Jerónimo de Sousa defende que a região duriense precisa de uma alternativa

Jerónimo de Sousa, líder do Partido Comunista

Jerónimo de Sousa, líder do Partido Comunista/ Foto: Direitos Reservados

Portugal vai a votos no dia 4 de outubro. O VivaDouro e o VivaCidade foram conhecer de perto as perspetivas dos cinco candidatos às legislativas, a nível nacional mas também no que diz respeito ao Douro e ao Interior do país. Leia a entrevista a Jerónimo de Sousa, líder do Partido Comunista.

Um dos grandes problemas das regiões do interior são as acessibilidades.
Acha que o país está desligado do interior? O Governo não tem dado resposta adequada aos distritos do interior, nomeadamente à região do Douro?

Na verdade, os sucessivos governos PS, PSD e CDS têm sido muito madrastos com as regiões do Interior. Há a questão das acessibilidades que refere, e que com a construção das autoestradas não ficou resolvida porque as populações e as empresas não têm qualquer alternativa, significando a mobilidade, e designadamente as portagens, seja na A24, seja na A11, seja na A4, um custo acrescido para as famílias e para as pequenas e médias empresas que somam mais estes custos de contexto, prejudicando a sua competitividade. Sublinhe-se que toda a restante rede viária está, como há muitos anos, com traçados irregulares, e em alguns casos em mau estado, a que se soma a completa ausência de uma rede de transportes públicos eficiente, com sucessivos cortes nos horários e com preços proibitivos.

Para além das acessibilidades, outro dos grandes problemas das regiões do interior é o envelhecimento da população. Que medidas devem ser tomadas para travar esta desertificação e a fuga dos mais jovens para os grandes centros urbanos, ou até mesmo para o estrangeiro?

O envelhecimento da população, sendo um problema mais vasto do que apenas desta bela região, afeta particularmente as regiões do interior. O que é necessário é romper com as políticas de desastre, introduzindo um leque amplo de políticas integradas e dinamizadas regionalmente por poder regional decorrente da regionalização, autarquias locais com capacidade financeira reforçada, Orçamentos do Estado apoiados nos fundos comunitários com forte descriminação positiva dos territórios com perdas significativas de população; políticas económicas que possam romper com a lógica única de mercado na afetação e localização de recursos materiais e meios humanos; uma política agrícola e florestal, privilegiando a exploração familiar e produções que garantam a ocupação humana do território e salvaguardem os solos agrícolas e a biodiversidade, recusando grandes áreas de monocultura intensiva; uma reindustrialização com a valorização da transformação industrial da matéria-prima regional na região e redes de distribuição comercial grossista e retalhista que preservem e intensifiquem os fluxos regionais.

O que podem esperar os portugueses que decidam votar na CDU?

Uma outra política, que valorize o trabalho e a produção nacional, que defenda os direitos de quem trabalha. Uma política patriótica e de esquerda, que defenda os interesses e soberania nacionais e que esteja sempre do lado de quem menos tem e pode. Mas a CDU  não se distingue apenas pelos objetivos e soluções que propõe; a verdade e a honestidade no exercício da política é também uma característica que nos distingue.

Que personalidades o motivam diariamente a ser político?

Existem duas pessoas que são referências incontornáveis na minha vida e, como tal, também o são nas responsabilidades políticas que assumo. Se num plano mais pessoal a minha mãe é uma referência na minha vida e na minha formação, Álvaro Cunhal, num plano mais político, é um exemplo e referência que tenho sempre presente.

Quer deixar uma mensagem para a população da região do Douro?
Quando se vive e trabalha numa das mais belas regiões do País, que produz um dos mais preciosos vinhos do mundo, é natural o questionamento sobre as razões de o Douro se manter como uma das mais pobres regiões da União Europeia. A resposta está nas políticas de quase quarenta anos de PS, PSD e CDS, que favorecem os grandes interesses das casas exportadoras de Vinho do Porto, em desfavor dos milhares de pequenos viticultores durienses, a que acrescem políticas de destruição dos serviços públicos, dos transportes públicos. Ao longo dos anos os durienses contaram sempre com o apoio do PCP e da CDU, através dos seus deputados na Assembleia da República, no Parlamento Europeu, nas Autarquias Locais. É agora o tempo de decidir entre premiar a gente séria que sempre esteve ao lado da região e dos durienses e aqueles que, agora tudo prometem, para, no dia cinco de outubro, uma vez mais se esquecerem dos problemas e desprezarem as potencialidades desta região Património da Humanidade. Para construir a alternativa que o país e a região duriense precisam só podemos contar com a força do povo. É para engrandecer essa força que as populações do Douro estão convocadas.

 

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