e que o próprio Presidente foi tendo, com projetos que extravasavam as nossas fronteiras, comecei a pensar que provavelmente um dia a coisa ia acontecer e aconteceu.

Não pode então dizer que ficou totalmente surpreendido com a decisão do antigo Presidente José Marques ao renunciar ao mandato?

Não porque o caminho que vinha a ser trilhado pelo antigo Presidente da Câmara era um  caminho que levava a pensar que um dia destes iria sair.

Mas acreditava que José Marques acabaria o mandato ou já estavam à espera que de alguma forma este cenário seria possível?

A partir de uma determinada altura percebemos que isto ia acabar por acontecer porque o trabalho que ele vinha fazendo ia para além das fronteiras do nosso município porque cada vez mais o projeto que ele criou não cabia aqui e tinha de ir para outro sítio. Foi nomeado para esse trabalho que não vai deixar por mãos alheias, muito menos os créditos porque ele faz com tanto empenho, com tanta dedicação que eu acho que vai ser um sucesso.

Como é que tem sido recebido pela população?

Sabe que grande parte da população nem sabe, as pessoas vêem-me e tratam-me da mesma forma. E eu espero que assim continue porque é assim que me sinto bem e me vejo perante os outros, nunca estive em nenhum pedestal. Se ser presidente obrigasse a esse tipo de mordomia eu não aceitaria o cargo porque eu continuo a ser o mesmo. Tenho hoje uma função diferente, de mais responsabilidade, mas também temos uma equipa muito competente o que não deixa de ser uma ajuda. Temos uma equipa boa, coesa, forte e sobretudo disponível para trabalhar em prol dos outros que é essa a mossa missão.

O Presidente a analisar o o Plano Pormenor da Zona Industrial de Sabrosa/ Foto: Salomé Ferreira

Quais são os objetivos que têm para o concelho até às eleições autárquicas, altura em que acaba este mandato?

Faltam oito meses. Isto faz-se sempre por etapas. Sabrosa está neste momento num determinado patamar, tornamo-nos atrativos, mais conhecidos, mais falados, mais badalados, se calhar está na hora de tirarmos partido de todo esse conhecimento. Tirar partido disso é estarmos mais virados para as pessoas. A criação de emprego, a dinamização de uma zona industrial que esteve fechada durante um período de tempo. Isto não foi feito hoje, é algo que já vinha (a ser feito com o antigo executivo), nós vamos deitar mão do que de bom se estava a fazer para dar continuidade. Temos de ser diferentes e de tirar partido da região, dos locais que temos, mas ser diferentes daquilo que os outros têm. Temos neste momento em cima da mesa uma ampliação da zona industrial, que é uma realidade. Estamos a fazer um Plano de Pormenor que vai ser sujeito à Assembleia Municipal para Discussão Pública e que, brevemente, talvez em março comece a ter alguns lotes disponíveis para começarmos a instalar empresas que criam, efetivamente, postos de trabalho.

O desemprego é um problema aqui em Sabrosa?

Felizmente não estamos com os índices que outros municípios têm. Mas é sempre mau termos alguém desempregado, 1% que seja. Não estou aqui a discutir as taxas, se são mais ou menos que o resto do país. Não são das mais elevadas, mas temos desemprego e temos de o combater. Esse é o nosso objetivo. Daí desenvolvermos estas situações, criarmos infraestruturas para que essa situação seja minorada, no fundo, para que as pessoas venham e também se sintam bem, que tenham a certeza que estão num concelho que os acolhe, que os estima e os quer por cá. O que é que faltará para as pessoas virem? Provavelmente disponibilidade de espaços, mas que nós estamos a tratar disso e o mais tardar, no mês de março já teremos aqui lotes disponíveis para que a nossa missão de fixar pessoas seja um dos acontecimentos mais rápido a partir desta tomada de posse.

A criação de emprego é uma das suas principais bandeiras?

