Entreajuda é a palavra de ordem nas vindimas em Ferreirim

Entreajuda é a palavra de ordem nas vindimas em Ferreirim / Foto: Salomé Ferreira

Entreajuda é a palavra de ordem nas vindimas em Ferreirim / Foto: Salomé Ferreira

A freguesia de Ferreirim, Sernancelhe, distingue-se pelo espirito de entreajuda entre os habitantes na altura da Vindima. Produtores não têm necessidade de contratar mais trabalhadores nesta altura do ano devido a esta tradição centenária de ajuda entre os habitantes. A tradição pode, no entanto, estar em risco no futuro devido à falta de jovens na localidade.

Na Quinta dos Amores, em Ferreirim, a vindima arranca aos primeiros raios de sol e dura até ao pôr-do-sol, “aqui trabalhamos de sol a sol”, revela Manuel Guterres, proprietário da Quinta.

O início da lavoura bem cedo, para aproveitar a frescura da manhã, é comum à maior parte das Quintas nesta altura. Aqui, a diferença é outra, não existem pessoas contratadas para fazer a vindima. Todo o trabalho é feito através do espirito de entreajuda entre os habitantes da aldeia, “nós ajudamos e depois também nos vêm ajudar”, explica Manuel Guterres.

Manuel Guterres, proprietário da Quinta dos Amores

Manuel Guterres, proprietário da Quinta dos Amores

“É uma tradição que já vem do tempo dos nossos avós e bisavós e neste momento ainda se continua a fazer”, acrescentou o produtor.

Nas vinhas da Quinta dos Amores o ambiente é de festa durante esta época, “existe uma grande amizade entre as pessoas, esta tradição tem sido uma maneira de unir as pessoas”, afirmou ao VivaDouro Manuel Guterres.

Entre as dezenas de pessoas que se encontravam a ajudar na vindima poucos eram os jovens presentes, situação que causa alguma preocupação entre os habitantes de Ferreirim, “a população está a envelhecer, os jovens emigram e provavelmente no futuro vamos ter que começar a contratar”, confessou o produtor da região do Távora-Varosa.

Ana Maria e Maria Cecília Raimundo, habitantes de Ferreirim / Foto: Salomé Ferreira

Ana Maria e Maria Cecília Raimundo, habitantes de Ferreirim / Foto: Salomé Ferreira

Maria Cecília Raimundo, 69 anos, era uma das habitantes a colaborar na vindima da Quinta dos Amores. Já com uma vasta experiência em trabalhos na vinha, Maria Cecília Raimundo mostra grande agrado em ajudar, “aqui em Ferreirim ajudamos uns aos outros porque senão não temos gente”, revelou ao VivaDouro.

O sentido comunitário e o amor pela vinha e pela região fazem assim um dia de trabalho nas vinhas de Ferreirim. Amor esse que deu nome à Quinta de Manuel Guterres, “Quinta dos Amores”, mas que também o levou a abraçar a agricultura como profissão.

“Acompanhei os meus pais nesta atividade, o amor pela região e pelas vinhas ficou-me no sangue”, revelou.

Na propriedade, Manuel Guterres tem plantado dois tipos de vinhas. De um lado, com cerca de cinco hectares, tem “Cepa antiga”, vinhas centenárias herdadas dos seus antepassados. Por outro, tem vinha nova, uma aposta recente com o objetivo de modernizar e rentabilizar a atividade, uma vez que estas novas castas são mais valorizadas do que as antigas.

“Estamos agora a modernizar para as castas novas por incentivo da Cooperativa Agrícola do Távora para fazer o espumante típico das nossas terras”, explicou o produtor.

Para além de as uvas serem mais valorizadas na hora de entrega à Cooperativa, a nova vinha, com cerca de dois hectares, tem ainda a vantagem de ser “mais rentável” e ter já implantados sistemas agrícolas modernos, nomeadamente o sistema de rega gota a gota.

Apesar destas vantagens, Manuel Guterres considera que “o preço das uvas continua a ser muito baixo nesta região”, afirmou. “O incentivo que temos não é o preço, antigamente pagavam mais, devia ser ao contrário, pagarem agora mais e antigamente menos”, acrescentou.

Manuel Guterres tem vindo a diminuir a vinha antiga nos últimos anos, “dá mais trabalho e menos produção, tenho mantido esta vinha mais pela tradição”, referiu o produtor.

No que diz respeito à colheita este ano, Manuel Guterres revela que “não está tão boa”, na opinião do viticultor “o inverno foi longo e fez com que aparecessem várias doenças, que por o inverno ser longo não se conseguiram tratar nas alturas corretas e daí a quebra da produção”. No entanto, apesar da quebra na produção a qualidade do produto mantém-se a mesma.

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