José Marques: “Estamos prontos e com energia para enfrentar o futuro”

José Marques: Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa/ Foto: Ana Portela

José Marques: Presidente da Câmara Municipal de Sabrosa/ Foto: Ana Portela

José Marques, presidente da Câmara Municipal de Sabrosa, em entrevista ao VivaDouro, contou como têm sido os últimos dez anos à frente da autarquia, salientando que o que mais desejava para o concelho é que fosse “uma referência na região” .

Como decidiu candidatar-se a presidente da Câmara Municipal de Sabrosa?
A minha candidatura foi feita em 2005 e foi de alguma maneira uma candidatura inédita à época, por ter sido uma candidatura independente. Não foi uma estratégia de oposição, mas sim um projeto alternativo. A verdade é que ser presidente da Câmara nunca tinha sido um objetivo político, sempre me preocupei que Sabrosa tivesse uma estratégia, que Sabrosa tivesse um projeto e que Sabrosa tivesse um conjunto de oportunidades ao serviço das pessoas. Nesse quadro, já tinha tentando desenvolver alguns projetos, muitos deles dentro de um contexto de animação cívica e de mobilização da população, para se desenvolverem alguns projetos que criassem melhores condições para que o desenvolvimento do concelho. Sou um sabrosense, tenho Sabrosa no coração e aquilo que eu idealizava para Sabrosa era que fosse uma referência na região. Isso conduziu, com a mobilização de muitas pessoas, que me tivessem sugerido a liderar esse projeto. Inicialmente não o quis fazer, mas as coisas acabaram por acontecer e funcionar.

Com uma candidatura independente em 2005 e um projeto alternativo, temeu que não pudesse vencer?
Eu nunca entrei num projeto com a ideia de que pudesse ser derrotado. Eu sabia que a luta iria ser muito renhida mas tinha uma expectativa grande de puder vencer. À medida que fomos desenvolvendo a candidatura começamos a perceber que existia uma forte recetividade das pessoas com o projeto.

Qual a maior dificuldade que encontrou quando tomou posse do cargo?
As coisas não foram fáceis, tivemos alguns problemas muito sérios e alguns deles tinham a ver com projetos, como por exemplo, o projeto da requalificação da aldeia de Provesende, que estava na comissão de coordenação, era um projeto que já estava aprovado contudo os prazos estavam ultrapassados. Tivemos que recuperar esse e outros projetos como a rede viária, recuperar as piscinas municipais cobertas e o parque atualmente denominado “B.B King”, tudo num curto espaço de tempo, tentando negociar e trabalhar para que tudo isto se concretizasse no tempo determinado. Esta corrida contra o tempo e tentarmos definir simultaneamente uma estratégia para o concelho, foram a maior dificuldade. Atualmente a maior luta que enfrentamos é a rede rodoviária das vias do município, com uma grande prioridade na estrada que liga Sabrosa ao Pinhão, que está com problemas estruturais muito grandes.

Qual foi a maior conquista de todos estes 10 anos de liderança?
A maior conquista foi sem dúvida alguma a variante da estrada nacional 322, que liga Sabrosa à A24, num projeto em que estiveram envolvidas mais de cem pessoas, para que fosse possível acontecer. Esta variante constitui uma importante porta de entrada pois cria uma ligação de acessibilidade ao concelho muito grande, facilita a vida a toda a gente e cria uma forte proximidade e uma condição de atratividade ao território muito maior. Para que as coisas possam funcionar nesse sentido, é forçoso que um conjunto de outros projetos e dinâmicas de atratividade ao território se possam desenvolver, para que Sabrosa ganhe essa condição de afirmação e por outro lado de competitividade. Foi um processo muito lento e mais lento se torna num contexto de crise, mas foi sem dúvida a maior conquista. O espaço Miguel Torga, a regeneração do centro histórico e o Centro Escolar são também parte do conjunto de outros projetos que foram uma vitória para o concelho.

O que é que Sabrosa pode oferecer a quem os visita?
Neste momento, independentemente da questão associada à restauração, temos excelentes enoturismos aqui na zona, alguns dos melhores da região. Temos a Associação Sabrosa Douro XXI, que tem guias turísticos e que pode proporcionar um conjunto de passeios e visitas na zona, temos os trilhos pedestres associados a Miguel Torga bem como trilhos mais direcionados ao BTT e percursos para ciclismo, podem visitar também o espaço Miguel Torga, o Pólo Arqueológico de Garganta ou a casa Aires Torres. A aldeia vinhateira de Provesende é também um bom ponto de passagem e temos diversos elementos de interesse para além das visitas às quintas de referência internacional. Tenho a certeza absoluta de que se nos procurarem, as pessoas terão aqui uma excelente oportunidade de gostar e apreciar Sabrosa bem como o seu património.

