“O principal papel da CIM Douro é criar uma articulação entre os municípios que a compõem”

Francisco Lopes

Francisco Lopes ocupa o cargo de presidente da CIM Douro desde novembro de 2013

 

No arranque do novo projeto VivaDouro, destacamos a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM) como entidade representativa da região. Entrevistamos, por isso, o presidente Francisco Lopes que preside também, desde 2005, a Câmara Municipal de Lamego. O edil apresenta uma CIM Douro “completamente consolidada” e fala de projetos para o futuro de Lamego e da região que compreende a comunidade.

Como presidente da Câmara Municipal de Lamego, desde 2005, que balanço faz de todos estes anos em que tem vindo a liderar os destinos do concelho?
Tenho alguma dificuldade em distinguir os mandatos. É um trabalho de continuidade em que vamos fechando algumas etapas e é muito difícil distinguir este último ano dos oito que o antecederam. No entanto, vamos enfrentando novos desafios e novos problemas que nos são colocados, porque a vida autárquica está carregada de solicitações diárias por parte da população, das empresas e das instituições.
Já estamos a pensar em novos projetos e em adequar a nossa ação às novas dinâmicas e novas dificuldades. Fala-se muito nisso e os autarcas têm cada vez mais a necessidade de responder aos problemas das pessoas em vez de criar obras. Eu rio-me um pouco disso e ainda na última Assembleia Municipal fazia esse balanço, porque ao olhar para o nosso Orçamento Municipal, temos 26 milhões de euros, dos quais 18 milhões são para essas necessidades diárias que sentimos: os investimentos na ação social, na cultura, na educação, nos serviços básicos de água, saneamento, iluminação pública e recolhas de lixo; depois temos oito milhões de investimento, dos quais cerca de dois milhões de euros são da Câmara Municipal, o restante vem dos fundos comunitários.
Com estes valores percebe-se a diferença entre o custo diário de manutenção da autarquia e o custo do investimento em novas infraestruturas. Temos uma população a ficar fortemente envelhecida e infelizmente os jovens estão em êxodo permanente e os que ficam só não saem porque não podem. Temos que encontrar soluções para as pessoas que insistem em viver em Lamego e garantir qualidade de vida aos nossos idosos, com um envelhecimento ativo e sem isolamento.

Como é ser presidente de uma Câmara como Lamego?
Ser presidente da Câmara Municipal de Lamego é um desafio permanente. Temos uma linha de orientação que vem do nosso projeto político, temos prioridades: continuar a investir na infraestrutura porque ela é necessária – ainda temos zonas sem saneamento e alguma carência na área das acessibilidades – e também temos a noção que é importante investir na qualidade de vida das pessoas.
O concelho tem uma faceta agrícola muito relevante, com uma forte expressão vitícola no norte de Lamego, virado para o rio Douro. A sul, numa zona mais montanhosa temos alguma pecuária e produtos regionais de qualidade como o presunto, os enchidos, o queijo e a castanha.

Quais são os principais objetivos para 2015?
Para 2015 temos a conclusão de alguns investimentos que estão em curso e muitos deles são relevantes. Lamego é uma cidade com uma grande riqueza histórica e patrimonial, o que nos tem catapultado para uma maior apetência turística nesta região. Somos o concelho com maior capacidade hoteleira e temos muitas visitas turísticas na área do turismo religioso e do turismo rural, portanto temos feito um grande esforço para recebermos os turistas. Esse esforço é feito na requalificação da cidade e na preparação dos monumentos e dos espaços museológicos visitáveis. A ideia é criar um centro interpretativo da história da cidade de Lamego com um circuito que atravesse as várias fases relevantes da cidade.
Em 2015, vamos ter a requalificação do escadório do Santuário da Nossa Senhora dos Remédios e a construção do Museu e do Centro Interpretativo do Entrudo e da Máscara de Lazer, que é uma das tradições carnavalescas do país e uma das peças de artesanato mais ricas. Esse são os dois projetos que vão marcar o próximo ano, para além do nosso projeto diário que já está montado.

Em novembro de 2013 foi eleito presidente da Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro. Tem sido difícil liderar a comunidade em simultâneo com a Câmara de Lamego?
A CIM Douro já não é novidade para mim. Desde que as Comunidades Urbanas foram constituídas, em 2006, fui vice-presidente durante dois mandatos, por isso a presidência foi uma consequência lógica. A CIM Douro é composta por 19 municípios, muito diversos quer em dimensão, quer em características físicas e geográficas. Tem sido difícil juntar 19 pessoas à mesa e ter decisões no final das reuniões. Contudo, é um grande desafio que tem sido bem sucedido com cedências de parte a parte. Temos que apostar em projetos nos quais todos se possam rever. Esse consenso tem sido atingido em projetos em torno do Douro Norte e do Douro Sul. O principal papel da CIM Douro é criar uma articulação entre os municípios que a compõem. O objetivo é criarmos alguns planeamentos estratégicos comuns da mobilidade, investimentos públicos, eficiência da rede energética e a própria estruturação da rede urbana. Se não fizermos esse planeamento nesta zona alargada depois não vamos ter decisões adequadas. Estamos preocupados no que toca a esta matéria até porque queremos aproveitar o próximo programa de fundos comunitários que aí vem [QREN 2014-2020]. A CIM Douro ainda é uma estrutura embrionária a fazer o seu percurso de afirmação, que apesar de tudo tem funcionado. Grande parte do programa anterior foi investido na reforma das redes escolares e esse foi um trabalho muito significativo para a região.