Carlos Silva eleito novo Presidente da CIM-Douro

Recentemente eleita a nova direção da CIM-Douro, o Viva Douro foi conversar com o presidente e os dois vice-presidentes com vista a perceber quais os planos para este mandato da nova equipa para o organismo que representa os 19 municípios durienses.

Carlos Silva – Presidente CIM-Douro

Quais são as principais ideias que quer implementar na CIM-Douro?

Em primeiro lugar é com que a CIM-Douro não esteja restringida unicamente à figura do seu presidente. Todos têm que estar envolvidos da mesma forma. Há um presidente, há vice-presidentes, há a possibilidade de criar grupos de trabalho temáticos. A ideia é desde logo pôr os autarcas a trabalhar lado a lado em prol da região.

Em segundo, é preciso também imediatamente apresentar um plano estratégico para a Comunidade e para a Região. Em função desse plano estratégico, que há-de ser proposto na reunião de Dezembro se estiver concluído até lá, como acredito, colocar então em prática as medidas necessárias.

A afirmação do nosso território enquanto elemento agregador de um conjunto de dinâmicas, em especial económicas é importante. Se repararmos a CIM-Douro será hoje a Comunidade com maior relevância no turismo em todo o país, este é o coração do Douro. Mas não é só o turismo, também a agricultura e a valorização dos nossos produtos são muito importantes. Depois há ainda o património edificado, uma importante fatia do valor da nossa região, de grande interesse nacional e que merece ser divulgado.

Depois temos os problemas que devemos ter em conta: a questão da desertificação ou o despovoamento, o envelhecimento, os serviços que já se perderam e outros que se podem perder e que são essenciais para as nossas populações, em especial em questões ligadas à saúde. O despovoamento acaba por levar estes serviços a fecharem, tirando ainda mais força à região. Aqui a Comunidade também tem um papel importante, lutar por melhores condições para quem aqui vive, é um pressuposto que não devemos esquecer.

A CIM-Douro não é, nem pode ser um organismo que sirva apenas para apresentar uns projetos e fazer candidaturas a fundos e depois aplicá-los. A Comunidade Intermunicipal tem a força de 19 municípios, 220 mil pessoas, esta força tem que ser agarrada para promover um conjunto de ações que cada vez serão mais importantes para a nossa região.

Entendo então que a prioridade é colmatar as desigualdades entre os diversos territórios dentro da CIM.

Os territórios são mais ou menos idênticos. Temos duas ou três cidades maiores e os restantes 16 municípios acabam por ser muito semelhantes. É óbvio que essas cidades maiores podem ajudar as restantes a crescer ainda mais, todos ficamos a ganhar se nos agregarmos aos maiores, crescendo como região.

Pegando num exemplo concreto, Sernancelhe não é um grande produtor de vinho como outros, no entanto produzimos muita castanha, este ano todos tivemos o mesmo problema com as colheitas devido à seca. Os problemas de fundo são transversais aos diferentes municípios.

Ter um presidente e dois vices, cada um de uma subregião da CIM, garante uma representação equitativa no organismo?

A representatividade na CIM foi importante no momento em que definimos a estratégia para o Conselho Executivo, ter aí as três subregiões representadas. A partir desse momento todos estão aqui a representar a mesma região, o Douro. Não podemos ser nós a dividir-nos, temos que olhar para nós como uma força única que representa o Douro.

Isso permite-lhe também delegar alguns assuntos com mais tranquilidade?

Claro que sim, esse é o objetivo. A CIM tem muita coisa para fazer, se estivéssemos só agarrados ao presidente, e mesmo aos dois vices, provavelmente o trabalho que pretendemos fazer daqui a quatro anos não estaria feito.

Acredita então que a CIM deve ter um papel de maior relevo no desenvolvimento da região?

Sem dúvida. Eu entendo que esta CIM, com a força que tem pode ser muito mais do que aquilo que a lei lhe consagra.

Devemos levar a cabo um conjunto de ações em defesa do nosso território. Há um conjunto de infra-estruturas, em especial no que diz respeito à rede viária que são importantíssimas para o desenvolvimento da nossa região, e que muitas vezes atravessam os diversos municípios, por isso devemos estar juntos em prol desse objetivo.

Não podemos ter dinamismo só porque existem fundos comunitários, temos que aproveitar a força de todos para reivindicar junto do poder central.