Tirando o turismo, que outros setores são predominantes no concelho?
O turismo é um setor que se está a desenvolver, apesar de ainda ter muito que caminhar. Para além deste setor, temos também que apostar cada vez mais na agricultura, que é o grande pilar da economia, como o vinho e o azeite. Temos alguns empresários associados ao mel, que apostam aqui na zona, mas há uma necessidade urgente de se diversificar a economia. É nesse sentido que estamos a trabalhar, estamos a tentar articular com a NERVIR (associação empresarial) e com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, para ver se conseguimos, nomeadamente na região de montanha, fora da região demarcada, tirar partido de todo esse potencial associado à agricultura e à produção, por exemplo, de pequenos ruminantes. É um setor onde nós temos uma apetência muito forte e que apesar de ainda existir, necessita urgentemente de ser estimulado e dinamizado porque é um importante recurso. O vinho é o principal setor da região e ao contrário de antigamente em que o vinho do Porto era o ser setor preponderante e hoje em dia temos excelentes vinhos de mesa e em Sabrosa felizmente, podemos dizer que temos dos melhores vinhos do mundo, temos excelentes referências, excelentes marcas, que estão muito bem colocados no mercado.

Como é que o concelho de Sabrosa tem enfrentado a crise nacional que o país atravessa?
Felizmente, podemos dizer que temos uma Câmara estabilizada, a cumprir com todas as regras que nos foram impostas, contudo não foi um processo naturalmente fácil, porque quando nos alteram as regras a meio do jogo, torna-se tudo mais complicado. Nós trazíamos um conjunto de importantes investimentos, com recurso a fundo comunitários, que têm uma componente obrigatória e com os cortes orçamentais que tivemos, a alteração da lei das finanças locais, a criação da lei dos compromissos, tudo isto nos atrapalhou imenso, mas conseguimos estabilizar e estamos prontos e com energia para enfrentar o futuro. Somos dos concelhos da região que tem os mais baixos impostos bem como as taxas de IMI, nos setores dos serviços temos também dos tarifários mais baixos, isto porque as pessoas já são muito penalizadas pelos impostos nacionais e por isso temos aqui também um incentivo e apoio para a economia local, apesar de nos deixar com uma fraca manobra em matéria de capital para investimento e temos que saber gerir tudo isto com muito rigor. Tentamos criar condições para estimular o subdesenvolvimento e um serviço de qualidade junto das nossas populações, apoiando todas as dinâmicas que possam desenvolver a economia destes territórios de baixa densidade.

Como é que lida com a oposição partidária em Sabrosa?
Nós somos muito poucos e neste caso, ser oposição é ter ideias, empenho e ter uma atitude construtiva no sentido de criar condições para que em parceria política nós consigamos levar as coisas da melhor maneira. Eu sempre tive uma atitude de partilha, disponibilizo toda a informação para criar condições de trabalho em conjunto. É forçoso que assim seja e eu lamento que, às vezes, mais atualmente que no passado, de que haja uma posição muito ligada a questões que não entram em lógicas de substância e de situações de relevância em termos de estratégia e em termos de política.

O que ainda deseja realizar antes de termina o mandato?
Há alguns projetos que gostava de ver concluídos, alguns deles a nível da regeneração. Gostava também de ver alguns desses projetos implementados no capítulo económico, nomeadamente para a zona de montanha e sobretudo gostaria de ver bem consolidada toda a estratégia ao nível das infraestruturas culturais que temos no concelho. Termos o espaço Miguel Torga com todos os serviços, culturais, educativos e turístico devidamente a funcionar é também uma prioridade. A este último objetivo, junta-se São Martinho de Sabrosa e a aldeia de Provesende, formando assim um triângulo muito importante a nível turístico e que tem que estar em força, com uma dinâmica associada, nomeadamente no empreendedorismo local, para que estas localidades possam tirar partido do excelente potencial que têm e para que Sabrosa seja um destino obrigatório no Douro. Outro dos projetos que gostaria ainda de ver concretizado é a afirmação do concelho a nível mundial, na rede de cidades de Magalhães, afirmando-se internacionalmente e tirando partido da dimensão e das oportunidades dessa mesma rede.

Que mensagem quer deixar à população?
A mensagem é de esperança e agradecimento pela confiança que depositaram em mim. Um agradecimento especial a todas as juntas de freguesia e instituições que colaboraram com a Câmara Municipal. É forçoso que nas situações que são elementares e de proximidade, os presidentes da junta e os representantes das instituições se articulem devidamente com o município, no sentido da resolução dos pequenos problemas que surgem. Todos em conjunto é que fazemos Sabrosa, Sabrosa somos todos nós e portanto só tenho a agradecer por terem acreditado e pela confiança que continuaram a depositar em mim, deixando um sinal de esperança de que Sabrosa se projetará no futuro e temos que ter energia para isso. Tal como o meu slogan de campanha, digo a todos os sabrosenses “estamos juntos”.

 

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