A principal. Porque eu acho que não havendo emprego, não há economia. Não havendo economia não há desenvolvimento. Queremos criar riqueza. Queremos criar impacto. Com desenvolvimento e crescimento nós vamos, quase de certeza, criar empregos, mais valor, mais economia e daí, criar o bem-estar das pessoas que é o que nós queremos.

Falando ainda na questão da criação de emprego, vão também criar um call center aqui em Sabrosa?

Estamos em fase adiantada para um call center, da Randstad, em que realmente temos tudo muito bem encaminhado para que seja uma realidade. Irá criar cerca de 70 postos de trabalho, vai ser uma lufada de ar fresco.

Já para este ano?

Rapidamente estaremos prontos. Se prometer para o ano quase que já estaria numa campanha eleitoral. Não depende só de nós, mas no que depender é para um curto espaço de tempo.

Já têm estipulado o local onde se vai localizar o cal center?

A fixação do espaço tem sempre muito a ver com capacidades técnicas do próprio espaço. E nós temos um espaço que, a priori, será o mais indicado. Estamos só à espera que os técnicos venham visitar esse espaço para que nos digam.

Em relação às novas apostas e novos horizontes de que tem vindo a falar desde que assumiu funções. Para além do emprego, o que é que tem mais em cima da mesa, neste momento?

Nós tínhamos traçado como principais objetivos colocar Sabrosa no mapa. Eu acho que já colocamos. Não querendo abandonar essa ideia, queremos investir no sentido de nos mantermos lá, é sinal que temos visibilidade. Termos visibilidade é importante para outras coisas. O turismo é uma aposta fortíssima nossa, como é da CIM Douro, como é dos municípios que a integram. Eu acho que num futuro mais próximo, o turismo vai ser algo que nos vai trazer ainda mais pessoas, porque o que nós precisamos também é de pessoas. E se vierem pessoas com dinheiro para gastar, teremos nós que estar preparados para oferecer e disponibilizar as infraestruturas que fazem falta.

Já têm essa capacidade, neste momento?

Capacidade ao nível de camas, não. Temos um hotel que está encerrado. A Câmara tem feito um esforço enorme para que seja possível o hotel reabrir. Ele foi recentemente adquirido por uma outra empresa e a expectativa é que, brevemente volte a abrir. Não deixa de ser importante este tipo de infraestruturas, na criação do próprio emprego. Temos bastantes turismos rurais, de alguma forma o turismo de enologia tem tido um crescimento satisfatório elevado e, com a melhoria da nossa rede viária, que temos tido também uma aposta forte nessa área, vem, no fundo, colmatar a necessidade de disponibilizar condições efetivas para que as pessoas nos visitem e para que o isolamento dessas infraestruturas hoteleiras não fiquem ao “deus dará”.

Falou nos acessos, o que quer fazer nessa área?

Nos acessos, estamos a melhorá-los a todos. Quer ao nível da segurança, quer ao nível da qualidade do piso e das sinaléticas. Estamos a tratar disso. Estamos a investir cerca de um milhão de euros. Ainda terei durante este início de ano cerca de meio milhão de euros que está destinado a obras.

Falando no futuro, pensa candidatar-se às próximas autárquicas?

O futuro a Deus pertence. Estamos ainda num clima de adaptação, de absorção, mas a seu tempo tudo se vai resolver. Este mês vai ficar decidido se vou ser candidato ou não. Depois sabe que já é difícil a gente decidir quando tem um convite, quando tem mais que um é mais complicado ainda. Refiro-me a convites de diferentes forças políticas.

Não está então de parte a hipótese de se candidatar às autárquicas?

Não. Mas já pus, em determinada altura achei que ia regressar ao meu trabalho e que não seria mais candidato mas efetivamente as pessoas têm-me abordado no sentido de me candidatar e tenho ponderado isso, brevemente irei anunciar se serei ou não candidato.

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