Consegue dar-me alguns exemplos dessa força conjunta?

Uma estrada que é pedida por um autarca pouco valor tem, se forem dois continua a não ter força mas, se se juntarem os 19 à volta daquela estrada, pensando que é boa para aquele município mas também pode ser boa para o todo da região, então teremos mais poder perante o poder central. Temos que nos lembrar que representamos 220 mil pessoas e elas não são números, cada uma delas é um pedaço de Portugal.

Temos também um dos produtos que contribui para a economia nacional, o nosso vinho. Esta força não pode ser ignorada, e nós temos que saber unir-nos em torno da região. Se contribuímos muito para o país, o país também tem que nos apoiar.

Eleito ainda há poucos dias, quais serão as suas prioridades para a CIM?

A primeira medida é preparar o Plano de Ação Estratégico para a CIM. Depois de debatido e aprovado então arrancamos para o nosso desenvolvimento.

O que me preocupa mais e que não pode ser feito de imediato é fazer com que a região funcione de forma integrada, essencialmente na componente turística, tirando o máximo proveito dela.

O nosso principal objetivo é criar esta força conjunta. O resto virá com as linhas orientadoras que vão ser discutidas.

 

Domingos Carvas – Vice-Presidente CIM-Douro

Como vice-presidente da CIM Douro e representante da sub-região do Douro Norte, o que pretende trazer para este organismo?

Julgo que devo trazer mais agressividade, no sentido lato da palavra. Acho que a CIM Douro não funcionava bem porque a liderança permitia que assim acontecesse. Queremos, sobretudo, estar mais perto dos autarcas e das suas necessidades.

A CIM é uma entidade aglutinadora de vontades e pessoas de uma região, por isso deve liderar essa região de corpo e alma ao lado da população.

Uma CIM Douro forte pode ser um contributo essencial no crescimento da região como um todo?

Tem que ser. Uma CIM Douro forte terá que ser também exigente. Ao sê-lo estará também a potenciar o território. Se não o fizermos não vamos ter aquilo a que temos direito, que é aquilo que as outras CIM’s têm.

É necessário discutir as medidas do quadro comunitário 2020, que está a iniciar-se. Temos que estar atentos ao processo de renegociação deste quadro comunitário, caso contrário somos ultrapassados, como tantas vezes fomos. Isso a mim não me assiste.

Se tivermos uma liderança política forte e tivermos tecnicamente preparados para os desafios que aí vêm, acredito que vamos ser um farol destes 19 municípios.

A solidariedade de todos os municípios é evidente e isso manifestou-se na aprovação desta coordenação, que veio também dar uma exigência maior.

Somos uma CIM grande e esperamos que dessa grandeza saiam muitos apoios para aqueles que fazem parte do nosso território.

Daqui a quatro anos, no final deste mandato, o que gostava que a próxima direção dissesse sobre a atual direção?

Que cumpriram cabalmente as suas funções e que deram tudo o que tinham pela CIM e pela representação dos 19 municípios.

 

Nuno Gonçalves – Vice-Presidente CIM-Douro

Como vice-presidente da CIM Douro e representante da sub-região do Douro Superior, o que pretende trazer para este organismo?

Mais do que a representação do Douro Superior interessa valorizar a região como um todo. Obviamente que a escolha desta direção acaba por ser bastante representativa de todo o território. Quer o presidente quer os dois vices têm um propósito em comum, representar o território como um todo e não cada uma das suas subregiões. Esta vai ser a aposta desta equipa.

É natural que cada um de nós tem da sua subregião, não podemos ignorar que eu sendo do Douro Superior tenho uma melhor noção das dificuldades e necessidades desta área. O trabalho que temos pela frente é o de juntar estes conhecimentos todos em prol de um bem maior que é a região, o Douro.

Uma CIM Douro forte pode ser um contributo essencial no crescimento da região como um todo?

Naturalmente. Estes três autarcas que agora foram eleitos estão numa missão de representar os seus pares. Não nos podemos esquecer que esta é a maior CIM do país em número de municípios e só com o mesmo objetivo conseguimos fazer a região crescer, por isso temos que estar unidos.

Daqui a quatro anos, no final deste mandato, o que gostava que a próxima direção dissesse sobre a atual direção?

Gostava que fosse reconhecido que, o trabalho a que nos propusemos foi cumprido e que a CIM está mais forte bem como a região e cada um dos municípios que a compõem.