Concelhos da CIM Douro triplicam população no verão devido aos emigrantes

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António Micael, emigrante em França

Com mais de cinco milhões de pessoas de origem portuguesa espalhadas pelo mundo, agosto já se tornou o “mês dos emigrantes”, altura em que grande parte da população emigrada volta ao país para passar férias. O douro não é exceção e nesta altura existem mesmo concelhos que triplicam o número de habitantes, tendo um impacto direto na economia local.

Entre os países da União Europeia, Portugal é um dos que apresenta a maior taxa de população emigrada. Várias são as histórias de portugueses que cruzam fronteiras à procura de melhores condições de vida, sendo esta a altura do ano que a maior parte deles elege para visitar o país onde nasceu.

Na perspetiva de José Marques, vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), a afluência de emigrantes nestes meses de verão vem dar vida à região e “animá-la do ponto de vista económico e das relações afetivas”, afirmou ao VivaDouro.

“Temos comunidades que triplicam o número de habitantes nesta altura e isso reflete-se quer no consumo de água, quer na produção de resíduos sólidos urbanos, bem como no atendimento dos serviços públicos, tudo isto cria animação e de facto é notória a presença de um número muito, muito significativo de emigrantes”, acrescentou José Marques.

Entre as causas apontadas para a escolha de emigrar, a procura por melhores condições de vida está no topo das razões. António Micael, emigrado há sete anos em França, fez as malas e deixou os seus filhos pequenos essencialmente por questões económicas, “hoje em dia sem dinheiro não se faz nada, é impossível criar quatro filhos com o ordenado mínimo de Portugal”, afirmou o residente no estrangeiro, na festa do emigrante em Vila Real.

De acordo com  relatório do Observatório da Emigração relativo ao ano passado, a população portuguesa emigrada representa mais de 20% da população residente no país. Em 2013, os principais destinos escolhidos pelos portugueses para emigrarem foram França, Reino Unido, Suíça, Alemanha, Espanha, Luxemburgo, Bélgica, Angola, Moçambique, Brasil, Holanda, Estados Unidos, Noruega, Canadá e Itália.

A França continua a ser o país com maior número de emigrantes portugueses, sendo a terceira maior população emigrante residente.

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Dulce Machado encontra-se a residir na Suíça há 20 anos

Também Dulce Machado, 50 anos, saiu de Portugal há 20 anos e foi viver para a Suíça, local onde permanece até hoje com a família. A decisão não foi fácil na altura em que foi embora, “custou um bocadinho porque casei e fui logo, deixei os meus pais, mas passado um ano ou dois acaba por passar”, contou.

Assim como António Micael e tantos outros portugueses, também foram os motivos económicos que impulsionaram a ida para a Suíça, “o que me fez ir foi a infeliz desgraça que estamos a viver. Lá também não está fácil, mas sempre está melhor que cá”, afirmou.

“Grande parte das pessoas que já emigraram há muito tempo, regressam com a família, com os filhos e os netos, que já nasceram no estrangeiro”, afirmou o vice-presidente da CIM Douro. É o caso de Jorge Bessa, 33 anos, que já nasceu em França pelo facto de os pais terem emigrado há muitos anos. Apesar de Portugal não ser o seu país de origem vem até Vila Real, cidade dos pais, passar férias todos os anos. No entanto, mesmo tendo grande carinho por terras lusas nunca pôs a hipótese de vir para cá viver.

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Cidália Oliveira, emigrante na França

Cidália Oliveira, 42 anos, nasceu em Portugal, no entanto viveu toda a vida em França. Mas nem assim esconde a vontade de um dia vir viver para o país que a viu nascer, “É o meu país, nasci aqui, sou 100% portuguesa”, revelou a enfermeira.

Maria Fernanda, 49 anos, partilha a mesma situação, saiu de Portugal aos cinco anos com os pais e viveu em França durante toda a vida. Todas estas pessoas têm em comum o facto de virem a Portugal passar férias todos os anos.

“Todos sabemos, em termos nacionais, também registados na nossa região, que nos últimos anos se verificou uma acentuada emigração sobretudo de jovens devido à crise económica”, salientou o vice-presidente da CIM Douro.

Um Estudo recente do Instituto Nacional de Estatística e da Pordata, revela que nos últimos quatro anos saíram do país cerca de 486 mil habitantes para viver no estrangeiro por mais ou menos de um ano. Sendo que o número de emigrantes foi aumentando desde 2011 até ao ano passado.

No contexto do programa de assistência financeira, Portugal foi o nono Estado-membro na UE28 que perdeu mais população (-1%), depois da Grécia e dos restantes países que encolhem há mais de duas décadas como a Hungria, Bulgária, Roménia, Letónia, Lituânia e Estónia.

Mesmo longe de Portugal, a maior parte dos emigrantes nunca esquece as suas origens e pretende um dia regressar. “Há uma tendência natural pelas relações afetivas e identitárias para que as pessoas que emigraram regressem aos seus locais de origem”, explicou José Marques.

“É uma coisa inesquecível, o meu país fica sempre no coração”, afirmou António Micael, “ainda hoje quando cruzei a fronteira e vi a bandeira portuguesa até me arrepiei”, acrescentou.

“O meu sonho é o meu país dar-me a oportunidade de regressar mas acho que deve ser difícil”, confessou desiludido António Micael. No entanto, o trabalhador da construção civil, põe a hipótese de voltar quando estiver na altura da reforma, “aqui é o meu país, é aqui que tenho as raízes”, concluiu.

“Esse sentimento ainda se mantém muito forte nos emigrantes, quando atingem a idade da reforma pretendem regressar à sua terra de origem, apesar de percebermos que alguns acabam por ter alguma dificuldade em voltar, também porque entretanto os filhos já nasceram e constituíram vida nos países onde estão emigrados”, confessou o vice-presidente da CIM Douro.

Exemplo disso é Dulce Machado, que não pretende voltar de vez pelo facto de os filhos se encontrarem a viver na Suíça.

As Projeções Europeias relativas a 2013/2080 preveem um cenário em que Portugal terá menos de dez milhões de habitantes até 2030 e perderá um quarto da sua relevância na população europeia até 2060.

 

 

 

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